Test Drive: MF 9030, primeiro pulverizador autopropelido produzido no Brasil pela Massey Ferguson

Mesmo com comercialização prevista apenas a partir da Agrishow 2011, a Massey Ferguson já está apresentando nas principais feiras do Brasil o novo pulverizador autopropelido, modelo MF 9030, produzido na unidade de Canoas (RS). O primeiro pulverizador autopropelido da marca no Brasil foi apresentado primeiramente para a rede de concessionários na última convenção nacional da MF em dezembro último.

A designação do modelo 9030 referese à série 90, e 30 pela sua capacidade de tanque, para três mil litros. Isto deixa aberto para que no futuro se possa ampliar a linha, seguindo esta designação e com outros números referindo-se a, principalmente, outras capacidades de tanque de produto. O projeto deste pulverizador iniciou em 2008, com os primeiros passos da fase de projeto e posteriormente de validação de componentes, e no final os testes de campo, que já somam muitas horas de uso, principalmente junto a clientes da marca. Foram em princípio, construídos seis protótipos que somam mais de 3.500 horas de testes, nas mais diferentes condições, entre as quais as culturas anuais do Rio Grande do Sul e do Paraná, a lavoura da cana-de-açúcar de São Paulo e o algodão e a soja do Mato Grosso. O lote piloto, posterior à fase de protótipos é de dez máquinas que representam uma prévia da linha de produção. Por uma política da empresa, as máquinas que servem aos testes não são vendidas, e depois de cumprirem um determinado número de horas no campo voltam à fábrica para as avaliações da equipe de projeto. No final ainda se utilizam clínicas, com a participação de diferentes setores da empresa, clientes e fornecedores, onde o projeto é avaliado sobre todos os aspectos.

O novo pulverizador utiliza um desenho de capô dianteiro igual ao da linha 7100 de tratores, recentemente lançada no mercado brasileiro e que acompanha uma tendência mundial da marca.O Motor AGCO Sisu Power 620DS tem 200cv e é o mesmo utilizado na colhedora MF 32. Pelo que se viu no teste sobra potência e, além disto, é econômico em consumo de combustível. Talvez exatamente por estar dimensionado com esta reserva apresente dados de consumo abaixo do que se espera de um pulverizador deste porte. O motor AGCO Sisu Power é B100, ou seja, pode utilizar 100% Biodiesel.

TRANSMISSÃO/CHASSI
A transmissão é do tipo hidro com três velocidades, com duas bombas hidráulicas e motores individuais de roda. A tração é 4x4 cruzada, isto é, os motores de rodas trabalham em “X”, onde, o dianteiro esquerdo traciona com o traseiro direito e o dianteiro direito com o traseiro esquerdo, o que possibilita um bom desempenho em terreno macio, úmido e em casos de ondulações do terreno onde a aderência costuma diminuir em uma das rodas.

O chassi é do tipo Flex-Frame (flexível), que se baseia em um chassi confeccionado em aço liga estrutural formado por vigas em formato C, não tubular com todos os seus componentes fixados de forma parafusada, sem uniões por solda. Esta característica proporciona uma melhor articulação, evitando trincas em seus componentes, aumentando, assim, a vida útil da máquina e diminuindo eventuais paradas para manutenção corretiva e por fim melhorando a
estabilidade da máquina durante o trabalho, principalmente em áreas com topografia mais acidentada. Tanto o eixo dianteiro como o traseiro são unidos ao chassi por bolsas de ar (bags), amortecedores e barras estabilizadoras, constituindo-se em uma suspensão pneumática ativa. Estes bags são controlados por válvulas individuais que mantêm a pressão ideal de trabalho independentemente do tipo de terreno. Um diferencial importante é a total proteção dos motores de roda, porém, de uma forma que facilita a remoção para a manutenção.

Com a transmissão que equipa este pulverizador é possível realizar aplicações a velocidades de até 30km/h, em 3ª marcha a uma rotação de 1.800 a 2.000rpm com praticamente a mesma potência para esta faixa de rotação. Outro ponto diferencial é que, neste modelo, os filtros do circuito de óleo do sistema hidráulico, ar e óleo do motor e combustível são aparentes para incentivar e facilitar a manutenção.

