Tesourinhas: pequenas e de grande eficiência

A cultura do milho, um dos mais expressivos cereais cultivados no Brasil e no mundo, vem crescendo enormemente nos últimos anos em virtude do aumento da área plantada, referente às duas safras anuais, normal e safrinha. Porém, o ataque de pragas a plantação não permite que a produtividade brasileira alcance níveis mais satisfatórios.

Vários insetos-praga atacam a cultura do milho causando danos bem variáveis, e em muitos casos irreversíveis. Dentre esses insetos, a lagarta-do-cartucho do milho, Spodoptera frugiperda, destaca-se como um dos principais, causando prejuízos econômicos de enormes valores.

Atualmente, o controle químico é um dos métodos mais utilizado e de grande eficiência. Porém, o uso desse método vem sendo reduzido devido a resultados negativos sobre a fauna benéfica, o meio ambiente e a saúde humana, além de apresentar um alto custo.

Nos últimos anos, como alternativa ao uso indiscriminado de produtos químicos, o controle biológico vem ganhando espaço, em virtude de ser um método natural, seguro, permanente e econômico, e que vem contribuindo com o aumento da sustentabilidade dos agroecossistemas e com a preservação dos recursos naturais.

A tesourinha é um inimigo natural da S. frugiperda que vem se destacando nos últimos anos com resultados promissores. E que vem incentivando várias instituições de pesquisa a desenvolverem trabalhos para comprovar sua eficiência sobre esse inseto praga.

Conhecendo os dermápteros

Os dermápteros são insetos predadores conhecidos popularmente por tesourinhas, devido apresentarem pinças ou fórceps na região terminal que se assemelham a uma pinça, e que servem para identificação do sexo, pois, os machos apresentam o fórceps direito fortemente recurvado para dentro, enquanto que nas fêmeas estes são simétricos. Possuem um corpo alongado cujo tamanho varia de espécie para espécie, porém, apresentam uma coloração uniforme, variando entre preta, marrom escura ou clara, sendo que algumas espécies apresentam detalhes amarelados.

Apresentam uma distribuição cosmopolita, apesar de serem encontrados em maior quantidade nas regiões tropicais e subtropicais. São ovíparos, e durante seu desenvolvimento passam pelas fases de ovo, ninfa e adulto. São de hábitos noturnos e raramente possuem atividades diurnas. Os dermápteros possuem representantes fitófagos e predadores que apresentam uma alimentação bem diversificada, podendo se alimentar de pólen, polpa de frutas, como também de outros insetos, o que os caracterizam como ótimos predadores.

As tesourinhas apresentam um cortejo sexual, onde a fêmea copula com o macho e depois de alguns dias coloca a postura, cuja quantidade varia de 20 a 50 ovos. Esses ovos são incubados pela tesourinha fêmea que permanece em volta até alguns dias após o nascimento das ninfas, cuidado maternal típico que não é observado em muitos outros insetos.

Capacidade predatória

Os dermápteros, em virtude do seu comportamento generalista, vêm se destacando como importantes agentes de controle biológico, pois apresentam uma alta voracidade e uma alta capacidade de ataque sobre vários insetos-praga, principalmente de ovos e formas jovens.

Esses predadores já foram observados predando vários insetos-praga em diferentes culturas que merecem destaque: macieira (Pulgão: Aphis pomi De geer), Ervilha (Afídeo: Macrosiphum pisi Harris), Alfafa (Afídeo: Therioaphis maculata Buckton), Maçã (Afídeo: Eriosoma lanigerum Hausmann), Cana-de-açúcar (Broca: Diatraea saccharalis Fabricius), Citrus (Broca: Diaprepes abbreviatus Linné), Algodão (Bicudo: Anthonomus grandis Boheman; Lagarta: Spodoptera littoralis Boisduval), Sorgo (Pulgão: Schizaphis graminum Rondani), Milho (Lagarta: Spodoptera frugiperda Smith).

O hábito alimentar diversificado dos dermápteros, demonstra que esse predador apresenta potencial e possibilidade de uso em programas de controle biológico sobre as diferentes pragas presentes nas diversas culturas, em especial, S. frugiperda na cultura do milho, além de poder ser usado juntamente com outras medidas de controle. Dessa forma, incentiva a produção de uma cultura isenta de resíduos químicos e compatível com os propósitos do MIP.

Aldeni Barbosa da Silva
Biólogo Doutorando em Agronomia, CCA/UFPB, Areia, PB.
Contatos: silva.aldeni@ig.com.br

Jacinto de Luna Batista
Professor Adjunto do Departamento de Fitotecnia, CCA/UFPB, Areia, PB.
Contatos: jacinto@cca.ufpb.br ver mais artigos
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