Test Drive Plataforma Flexer XS 50 da GTS

Construída com materiais mais leves, a plataforma Flexer XS 50 da GTS testada pela Cultivar Máquinas  surpreende pelo seu projeto limpo e eficiência dos seus sistemas de corte, copiamento do solo e transporte do produto para a colhedora

O objetivo do nosso teste de campo para a edição da Cultivar Máquinas deste mês foi avaliar a plataforma de colheita marca GTS, modelo XS 50. O local de teste, a Fazenda Santa Maria, em Rondonópolis (MT), não poderia ser melhor escolhido. Uma fazenda modelo, em uma região muito importante para o agronegócio brasileiro, cliente parceiro da empresa fabricante e que possui outros produtos da marca.

As plataformas GTS impressionam inicialmente pela sua constituição, pois são fabricadas com muita qualidade no processo industrial e a série Flexer XS, em especial pelo uso predominante de alumínio e aços especiais de alta resistência, que qualifica muito o equipamento e torna a plataforma muito mais leve e livre de corrosão. As informações do fabricante dão conta de que o peso da plataforma GTS chega a ser 1.200kg mais leve que as similares, fabricadas pelas marcas comerciais de colhedoras de grãos.


A empresa fabrica, entre outros produtos para a agricultura, as plataformas de corte para grãos em geral e as específicas para milho. Para colheita de Grãos há duas séries: Flexer XP e Flexer XS, as duas para com o sistema draper. A Flexer XP é a série de entrada com modelos 25, 30 e 35 pés, e a série XS tem sete modelos fabricados com estrutura em alumínio que vão de 25 a 62 pés. A última é a maior plataforma em oferta no País e no mundo. Da série XS testamos o modelo XS 50. Um detalhe, a empresa costuma informar a dimensão da largura representada pela barra de corte, consequentemente a dimensão total da plataforma é maior em cerca de 2 pés.

Para uma empresa fabricante de plataformas de colheita produzir e comercializar um equipamento complexo e com alta tecnologia como este, sem ser o montador da máquina colhedora é necessário prever compatibilidade com os produtos de diversos fabricantes. Notamos que a GTS tem particular atenção neste sentido. Foram preparadas informações detalhadas sobre compatibilidade, que atualmente é prevista totalmente para as colhedoras mais recentes das marcas Case IH, Claas, Fendt, John Deere, Massey Ferguson, New Holland e Valtra. As plataformas da série Flexer XS e XP da GTS, com dimensões que vão de 25 a 50 pés, são compatíveis com 68 modelos de colhedoras destas diferentes marcas.

Além disso, a plataforma Flexer XS 50 que testamos têm diversas inovações, que inclusive superam em avanço tecnológico as plataformas originais das marcas comerciais produzidas e comercializadas no País. Ela apresenta várias soluções inovadoras que vamos descrever a vocês neste texto. Também algumas soluções tradicionais foram incrementadas, como a disposição de pinos e a embreagem do tipo catraca, que agem como fusíveis para evitar quebras de componentes.

A Flexer XS 50 é fabricada em alumínio e aços especiais

Os diferenciais do projeto da GTS iniciam com o acionamento mecânico por árvore cardânica, ao invés do conexão hidráulica. Esta alternativa tem razão na diminuição da necessidade de manutenção e na necessária compatibilidade que um produto requer para ser adotado e utilizado por diferentes fabricantes. A plataforma GTS também não utiliza correias, o que dispensa um item frequente de manutenção e fonte de problemas. Por sinal, a compatibilidade só encontra dificuldades nos sistemas eletrônicos, pois mecanicamente é possível utilizar a plataforma GTS em todas as máquinas do mercado. Uma particularidade mencionada pelos técnicos se refere aos sistemas elétricos é que as colhedoras trabalham com tensão de 12 volts e que os sensores da plataforma trabalham com tensão próxima aos 5 volts, o que requer este trabalho de compatibilização que a empresa faz.

Ainda na questão de compatibilização da plataforma GTS com os diversos modelos e marcas de colhedoras do mercado, principalmente nas de grande dimensão, acima dos 45 pés, é necessário colocar um prolongamento do tubo de descarga, para manter a dimensão operacional das colhedoras com as plataformas de grandes larguras.

