Soja safra 2009/2010: Morte de plantas de soja por fitóftora durante a germinação

Na semana entre 16 e 20 de novembro de 2009, a Embrapa Trigo, Passo Fundo/RS, recebeu várias amostras de plantas de soja na fase de emergência, apresentando apodrecimento do sistema radicular. Nestas lavouras, a germinação foi normal mas, após períodos de chuva, as plantas começaram a murchar e morrer, de forma localizada em áreas de solo mais úmido. Plantas aparentemente sadias mostravam a extremidade da raiz principal apodrecida, com consequente desenvolvimento de raízes superficiais.

Através de observações do tecido radicular em microscópio ótico, foram observadas estruturas do patógeno Phytophthora sojae, causador de tombamento e da podridão radicular de fitóftora.

Este patógeno é nativo do solo, e aumenta sua população através da exploração contínua de soja, sem intervalos de rotação. Após a constatação em uma lavoura, entretanto, a rotação de curta duração (com outra cultura de verão, como o milho, por exemplo) não apresenta bons resultados, pois o patógeno possui estruturas de resistência que permitem sua viabilidade por muitos anos.

Outra característica importante é a de que este patógeno necessita de água livre no solo para germinar e infectar as plantas de soja, que são suscetíveis desde antes da emergência até estádios reprodutivos, pós-florescimento. Assim, solos com problemas de compactação e de drenagem de água, são locais favoráveis ao desenvolvimento do problema.

A melhor forma de controle da doença é utilizar cultivares de soja com resistência genética. Existem cultivares com resistência completa, ou seja, estas cultivares não desenvolverão a doença para a raça de P. soja predominante na lavoura. Outra solução é usar cultivares com alta resistência parcial, que serão resistentes a todas as raças do patógeno, mas, neste caso, o uso de fungicida específico na semente (mefenoxam) é obrigatório.

Cabe ao técnico responsável pela lavoura a decisão de realizar replantios. É preciso considerar que as plantas aparentemente sadias, mas que desenvolveram raízes superficiais em função do apodrecimento da raiz principal, serão plantas mais débeis e sofrerão maiores consequências, em períodos de seca.

Em todos os casos, se a doença for constatada em uma lavoura, ou se a decisão for de replantio, recomendamos a troca de variedades. A reação à Podridão Radicular de Fitóftora (PRF) das cultivares de soja das entidades que participam da Reunião de Pesquisa de Soja da Região Sul, cuja última edição ocorreu em Porto Alegre, na UFRGS, em julho deste ano, pode ser consultada em http://www.rps.iss.im, nas páginas 115-116.

Leila Maria Costamilan
Pesquisadora da Embrapa Trigo
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