​Teste de germinação na cultura do milho

A cultura do milho possui grande importância no cenário nacional, sendo cultivada para alimentação de suínos e aves onde se consomem aproximadamente 70% da produção, sendo uma das culturas mais plantadas no país.

No ano de 2011, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o milho foi a segunda cultura com maior área plantada no país, tendo sido plantada em 13.585.807/ha, ficando atrás somente da soja cultivada em 24.082.345/ha e inclusive ficou à frente da cana-de-açúcar, que foi plantada em 9.139.834/ha.

O milho, Zea mays, é uma planta de rápida emergência. Em condições ideais de luminosidade, temperatura e umidade do ambiente em que se semeou a semente, a emergência ocorre quatro a cinco dias após a semeadura, sendo o milho uma ótima planta para fazer e demonstrar como se realizar um teste de germinação.

Muito se fala em germinação da semente, da produtividade do lote a que pertence, que quanto maior for a germinação de um lote de sementes, maior será o lucro e menor a perda de um produtor. Porém, poucos sabem como se descobre a germinação de um lote de sementes, o que é um teste padrão e quais os testes se germinações são utilizados.

Germinação de sementes é a emergência da plântula e suas estruturas essenciais do embrião (sistema radicular, o coleóptilo e a parte aérea). Em laboratório é a emergência da plântula e estruturas, de forma que se possa ter um bom desenvolvimento da planta no campo em condições favoráveis.

O teste padrão de germinação serve para a identificação da qualidade de um lote de sementes, ocorrendo uma simulação de como se comportaria em campo e a sua diferença para outras sementes. O teste é executado em laboratório, com o objetivo de obter todas as condições favoráveis para o desenvolvimento da semente: temperatura, iluminação e água. Porcentagem de germinação corresponde ao número de sementes que produziram plântulas consideradas normais.

No teste padrão de germinação podem ser utilizados quatro tipos de substratos: papel, areia e água. Entretanto, em laboratório, o usual é papel e água. A escolha vai depender de alguns fatores da semente e de sua exigência como tamanho, exigência em água e luminosidade.

Teste de germinação em areia deve utilizar material com grãos relativamente uniformes, nem partículas muito grandes e nem muito pequenas. É interessante que o tamanho das partículas fique entre 0,8mm e 0,05mm. A areia deve estar livre de qualquer contaminação para evitar que o contaminante atrapalhe a germinação da semente. Em caso de teste com areia em laboratório, recomenda-se que seja autoclavada a 120ºC por uma hora e que mantenha um pH entre 6 e 7,5.

Para fazer o teste é importante colocar a semente enterrada a 1cm, exercendo uma pequena pressão com água e um fotoperíodo controlado. O solo também pode ser utilizado como substrato, porém, para obter resultados mais precisos não se deve utilizá-lo, principalmente em laboratório.

Em laboratório, o teste padrão mais utilizado é o com papel, podendo ser toalha, mata-borrão ou de filtro. Esses papéis têm a capacidade de retenção de água para suprir as necessidades das sementes. Também deve ser poroso, com sacos plásticos para protegê-lo de impurezas e danos eventuais.

O intuito maior deste trabalho é a familiarização do leitor com o método de análise para verificação da germinação de um lote que não possua data de chegada e/ou não tenha sido acondicionado corretamente, com o objetivo de saber se ainda mantém o seu vigor.

Esta prática foi efetuada em laboratório, na Universidade Federal do Ceará, pelo Laboratório de Investigação de Acidentes com Máquinas Agrícolas (Lima) e o Grupo de Pesquisas em Energia e Máquinas para a Agricultura do Semiárido (Gemasa) com sementes já existentes na universidade, sem lote e data definida.

O teste padrão de germinação foi realizado em papel germe teste, um substrato simples de trabalhar e mais seguro, com boa porcentagem de germinação. O armazenamento realizado em câmara de B.O.D. assegura as condições ideais de temperatura entre 25ºC e 30ºC, um fotoperíodo ideal para germinação e uma boa manutenção de umidade.

Os materiais utilizados foram 15 folhas de papel germe teste, seis ligas, uma balança de precisão, câmara de B.O.D, contador de sementes. Foram analisadas 300 sementes.

Primeiramente, fez-se a assepsia das sementes de milho com solução de hipoclorito de sódio a 10% por um minuto e depois com álcool comercial por cinco minutos. Logo após, se procedeu a assepsia dos materiais utilizados: ligas, mesa onde foi realizada a montagem e as mãos do manejador do rolo.

Utilizaram-se 15 folhas de papel germe teste e pesaram-se todas juntas em uma balança de precisão. O peso aferido foi multiplicado por dois e o resultado obtido foi a quantidade de água destilada, colocada nas folhas.

Separaram-se as folhas em seis grupos, com duas folhas cada e mais três para serem colocadas por fora, uma para cada grupo de dois rolos. Manejando as duas folhas retirou-se a folha de cima e colocaram-se 50 sementes em contador de sementes distribuindo na folha. Após, colocou-se a segunda folha por cima, fechando de forma a se fazer um rolo. Repetiu-se esse procedimento com o segundo grupo de folhas. Com a folha que sobrou, envolveram-se os dois rolos formando um canudo, colocando as ligas uma na parte superior e outra na inferior. Repetiu-se o procedimento para as demais folhas.

Os canudos foram levados para uma câmara B.O.D. e deixados por seis dias. Com o término deste tempo foi realizada a contagem das sementes que não germinaram e das plântulas normais. Esta análise é conhecida como interpretação do teste. Após a contagem foi feito o cálculo.

Tabela 1 - Germinação das sementes de milho

Rolos

Sementes que não germinaram

Plântulas normais

Plântulas anormais

Porcentagem de germinação (%)

1

4

42

4

83

2

2

41

7

3

5

39

6

82

4

4

43

3

5

2

40

8

84

6

4

44

4

A porcentagem de germinação do canudo 1 foi de 83%, o segundo alcançou 82% e o terceiro e 84%, com uma média de germinação de 83%, abaixo da recomendada para a espécie e verificado pela Embrapa (2010) que é de 90%. Houve, ainda, perda de vigor com o passar do tempo e condições de acondicionamento.

Essa prática ressalta a necessidade de acondicionamento correto e marcação dos dados dos lotes de sementes, como tempo de chegada e eficiência de germinação para que se possa realizar testes padrões de germinação para saber se o vigor da semente continua o mesmo e se o plantio fornecerá um estande de qualidade.

Clique aqui para ler o artigo na Revista Cultivar Grandes Culturas, edição 177.


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Deivielison Ximenes Siqueira Macedo; Viviane Castro dos Santos; Juliana Matos Vieira; Jefferson Auteliano Dutra Carvalho; Daniel Albiero; José Siqueira de Macedo Júnior

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