PULVERIZAÇÃO
Quanto ao depósito de calda, este tem capacidade para três mil litros, produzido em polietileno rotomoldado, com sistema de agitação hidráulica que possibilita uma boa autonomia, podendo-se trabalhar com vazões de 30 a 500 litros por hectare. A bomba de pulverização é do tipo centrífuga e possui sensor que o desliga automaticamente se a mesma estiver trabalhando em seco, o que evita danos à mesma. Também o tanque de produto pode ser limpo por um sistema de autolavagem, quando se troca de produto, e que utiliza para isto o depósito de água limpa.

Ainda do conjunto de recarga e mistura de produto (indutor químico), encontramos para mencionar uma boa iluminação do posto de reabastecimento de produto, que possibilita o trabalho de aplicação noturna. Vimos também que o bocal de abastecimento é standard de duas polegadas e de três polegadas para recarga de água ou calda pronta, dependendo do que se necessitar e do sistema utilizado pelo usuário. Outro item opcional deste equipamento é uma bomba de recarga de produto do tipo centrífuga de alta vazão, que facilita o abastecimento, em menor tempo, podendo incrementar a eficiência operacional do pulverizador.

BARRAS
A barra de pulverização pode ser de 24 ou 28 metros. Como estamos tratando de um equipamento que pode ser utilizado em agricultura de precisão, a barra é dividida na versão standard em cinco seções, uma no meio e duas para cada lado. Como opcional pode a mesma barra ser dividida em sete seções. Também é possível contar-se como opção um bico end row para o remate de final de barra.

Além disto, vimos e acompanhamos o desempenho durante os testes de campo dos estabilizadores, horizontal e vertical, compostos pela ação conjunta de uma mola e de um amortecedor para cada lado da barra. Surpreendeu-nos positivamente a possibilidade de regulagem da altura da barra ao solo que pode variar desde 0,55 a 1,95 metro. Como item opcional é disponibilizado pelo fabricante um sensor automático de altura de barra, que possibilita regular automaticamente e com visualização do operador, diretamente no painel de instrumentos. Também testamos durante a avaliação no campo o desarme automático presente na ponteira da barra que, ao encontrar um obstáculo, recua a ponteira da barra e, após cessado, o efeito do obstáculo faz retornar a ponteira da barra à posição original que estava anteriormente, evitando, assim, maiores danos à mesma.

Os pneus que equipavam o nosso equipamento de teste eram do tipo radial na medida 380/90R46 nas quatro rodas, mas há duas outras opções: 320/85R38 e o 18.4-26. O ajuste de bitola é automático, sem grande dificuldade de variação. Basta que se retire um pino “R” e se desloque a máquina em baixa velocidade, enquanto vai acionando o mecanismo de variação de dentro da cabine. Mesmo com um rodado com aro menor o vão livre continua com 1,5m devido à utilização de uma “canela” maior. O vão livre é dos maiores que pudemos encontrar nesta classe, pois chega a 1,5 metro na altura do eixo. Sobre os pneus há um para-lamas de material plástico, facilmente retirável, para manutenção.

Quanto à segurança, vimos que o equipamento atende integralmente à Norma Regulamentadora NBR 31, o que é um requisito importante de escolha entre esta classe de máquinas. Para o acesso ao posto de condução há uma escada, muito bem projetada em número e dimensões dos degraus, que é recolhida automaticamente durante o trabalho. Este recolhimento automático é feito toda a vez que se libera o freio de estacionamento ou é desligada a máquina. Para a manutenção há uma ampla área de plataforma lateral protegida de forma a impedir a queda do operador.

A cabine, bem dimensionada, com amplo espaço de movimentação, é dotada de uma grande visibilidade da área de trabalho e com filtragem do ar por carvão ativado. Desde o posto de condução pode-se ter acesso visual à frente, às laterais, principalmente a toda extensão da barra e também à parte traseira da máquina. Avaliamos como interessante a disponibilidade de porta-objetos que muito servem para colocação de material dos operadores.

Também é item de série um bom anteparo contra o sol frontal e um limpador de para-brisas com esguicho de água. Para o operador uma grande vantagem é a iluminação noturna, que tem um conjunto de faróis frontais na cabine e no capô dianteiro, na traseira da máquina e nas barras de um e outro lado, além das teclas dos comandos que também são iluminadas.