Barras de corte

Devido à colocação e disposição das navalhas o movimento é mais suave e deixando a barra mais estável

Como a ideia é produzir um equipamento de qualidade, que possa concorrer e ser escolhido por usuários de máquinas das melhores marcas do mercado, a barra de corte escolhida para o projeto foi o sistema EasyCut da reconhecida marca Schumacher. O sistema Schumacher, embora simples, é bastante preciso, com a colocação das navalhas de forma alternada, uma para cima e outra para baixo, assim como os roletes, dotados de rolamentos, que também são posicionados de forma alternada, com o encosto ora para cima, ora para baixo, auxiliando na estabilização da barra. Este produto, utilizado por vários fabricantes mundiais, comprovadamente proporciona um corte mais baixo, assim como exige menos esforço para sua movimentação e, portanto, reduzindo o consumo de energia, a vibração e o ruído. 

A regulagem do ângulo de ataque é feita hidraulicamente  do posto do condutor e pelas posições disponíveis é possível que a barra possa flutuar até 200mm para se adaptar as irregularidades do terreno pelo comando dos skidders, de tecnil, colocados na parte debaixo da plataforma. 
Outro diferencial das plataformas flexer são o sistema de molas springflex que atuam juntamente com os sensores proporcionando um excelente copiamento do solo. A tensão das molas pode ser ajustada conforme a necessidade.

Esteiras concentradoras

Esteiras concentradoras de borracha transportam o produto de forma suave

Como é padrão nas plataformas tipo draper, existe uma esteira central e duas laterais, acionadas pela caixa de transmissão regulável.  É possível variar mecanicamente a velocidade linear das esteiras através da caixa de transmissão colocada na lateral da plataforma. São três velocidades, com uma variação de aproximadamente 15% entre as posições de baixa, média e alta. Para a proteção do sistema de alimentação o projeto contempla uma embreagem, que dispara quando a tensão da esteira chega a um limite predeterminado, protegendo-a contra rompimentos. O caracol central é convencional, com dedos recolhedores e está posicionado atrás da esteira central.

Na parte frontal das esteiras existe um sistema de vedação que inibe o acúmulo de palha e terra nas esteiras o que reduz a necessidade de manutenção diária.

Molinete

O molinete é dividido em 3 seções

A plataforma GTS apresenta um molinete de forma hexagonal, dividido em três seções e construído em aço especial de alta resistência.  Também a posição do conjunto pode ser ajustada em altura e avanço em relação à barra de corte e na rotação, que deve ser proporcional à velocidade de avanço da máquina. O molinete central deve estar posicionado para trás, para ajudar a encaminhar o produto para a garganta da máquina, enquanto que os dois laterais um pouco à frente auxiliam a trazer a massa de palha e grãos para as esteiras laterais. 

Nas extremidades dos vértices do molinete há um pente denominado flip over, com possibilidade de regulagem dos dedos recolhedores do molinete em sete posições. As posições mais avançadas, ou seja, para frente, alimentam melhor o produto e o coloca mais facilmente sobre a esteira, mas quando exageradas, enrolam mais facilmente a massa de palha e as hastes das plantas colhidas. Nas posições mais recuadas a apreensão diminui e reduz a capacidade de alimentação.

Teste de Campo

Para o teste da Plataforma GTS XS 50 foi oferecido o acoplamento desta a uma máquina colhedora marca New Holland, modelo CR 10.90, equipada com esteiras de tração, embora outras máquinas pudessem ter sido escolhidas, pela compatibilidade que a GTS proporciona com as outras marcas disponíveis na propriedade.

Com o apoio do operador Fábio Huggler Enz, paulista de Piraju, pudemos passar grande parte da jornada analisando o comportamento operacional a uma velocidade de colheita que variava entre 6,5km/h e 7km/h. A carga do motor oscilava entre 55% e 65%, o rotor central estava programado para girar a 1.000rpm e o ventilador a 840rpm, com isto a capacidade de produção operacional era de 33 toneladas por hora. 

