Sistema de pulverização Vortex

Estudos comparativos mostram que os pulverizadores com assistência a ar na barra possuem eficiência superior aos convencionais, em avaliações realizadas sob mesma velocidade, altura de plantas e volume do tanque.

A busca por novas tecnologias de aplicação de produtos químicos para obtenção de melhores índices na eficiência do produto sobre o alvo está diretamente relacionada à qualidade de aplicação. O estudo da deposição, cobertura e deriva atua como fator influente na eficiência, responsável pelas perdas, sendo a deriva um fator de contaminação ambiental.

Diversas plantas comercialmente importantes são atacadas por doenças e pragas que iniciam no terço inferior da estrutura da planta, dificultando assim o controle inicial. Pulverizadores com assistência a ar na barra se tornaram uma boa alternativa para o controle de moléstias que iniciam o ataque na parte mais baixa das plantas, tal como a ferrugem asiática da soja, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, a qual provoca grande queda na produção ou até mesmo a perda da lavoura quando não manejada de maneira adequada.

Vários produtos fitossanitários comumente aplicados possuem ação locossistêmica, ou seja, são translocados a pequenas distâncias no interior da planta e com isso exigem, durante a aplicação, uma maior cobertura da planta para obtenção de maior eficiência, tornando a assistência a ar na barra um grande aliado no aumento da qualidade de aplicação, atingindo o dossel inferior da cultura. O líquido, após sair do orifício das pontas de pulverização, perde energia devido à resistência do ar, o que facilita o arraste dessas gotas pelo vento, provocando deriva do produto. Ao usar assistência de ar na barra, essas gotas são levadas por uma corrente de ar descendente que facilita a condução das gotas até o alvo escolhido, reduzindo a deriva do produto.

Conjunto trator-pulverizador utilizado no experimento.
Conjunto trator-pulverizador utilizado no experimento.

O sistema de aplicação de defensivos químicos com assistência de ar junto à barra de pulverização é indicado para culturas de porte alto e com elevada densidade foliar, devido à maior penetração no dossel da cultura. Tem como vantagens menor dependência do vento ambiente, maior velocidade de aplicação, maior cobertura no dossel da cultura, permite o uso de gotas finas, redução do volume de aplicação, diminuindo os custos com o produto e menor tempo de paradas para abastecimento e principalmente a redução da deriva, contribuindo para menor contaminação do meio ambiente. A redução da deriva torna-se muito importante quando preocupa-se com a preservação de áreas ao redor da propriedade, visto que um produto aplicado em uma lavoura pode ser muito prejudicial se entrar em contato com outra área, principalmente quando se fala em herbicidas.

Em solos descobertos ou com plantas em estádios iniciais de desenvolvimento o uso da assistência de ar não é indicado, pois aumenta a deriva ocorrida pela deflexão do ar decorrente do pulverizador pelo solo. O efeito guarda-chuva na cultura, em que as partes inferiores da planta e as entre linhas ficam cobertas pelas folhas, reduzindo a deposição do produto nessas áreas, é impedido devido ao turbilhonamento gerado pela cortina de ar, permitindo maiores eficiências na deposição do produto sobre o alvo.

Apesar de ter melhor desempenho em plantas já consolidadas, a assistência de ar não é indicada na fase inicial da cultura.
Apesar de ter melhor desempenho em plantas já consolidadas, a assistência de ar não é indicada na fase inicial da cultura.

Pesquisas conduzidas comparando o uso de assistência de ar na barra com pulverizadores convencionais comprovam a eficiência dos equipamentos dotados de ar na deposição e perdas de produtos químicos utilizando alvos artificiais, revelando níveis significativamente menores de deriva em relação ao equipamento convencional. Maiores velocidades do vento junto à barra proporcionam maiores coberturas e consequente controle de pragas e invasoras, em comparação com menores velocidades do ar. No trabalho conduzido por Miranda et al (2011), os autores concluíram que a pulverização com assistência de ar na barra pode aumentar a cobertura do alvo pela gota, especialmente nos alvos mais difíceis como as posições mediana e inferior da planta e as faces inferiores das folhas do algodoeiro. De acordo com os autores, a assistência a ar favoreceu a aplicação por minimizar os efeitos das variáveis climáticas, carreando as gotas mais rapidamente até o alvo.