O equipamento pode vir na versão com sistema de barra de luzes para apoio à direção ou piloto automático hidráulico, que está disponível para aqueles que querem se inserir diretamente nas tecnologias de agricultura de precisão. Durante o nosso teste, tivemos ocasião de verificar a facilidade de, nas manobras, encontrar a próxima linha de tiro da máquina, apenas acompanhando pelo visor do controlador de pulverização. O fechamento automático de seções de barra é standard neste equipamento, favorecendo a qualidade da aplicação, pois impede uma nova aplicação de produto onde já havia sido empregado antes, principalmente em áreas mais irregulares. Neste sentido, durante os testes vimos que a resolução de tela poderia ser melhorada no controlador de pulverização, equiparando-o ao controlador das funções da máquina que possui boa resolução e que controla todo o restante
do equipamento. No painel propriamente dito há apenas um instrumento que é um manômetro analógico, que também, assim como o controlador de pulverização, mostra a pressão de trabalho, ou seja, mostra a pressão de aplicação. Como elementos para facilitar o trabalho diário do operador, constatamos a presença de uma caixa de ferramentas, em ótima posição.

TESTE
O local escolhido para os testes foi a Fazenda Cedro I, no município de Lucas do Rio Verde, no estado do Mato Grosso. A fazenda tem mais de 4.100 hectares alternando soja e algodão. Depois de uma manhã com muita chuva partimos para uma tarde ensolarada de testes com a máquina. Com a ajuda do operador, funcionário da fazenda e do engenheiro Vitor Kaminski, da AGCO do Brasil, fomos até uma parcela de algodão fazer aplicação com uma taxa de 100 litros por hectare e a uma velocidade aproximada de 30km/h.

Confesso que mesmo depois de mais de 25 anos trabalhando na área de máquinas e de ter operado os mais diferentes equipamentos, por força da profissão, nunca tínhamos andado a esta velocidade dentro da lavoura, e o que é mais difícil, com a cultura implantada com espaçamento entre linhas de 90 centímetros. Acho que não nos saímos mal. O sistema de direção com assistência hidráulica é bastante sensível e obediente. As próprias referências do novo capô do MF servem para a manutenção da direção e a excelente visibilidade não deixa oportunidades para muitos erros.

As manobras se tornam fáceis com o sistema de direção e o apoio do painel de aplicação. Recolocar-se na nova trajetória é uma operação bastante fácil. Além do que, o comando central, tipo joystick, é de rápida resposta e nele estão situados quase todos os comandos que devem ser acionados ao final e ao início do talhão.

Nossa avaliação foi extremamente positiva sobre o equipamento, em comparação com os demais da sua classe. Acreditamos que o pulverizador MF 9030 traz para umagama mais econômica, alguns itens que somente são oferecidos em gamas mais altas e evidentemente mais caras. Talvez esta seja a vantagem da empresa já possuir uma vasta experiência de campo, com outra linha de pulverizadores, o RoGator, que proporcionou a toda a equipe de engenharia e marketing da empresa, partir de um patamar elevado, resolvendo na fase de projeto alguns requisitos para o mercado brasileiro, pelas suas peculiaridades, entregando ao produtor rural um equipamento mais adaptado às lavouras do Brasil e da América do Sul.

Outro aspecto testado foi a capacidade do equipamento passar obstáculos na lavoura e que apresentam-se como terraços, drenos, cabeceiras de lavoura etc. Dirigimo-nos até uma destas situações e passando com o pulverizador verificamos a capacidade em manter as barras no plano paralelo ao terreno e nenhuma das rodas perder contato com o solo, graças ao chassi Flex-frame. Neste caso, em função do comprimento das barras e a elevada velocidade de aplicação, é um importante item de decisão ao comprador.

Outro opcional importante que pode acompanhar o MF 9030 é o sistema de telemetria AGCOMMAND, que ajuda no gerenciamento da frota, disponibilizando informações sobre o equipamento em tempo real a uma central, que pode estar localizada na sede da fazenda.

Enfim, um prazer realizar este teste, com um equipamento que pode trazer ao agricultor a união entre tecnologia e robustez com o máximo de economia.

Este artigo foi publicado na edição número 104 da Revista Cultivar Máquinas, de fevereiro de 2011. ver mais artigos

Jose Fernando Schlosser

charles.ricardo@grupocultivar.com

Nema/UFSM

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