Durante o processo, as perdas de plataforma e de retrilha eram mínimas e apresentadas assim no painel da máquina. Confirmamos estas perdas insignificantes recolhendo grãos após a passagem da máquina. De um total limite estimado de 22 grãos para uma perda total estimada em 0,8%, obtivemos contagens de 12 a 14 grãos por metro quadrado, o que significava perdas totais em torno de 0,5%. Não medidas especificamente as perdas de plataforma em função da pressa em executar a operação e aproveitar os momentos prévios à chuva que se aproximava, mas eram mínimas.

Durante o test drive, acompanhamos uma colhedora com plataforma Flexer XS 50

Um ponto muito positivo que marcou durante a operação da plataforma GTS é o excelente campo de visão à frente do operador, principalmente devido aos suportes do molinete não serem centrais e sim nos limites de cada uma das seções.

O sistema adotado para a colheita dos talhões com plataformas convencionais de 45 pés, que equipavam as demais máquinas da frente de colheita, compreendia um comprimento fixo de trajeto, suficiente para o enchimento dos depósitos ao final das cabeceiras. No entanto, esta distância não era compatível com a quantidade de grãos que eram colhidos pela enorme plataforma de 50 pés, fazendo com que uma carreta graneleira tivesse que acompanhar a máquina e receber o produto dentro da lavoura. 

A frente de colheita era formada por sete colhedoras marca John Deere, modelo S780, com plataformas de 45 pés e cinco máquinas colhedoras marca New Holland, modelo CR 8.90, com a plataforma GTS de 40 pés, uma modelo 6080, outra modelo 8090 e outra modelo 9080, com plataformas de 45 pés. Havia mais uma máquina New Holland, modelo CR 6080, fazendo arremates em auxílio à frente de colheita.

Tivemos o auxílio e acompanhamento no trabalho do senhor Ivan Figueiredo, que é responsável de campo e faz a organização da atividade prática que envolve a mecanização. Representando a GTS e nos auxiliando no reconhecimento da plataforma estavam o representante comercial da GTS no estado do Mato Grosso, Josenaldo Acácio, e o mecânico e responsável pelas entregas técnicas e treinamento dos clientes, Elton Oro.

Teste na Fazenda Santa Maria

O local dos nossos testes foi em parcelas de soja da Fazenda Santa Maria, município de Rondonópolis, no estado do Mato Grosso. A Fazenda, de sete mil hectares de área de soja, é de propriedade do produtor Elói Vitório Marchett, que produz em outras áreas, totalizando aproximadamente 55 mil hectares de plantio. Destes sete mil hectares de soja, aproximadamente seis mil hectares na sequência serão plantados com milho safrinha, sobre as cultivares de soja precoce em plantio direto. 

Por ocasião do teste vimos que recém havia se iniciado a colheita da soja, em uma porcentagem de 15%, e o milho também estava sendo plantado na mesma proporção, pois as frentes de colheita vão ocorrendo e imediatamente vai sendo colocado o milho com semeadoras que chegam a 61 linhas.

O senhor Ayrton Bresolin, que é o administrador das fazendas, nos explicou que somente na Santa Maria são empregadas 80 pessoas entre o pessoal que trabalha com máquinas, auxiliares e nas atividades de beneficiamento de grãos. Ele elogiou o espírito empreendedor do senhor Elói, que sendo natural de Caxias do Sul, chegou ao Mato Grosso e formou as empresas que hoje são exemplo para a região. Atualmente a Fazenda possui 13 colhedoras e 23 tratores e uma infinidade de outras máquinas, muitas delas que sofreram adaptações e desenvolvimento de produto à base de ideias do produtor. Ele mencionou que a Fazenda tem diversas parcerias com empresas para o desenvolvimento de novos produtos e não é incomum o senhor Elói desenvolver seus próprios projetos e ideias.

A plataforma Flexer XS 50  se somou à outras duas da série XS de 40 pés que já estava sendo utilizada. Os operadores nos informaram que a manutenção das plataformas diminuiu muito em relação ao que eles estavam acostumados.

