Test Drive Trator LS G40 no mapeamento de solo

Utilizado em conjunto com sensor de condutividade elétrica de solo, o trator LS G40 tornou-se um aliado importante da Prisma Inteligência Agronômica na geração de dados que tornam ainda mais assertivas as decisões cruciais na Agricultura de Precisão

Neste mês, o destino da equipe da Cultivar Máquinas foi a região de Rio Verde, Sudoeste de Goiás, para conhecer uma aplicação especial do trator LS, modelo G40. Lá pudemos ver este pequeno notável perfeitamente entrosado na aplicação de técnica de mapeamento para diagnóstico em Agricultura de Precisão, feita pela Prisma Inteligência Agronômica. 

Como tem sido frequente nos nossos testes recentes, a avaliação de campo com tratores tem sido contextualizada com operações importantes e de aplicação significativa e, às vezes, até tão interessantes como a própria máquina do teste. Nesta oportunidade, encontramos o trator LS G40 trabalhando na Agricultura de Precisão, deslocando um sensor de condutividade elétrica, de origem canadense, da empresa Prisma Inteligência Agronômica, que é cliente LS.

Trator LS G40

O modelo G40 da LS que testamos é um trator de pequeno porte, com tração dianteira auxiliar que apresenta configurações muito parecidas com os modelos de maior tamanho disponíveis no mercado.


O motor que o equipa é da marca LS, modelo L3AL – Tier 3 com três cilindros, volume deslocado de 2.003cm3, com aspiração natural e injeção mecânica de combustível por bomba injetora rotativa, que proporciona 40cv de potência a 2.600rpm, segundo o critério de medição da Norma ABNT NBR ISO 14396. O torque máximo é de 114Nm e ocorre na rotação de 1.800rpm.

A transmissão de potência deste modelo é do tipo Synchro Shuttle, com 12 velocidades à frente e 12 à ré, com inversor sincronizado, que é destaque na sua categoria. A alavanca de reversão está colocada no painel de instrumentos, à esquerda do volante.

O arranjo mecânico da transmissão é formado por três grupos e quatro velocidades, com troca de velocidades de forma sincronizada, com uma gama de velocidades que vai de 1,3km/h a 24,6km/h à frente. As alavancas de troca de marchas e dos grupos estão posicionadas nas laterais, com a alavanca de troca de velocidade à frente e atrás a de mudança de regime.

A tomada de potência (TDP) é independente, com velocidade padronizada de 540rpm, a uma rotação do motor de 2.509rpm. O acionamento eletro-hidráulico da TDP é destaque nesta categoria, quando os demais concorrentes utilizam alavanca.

O sistema hidráulico de três pontos é da categoria I e apresenta controle de posição e profundidade de trabalho. A pressão máxima do sistema é de 200kgf/cm2 e a vazão máxima da bomba é de 47 litros por minuto. Medida no olhal, a capacidade máxima do levante é de 820kgf. Como item standard, apresenta uma válvula de controle remoto (VCR), composta de um terminal de entrada e outro de saída do óleo, para acionamento de equipamentos acoplados.

Operando em velocidades de 18km/h a 20km/h, o G40 possibilita realizar mapeamento de até 350 hectares por dia

Há duas configurações disponíveis de pneus para este modelo, a standard com pneus dianteiros da medida 8.00x16 e os traseiros 12.4-24 R1. No entanto, há uma opção com os pneus dianteiros 6.00x14 e os traseiros 9.50x24 R1, para situações específicas. Com os pneus standard, o trator apresenta comprimento total de 3.316mm, altura total de 1.083mm e largura total de 2.286mm. A distância entre eixos é de 1.674mm e o vão livre de 300mm. O peso total é de 1.865kgf, sendo que com esta condição a relação peso/potência é de 46,6kgf/cv. Para atender uma boa autonomia de trabalho diário o depósito de combustível comporta 28 litros de Diesel.

Uma menção importante e a ser destacada deste modelo é o eixo dianteiro motriz, que é blindado, com acionamento sem cruzetas, uma alternativa tradicional da marca LS, que aposta na redução do raio de giro e na diminuição das operações de manutenção, além da melhor vedação do sistema.