Sistema pode ser utilizado em pulverizadores de arrasto ou autropopelidos

Os pulverizadores equipados com assistência a ar junto à barra de pulverização podem ser de arrasto, montados ou em alguns casos autopropelidos. São constituídos de um ou dois ventiladores acionados hidraulicamente, geralmente dispostos axialmente, posicionados próximo à seção central da barra de pulverização. Esses ventiladores têm por função produzir uma cortina de ar de grande volume e distribuir através de um duto inflado o fluxo de ar sobre a barra de pulverização montado acima dos bicos. O ar gerado e distribuído no duto acima da barra é forçado a passar pela abertura na direção perpendicular da qual foi gerado, em um sentido descendente, conduzindo o volume pulverizado pelas pontas até o alvo.

Normalmente os pulverizadores utilizam um ventilador para produção da cortina de ar. O acionamento deste ventilador se dá a partir de um motor hidráulico acionado pela TDP do trator ou pelo sistema de controle remoto independente. A variação da rotação do ventilador é realizada através de uma válvula reguladora, que ao ser alterada sua posição varia o fluxo de óleo para acionamento do motor hidráulico, mudando assim a rotação do ventilador e a quantidade de ar admitido no sistema, de acordo com a necessidade da aplicação. O consumo de potência pelo acionamento desse sistema de ar é maior com a elevação da rotação do ventilador.

Além de penetrar melhor na parte inferior das plantas, a pulverização com assistência de ar tem deriva menor que a pulverização convencional.
Além de penetrar melhor na parte inferior das plantas, a pulverização com assistência de ar tem deriva menor que a pulverização convencional.

A fim de aumentar a deposição e diminuir a contaminação do solo, a variação da angulação dos bicos e/ou ar gerado pelo sistema durante a pulverização a favor do sentido de deslocamento do trator-pulverizador pode ser uma boa alternativa, variando de zero a 30 graus em relação à vertical (Tabela 1).

Como desvantagens do sistema de pulverização assistida, têm-se maior custo na aquisição do produto, possível arraste das gotas de pulverização na parte superior das folhas e, em alguns, casos queda de flores, sendo mais indicado para fungos e pragas que iniciam o ataque na parte inferior das plantas.

Vale ressaltar que o uso da assistência de ar pode diminuir ou aumentar a deriva do produto quando comparado a um pulverizador convencional, sendo de extrema importância analisar a cultura-alvo da aplicação e o estágio de desenvolvimento da planta, realizando a interação destes fatores com a velocidade de ar na barra de pulverização e o tipo de bico utilizado.

Estudos com fins comparativos mostraram que os pulverizadores com assistência a ar na barra possuem eficiência superior aos convencionais. Em avaliações realizadas sob mesma velocidade, altura de plantas e volume do tanque, a deposição de gotas nas folhas de soja no sistema convencinal apresentou valores médios muito inferiores aos do sistema Vortex.

Outro dado importante refere-se ao aumento do número de horas que pode-se trabalhar em um dia. Dados de fabricantes indicam que o sistema pode auxiliar em aplicações em que o vento se tornaria impeditivo, ocasionando deriva em grande quantidade. Neste sentido, o sistema de pulverização assistida a ar é uma alternativa para minimizar perdas de produto fitossanitário por deriva, aumentar a cobertura da aplicação, principalmente nas camadas inferiores do dossel da cultura. Trabalhos vêm sendo conduzidos para medir a relação entre densidade vegetativa da cultura e sua relação real com aumentos escalonados de velocidade do vento junto à barra de pulverização para uma melhor aplicação.


Bruna Batistella, Camila Dalcin, Bruno Bisognin, Tiago Lopes, Alcionei Dallaporta, Vilnei Dias, Lamap/Unipampa Alegrete


Artigo publicado na edição 156 da Cultivar Máquinas. 

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