O test drive foi realizado na Fazenda Santa Maria em Rondonópolis (MT)

Uma das maiores dificuldades neste e em outros anos é que a região apresentou regime de chuvas menor que os históricos 1.800mm por ano, encurtando as janelas de semeadura e, portanto, as de colheita, fazendo com que as máquinas tenham que trabalhar com mais intensidade e eficiência. Neste ano, por exemplo, a janela de colheita, que normalmente é de 20 dias, encurtou para 15 dias efetivos. Anualmente, as máquinas de colheita trabalham em média 500 horas e é um costume da empresa fazer a substituição precoce destas máquinas, recolocando-as no mercado de máquinas usadas, com vantagem para o comprador, pelo alto grau de manutenção e a confiabilidade das máquinas. 

Verificamos que a organização das máquinas na frente de colheita é bastante grande, com ordem de entrada programada, trajetos de ida e de vinda predeterminados e posicionamento dos caminhões nas extremidades dos talhões, de forma a evitar a entrada destes veículos e de carretas transportadoras na área, para impedir a compactação. Também há formas de controle do tráfego na área com máquinas grandes e com larguras proporcionais.

GTS do Brasil

Abertura da colheita da soja no Piauí, com 20 colheitadeiras utilizando plataformas GTS

A GTS do Brasil é um fabricante nacional de implementos agrícolas fundada no ano 2000 e estabelecida desde 2005 na cidade de Lages, estado de Santa Catarina. 

A sua linha de produtos envolve diversos modelos de plataformas para a colheita de grãos e as especiais para milho. Também produz carretas graneleiras, escarificadores e subsoladores, plainas agrícolas, semeadoras-adubadoras, acondicionadores de superfície de solo e distribuidores de fertilizantes. 

Durante a transição de espaçamentos de um metro entre linhas para os reduzidos no sistema atual de plantio de milho, a empresa foi inovadora no projeto e construção de plataformas para a colheita de milho com espaçamentos menores.

Atualmente o mercado reconhece a qualidade implementada a partir do projeto e colocação no mercado das plataformas construídas em alumínio, que são fornecidas pela GTS para as melhores marcas nacionais.

62 pés – A maior plataforma do mundo

Diretor presidente da GTS, Assis Strasser, junto à maior plataforma do mundo, de 62 pés de largura

Durante o mês de Março, na Fazenda Ribeirão, do Grupo Risa, no município de Baixa Grande do Ribeiro, no Sul do Piauí, foi organizado um evento multiempresarial e com presença do poder púbico local e regional, para comemorar o início da colheita da soja no estado do Piauí. Esta Fazenda, que possui 20.500 hectares, faz parte do Grupo, que produz ao redor de 70 mil hectares no estado. 

O Grupo Risa, estabelecido na região desde 1982, foi pioneiro na produção de grãos na localidade e é uma importante empresa no ramo de produção agrícola e de insumos, assim como na atividade de beneficiamento de grãos.

Para o evento no Piauí foram disponibilizadas 20 colhedoras, sendo 12 equipadas com plataformas da GTS com 45 pés de largura de corte e uma de 62 pés, projetada e construída especialmente para o Grupo Risa e que entra agora em comercialização pela GTS, tornando-se a maior plataforma produzida no mundo. Até 2015 as maiores plataformas apresentavam ao redor de 55 pés de largura e no final da década começaram a ser produzidas plataformas com 60 pés ou pouco mais de 18 metros, sendo então consideradas as maiores plataformas de colheita. Evidentemente que as plataformas desta dimensão são recomendadas para as maiores colhedoras do mercado, da classe X. 

Atualmente há registro de fabricantes que trabalham sobre os 60 pés e o projeto da GTS se apresenta como a plataforma comercial com a maior dimensão, principalmente considerando-se que a medida da empresa é feita pela barra de corte e não pela largura total. Esta plataforma é um projeto semelhante ao do modelo de 50 pés, que testamos, tendo a mesma barra de corte e o molinete dividido em três seções.

Outros tamanhos e modelos de plataformas podem ser encontrados neste link.

José Fernando Schlosser,
Laboratório de Agrotecnologia 
Núcleo de Ensaios de Máquinas Agrícolas - UFSM


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