O posto do operador é do tipo plataformado, sem as incômodas alavancas entre as pernas, com superfície do piso antiderrapante e com regulagem da posição, tanto do assento, como do volante. O fabricante dotou este posto aberto com um arco de segurança de dois pontos, rebatível, onde pode ser montado um teto de proteção ao sol e à chuva.

O teste drive do conjunto G40 e sensor de condutividade elétrica foi realizado no município de Rio Verde, Goiás

O capô dianteiro, que cobre o motor e seus acessórios, é rebatível e proporciona acesso aos vários componentes que necessitam de manutenção, tornando a operação mais fácil e rápida.
Embora não estivesse presente no trator de teste, o fabricante oferece dois componentes como itens opcionais, que são: o sistema LS de proteção do motor e o de telemetria. No primeiro, os sensores de pressão do óleo e temperatura do líquido de arrefecimento se comunicam com um módulo eletrônico, que além de avisar o operador por um pequeno painel de luzes e um sinal sonoro, pode desligar o motor, em caso de irregularidade na pressão e na temperatura. Tudo pode ser configurado e controlado por um scanner ou notebook. O segundo opcional, digno de menção, é o sistema de telemetria, que é fruto de uma parceria da LS com a empresa de origem Argentina Colven e que serve para fazer o monitoramento e o registro on-line da operação e das condições da máquina. Já há vários sistemas entregues em diferentes modelos de tratores da LS e inclusive já fizemos teste com estes sistemas em outra edição da Revista Cultivar.

O sensor de condutividade elétrica

O equipamento acoplado ao trator LS G40, utilizado no test drive, é um sensor canadense de condutividade elétrica. A condutividade elétrica é um parâmetro que tem sido utilizado recentemente em Agricultura de Precisão no nosso país. O parâmetro indica a capacidade de um material em conduzir a corrente elétrica no meio onde ela é aplicada. No caso, o meio é o solo que se deseja analisar. Nos solos, que são formados por partículas minerais e orgânicas, além de água e ar, a condução desta corrente elétrica se dá pelos seus componentes.

O sensor de condutividade elétrica, produzido no Canadá, determina até 12 atributos relacionados à condutividade elétrica aparente do solo

Esta prática se iniciou nos Estados Unidos, com equipamentos de contato direto, em que partes metálicas entravam em contato com o solo, criando um campo magnético. Embora este sistema ainda seja utilizado e disponível, inclusive comercialmente no país, o sensor que estava aplicado no trator LS é de indução eletromagnética, que é composto por duas bobinas, que emitem corrente elétrica sem entrar em contato com o solo, coletando as informações. Especificamente, neste tipo de equipamento se utilizam duas bobinas, sendo que uma emite a energia e a outra recebe o retorno da excitação provocada ao solo.

Com este equipamento em ação, se pode conseguir um mapa de condutividade elétrica, que pode ser correlacionado com os fatores com os quais a condutividade depende, que são, de maneira geral, o conteúdo de água no solo, a sua composição mineral e a condição estrutural do solo, principalmente. Este sensor tem sido utilizado pela empresa Prisma Inteligência Agronômica, de Rio Verde, Goiás, acoplado a um trator LS G40. Atualmente, a empresa está utilizando o primeiro, que testamos, e o segundo sensor será acoplado a um trator que foi adquirido recentemente.

A Prisma já adquiriu o segundo trator G40 que também irá trabalhar com sensor de condutividade elétrica

Este sensor tem sido utilizado há um ano e meio para a determinação de 12 atributos de solo, relacionados à condutividade elétrica aparente do solo, indicando valores de medição de condutividade subsuperficial e suscetibilidade magnética para caracterização do perfil do solo, em profundidades de 0,5m e 1m, registrando dados de elevação, condutividade a 0,5m e a 1m e suscetibilidade a 0,5m e a 1m. Além do sensor, o equipamento se constitui de um chicote (cabo de dados), uma controladora (modem e HD), um monitor (interface) e a antena GPS RTK.
A alternativa que gerou esta utilização surgiu da dificuldade de qualidade de amostragem in situ de grandes áreas, onde os problemas de custo, no caso das grades menores, e da imprecisão, no caso das grades com menor resolução, pelo espaçamento dos pontos.

Tivemos a oportunidade de conhecer tanto o trabalho de coleta dos dados, como o processamento da informação, na sede da Prisma, que depois de interpretada se transforma em conhecimento, que será repassado ao produtor.

