Superando obstáculos

Na condução de sua 4x4, certamente, você se deparará com subidas e descidas íngremes. Nesses casos, você deverá prestar muita atenção no terreno para evitar erros e correr o risco de acabar em acidentes.

Quando você chegar no início de um terreno com declive, inspecione a pé o que tem pela frente. Se o terreno estiver muito lamacento ou liso, com pedras soltas, grama ou areia, um simples escorregão fará o veículo deslizar com a possível perda de controle. Em uma descida íngreme, você deverá procurar algum ponto que sirva de apoio para os pneus como, por exemplo, uma vala ou até mesmo um facão pequeno que possa guiá-los morro abaixo.

Se não encontrar nada, é hora de cavar. Faça duas canaletas que possam guiar os pneus, pois isto ajudará o veículo a manter-se na direção desejada. Para esta manobra você vai usar as marchas reduzidas e o freio-motor, desta forma usará menos o sistema de freio e garantirá mais controle da direção. Mas a escolha de uma marcha extremamente reduzida pode provocar outro problema, que é o travamento das rodas, resultando no mesmo efeito de se frear com força e fazendo o veículo deslizar. Então, escolha a marcha que proporciona tração e controle como a primeira ou segunda, e em certos casos até a terceira reduzida. Posicione o veículo em linha reta com a descida e alinhe o volante.

Comece a descer e fique atento para o comportamento do veículo. Se começar a sair de lado, é sinal de que precisa de um pouco mais de velocidade. Isso pode acontecer devido a uma de duas alternativas: ou o peso da carga na caçamba está forçando a traseira para frente; ou o peso da dianteira é maior que o da traseira, o que faz com que os pneus traseiros percam o atrito com o terreno e deslizem, provocando a saída do veículo para o lado.

Então, acelere com pulsadas rápidas para recuperar o controle da direção. Se pisar no freio a coisa vai complicar, pois você poderá travar as rodas de trás, que poderão estar com pouco atrito, e elas vão escorregar forçando o veículo a atravessar de lado no trecho, podendo inclusive se inclinar perigosamente.

Em veículos com caixa automática, engate a primeira reduzida manual. Se ele ainda estiver mais acelerado do que o desejado, mantenha o pé esquerdo no freio e o direito no acelerador, procurando manter a tração e o controle de direção.

ABORDAGEM EM ACLIVES

Um utilitário fora de estrada deve abordar rampas de no mínimo 30º de inclinação, sem que vire para trás, ou que o motor “engasgue”, como pode eventualmente acontecer com motores a gasolina e carburador. Os modelos atuais sobem facilmente rampas de até 45º. Após analisar o trecho, verificando o tipo de piso e o que tem do outro lado, engate a tração 4x4, reduzida e o blocante. Você poderá usar desde a primeira até a terceira marcha, cada tipo de piso irá exigir uma tomada de decisão diferente.

O uso de uma marcha mais solta como a segunda ou terceira, lhe dará mais margem para redução, caso perca embalo e precise de mais potência durante a subida. Posicione o veículo em linha reta com o topo e o final da subida, inicie o deslocamento com um pouco de embalo. Mantenha o pé no acelerador e o motor em alta rotação, não use a embreagem. Se sentir que pode perder aderência, gire rapidamente o volante para a esquerda e direita e não tire o veículo da linha reta para o topo.

Jamais suba em ângulo com o final do percurso. Como já mencionado, se o veículo escorregar para o lado pode ficar difícil retomar o controle da direção. Mas suponha que você realmente faça tudo certo e o veículo resolva sair de lado, então, freie rapidamente, engate marcha à ré e solte os dois pedais recolocando o veículo em linha reta até o ponto de partida, não pise no pedal de embreagem. Se precisar segurar o veículo acione o freio de forma cadenciada imitando o ABS, não trave as rodas e deixe o motor ajudar a fazer o trabalho de frenagem.

Caso perceba que os pneus começam a deslizar sem tração, acelere para recuperar o controle da descida. Veículos com caixa automática podem não ter o freio motor suficiente, neste caso, freie com o pé esquerdo e acelere suavemente com o direito.

Uma vez embaixo, repita toda a operação até atingir o final do aclive. Faça tudo com moderação, prudência e calma.

Quando estiver próximo do ponto final da subida, diminua a velocidade até parar no topo. Não passe direto, pois pode haver uma grande descida ou uma curva fechada pela frente e novas providências devem ser tomadas. Fique atento ao concluir a subida, talvez você não encontre terreno suficiente para apoiar as quatro rodas e o veículo poderá se transformar em uma gangorra, ficando com sua parte central pendurada no topo do aclive.

Para abordagem de subidas íngrimes com rochas, o procedimento é um pouco diferente, já que a manobra vai exigir baixas velocidades e basicamente a primeira marcha reduzida e o blocante acionado. Você está agora em um terreno de grande atrito e não vai precisar de embalo para subir. Como o veículo vai chacolhar para todos os lados é fundamental que você mantenha a baixa velocidade, para manter os pneus o máximo possível em contato com o terreno. Aqui, também é importante o longo curso da suspensão, já que será exigida ao máximo.

João Roberto Gaiotto,
Dpaschoal & Goodyear

* Este artigo foi publicado na edição número 23 da revista Cultivar Máquinas, de agosto/setembro de 2003.

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