Operação

Durante o teste de campo que ocorreu na Fazenda 2P, do cliente Antonio Pimenta Martins, na localidade São Tomás, em Rio Verde (GO), próxima à estrada de ferro, o trator LS G40 tinha que se deslocar no campo a uma velocidade aproximada de 18km/h a 20km/h sustentando o equipamento, no sistema hidráulico de três pontos, que fazia a leitura do parâmetro.
Um monitor do GPS colocado à frente do painel ia dando orientação para o operador seguir a linha previamente configurada para a amostragem.  

Durante a operação, os integrantes da Prisma nos comentaram que desde o começo da operação diversos veículos foram utilizados, antes que se chegasse a esta alternativa, do trator, que se mostrou a mais viável. Foram usados veículos off road, como Troller, e UTV (Utility Task Vehicle), como o Polaris, mas a alternativa do trator de pequeno porte da LS foi a melhor. A questão de custo operacional, resistência mecânica, praticidade de operação e de engate, além da melhor relação custo/benefício, visto que o custo de aquisição das alternativas foi o mesmo, mas o trator é mais econômico.

Depois de vários testes, a empresa chegou a um sistema bastante comprovado para a operação. A equipe já sabe que para uma boa avaliação dos solos é necessário que o perfil seja maior que 0,5m e 1m e que a distância entre passadas seja de 12 metros, para as áreas menores que 30 hectares, e de 24,4 metros, para as áreas de mais de 30 hectares. Utilizando esta configuração e velocidade indicada, é possível mapear até 350 hectares por dia, com uma capacidade operacional de 40 hectares por hora, registrando a informação, que depois seguirá de forma digital até o escritório da empresa para a interpretação.

Por sinal, a velocidade de trabalho de 18km/h a 20km/h não é limitante para o equipamento em termos de aquisição, mas se utiliza este limite em função da frequência de aquisição. Durante os testes, o trator LS G40 estava trabalhando em 4ª marcha, a uma rotação de 2.200rpm, desenvolvendo velocidades reais entre 17km/h e 18km/h.

Neste período, apenas com um sensor em utilização já foram mapeados 14 mil hectares na região. Com a aquisição do segundo trator LS G40 e ampliação da jornada de trabalho, pelo treinamento de novos operadores, a empresa espera multiplicar muito a sua capacidade de atendimento.

Prisma Inteligência Agronômica

Conhecemos a atividade da Prisma Inteligência Agronômica, que tem sede em Rio Verde e que trabalha com consultoria e planejamento agronômico. A empresa adota um trabalho em quatro pilares: o operacional, o químico, o físico e o biológico. Todo o trabalho de consultoria se baseia em uma análise conjunta e integrada.

Além do sensor de condutividade, o trator está equipado com piloto automático e monitores para coleta de dados

Fomos recebidos pelos sócios da empresa, o CEO fundador, Leonardo Ferreira; o diretor administrativo, Lucas Rozas, e o coordenador de marketing produto da LS Tractor, Joaquim Ferreira. Além de nos contarem da filosofia e do modo de trabalho com os produtores, nos mostraram a estrutura física atual, a expansão e os equipamentos disponíveis.

A Prisma Inteligência Agronômica iniciou suas atividades em 2019, após o engenheiro Leonardo sair de um emprego estável em uma cooperativa da região. Com o aporte econômico do Grupo RS Construções, um grupo investidor de Vinhedos, SP, a experiência recebida de uma startup norte-americana e a entrada do sócio Lucas, a ideia inicial cresceu e transformou-se em uma das empresas de consultoria do agronegócio mais sólidas da região.

Neste período, foram adquiridos equipamentos, como sensores de condutividade elétrica, aeronaves tipo Vant (Veículo Aéreo Não Tripulado), com câmeras multiespectrais, drone com câmera termal, medidores de resistência à penetração do solo (penetrômetros), antenas GPS RTK e sondas de amostragem, utilizadas para a obtenção de dados e montadas em um sistema de processamento de dados, que dá suporte ao tratamento e à interpretação dos dados.

Durante as intervenções nas áreas dos clientes, os técnicos de campo tomam informação e classificam os ambientes da propriedade entre as classes de A e E, com as classes melhores sendo aquelas que podem proporcionar as maiores produtividades e rentabilidades e as mais próximas de E aquelas que necessitam de maior atenção, para se manterem produtivas. O engenheiro Leonardo explicou que, passar da classe E para a C, por exemplo, é muito difícil, mas para passar de A para C é muito fácil, basta que o produtor não dê atenção aos sinais que o solo e a cultura dão.

Além disso, recentemente a Prisma tornou-se um concessionário da Precision Planting, possuindo formação e equipamento de diagnóstico para diferentes marcas que adotam os componentes da Precision Planting em seus produtos.

Além da consultoria de diagnóstico, a Prisma possui uma área de treinamento de operadores, a Academy, que treina pessoas encarregadas de operar máquinas como as colhedoras de grãos, no sentido de minimizar as perdas de colheita, distribuir bem a palha no plantio direto e realização dos mapas de colheita, que é ferramenta importante como uma auditoria de saída da propriedade. Nos mapas, a análise das zonas de alta produtividade indica aqueles locais onde houve maior extração de nutrientes e, portanto, deve ter mais atenção na fertilização. A base da análise da Prisma começa por tentar conhecer o DNA do solo, que será o alicerce para as demais análises. Isto inicia por conhecer a condutividade elétrica das camadas do solo na área do produtor rural. Desta forma, o serviço atualmente oferecido é de acordo com a necessidade do produtor e o serviço é de consultoria agronômica, individualizado e particularizado às condições de cada local e culturas.

O teste foi realizado com o apoio do representante da LS Tractor e da Prisma Inteligência Agronômica

Atualmente, a empresa conta com 18 colaboradores e uma estrutura de logística, formada por equipamentos e veículos que permitem o atendimento de produtores de todas as regiões do País, principalmente da região Centro-Oeste.

Zonas de manejo e recuperação do solo

Aproveitando a visita à sede da Prisma, tivemos a oportunidade de conhecer um cliente da empresa, o produtor Luiz Peruzzo, engenheiro agrícola formado na Unioeste e com larga experiência na agricultura. Com origem em uma família de produtores paranaenses, da região de Cascavel, que primeiro chegaram a Mato Grosso e depois a Goiás, Tocantins e Minas Gerais, há 20 anos. Ele, seu tio, primos e os irmãos gerenciam as áreas agrícolas da família.

Luiz Peruzzo reconhece os benefícios da Agricultura de Precisão

Na área localizada em Rio Verde, gerenciada por ele, viu  a necessidade de implementar um sistema de Agricultura de Precisão. Com seu conhecimento e apoio começou, e depois de alguns anos chegou a desacreditar no sistema e ficou por dois anos sem usar nenhuma técnica de Agricultura de Precisão. Na sua experiência, usando uma grade amostral intensa se torna caro e usando com menos resolução se torna impreciso. Foram anos de dúvidas e incertezas sobre a utilidade das técnicas.

Quando ele conheceu o método da Prisma, com a determinação de zonas de manejo, começou a utilizar as técnicas em toda a fazenda e hoje está muito satisfeito com o atendimento e, principalmente, com o resultado. Segundo ele, a maior vantagem é que agora consegue ver coisas que se transformam em decisões.

Com o diagnóstico, ele já começou a implantar cultura de recuperação do solo em 10% da área total. Embora se pense que o Centro-Oeste possui áreas muito homogêneas, mais que no Sul do Brasil, os talhões não são homogêneos, com variação de textura que vai dos 10% aos 50% de argila na composição. A produtividade média da região é de 65 sacos de soja por hectare, o regime pluviométrico é de 1.600mm a 1.800mm por ano, com os meses de dezembro e janeiro historicamente sendo de seca. Mesmo assim, a rentabilidade é bastante boa, no entanto, quando chegam os anos ruins se o solo for mais estruturado torna-se mais seguro alcançar a rentabilidade.

Na Fazenda São José, da família Peruzzo, a frota de máquinas é de aquisição recente e tem colhedora e semeadora com toda a tecnologia para diagnóstico de áreas colhidas e aplicação de taxa variada. Eles usam e aprovam muito o serviço do Academy, da Prisma, que promove o treinamento dos operadores sobre regulagem e calibração dos equipamentos nas operações cruciais, para a aplicação do pacote full, recentemente adquirido.

José Fernando Schlosser e
Marcelo Silveira de Farias,
Laboratório de Agrotecnologia - Nema - UFSM

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