Trator sem Galope

Manejar a terra, com o intuito de tirar dela o lucro, é uma tarefa árdua e complexa, que exige familiaridade com as diversas tecnologias disponíveis.

Nas primeiras fases da preparação do solo podemos nos deparar com uma situação altamente desconfortável para o operador, onde a tarefa não será realizada conforme o esperado, acarretando em desgastes prejudiciais ao trator. Estamos nos referindo ao Galope (Power hop).

O galope é o sacolejamento vertical - horizontal do trator, com alta carga na barra de tração. Ele ocorre quando há um desbalanceamento na tração, gerada por um descompasso entre os eixos dianteiro e traseiro, que excitam uma freqüência de vibração (salto) natural do trator.

POR QUE OCORRE O GALOPE

Não se pode atribuir o galope a somente uma causa. Como existe uma interação entre trator - pneu - solo - implemento, devemos entender que cada um destes itens deve estar trabalhando numa perfeita harmonia, para que a tarefa seja executada de maneira a atender todos os requisitos pertinentes.

Provavelmente, a condição mais favorável para a ocorrência deste fenômeno é uma camada de terra seca e solta, sobrepondo-se à camada arável. Um exemplo disso seriam as condições encontradas na “segunda passada”.

A maior freqüência de ocorrência do galope acontece durante as operações de cultivo pesado, com implemento do tipo arrasto. É muito raro ocorrer esse fenômeno com implementos acoplados nos três pontos, pois sua influência na transferência de peso ajuda a eliminar esta condição.

Já que o cultivo pesado é a condição que favorece o aparecimento do galope, os implementos que são muito largos para o trator também contribuem para isso. Do mesmo modo, o posicionamento da ferramenta trabalhando com muita profundidade gera uma excessiva solicitação na barra de tração. Esta condição é especialmente verdadeira em solos secos e duros.

Para corrigir o problema, nestas condições, é necessário reduzir a profundidade do corte e/ou reduzir a largura do implemento (retirando do arado lâminas, aivecas ou discos). Além disso, você deve confirmar com o revendedor se o trator e implemento são compatíveis.

Em algumas ocasiões, o trabalho em campo muito acidentado pode induzir ao galope, neste caso pode ser necessário diminuir a velocidade ou tentar mudar o sentido do movimento em relação à passada anterior.

MINIMIZAR O GALOPE

1) Verifique se o implemento está “pulando”, pois isto pode ser transferido para o trator. Neste caso, reduzir a velocidade ou mudar de direção em relação às fileiras pode ser necessário.

Se o problema ainda existir, confirme se o trator está devidamente lastrado de acordo com o Manual do Operador, faça uma pesagem do eixo dianteiro, do eixo traseiro e peso total (via de regra, podemos dizer que o peso total do trator deve ser de aproximadamente 50 a 60 kg por cv na tomada de potência). Verifique com o fabricante do trator a recomendação específica para cada modelo e qual a melhor distribuição para cada trator. Veja na tabela como o peso total do trator, normalmente, é distribuído.

Sem dúvida alguma, a correta pressão de inflação para os pneus é fundamental para o bom desempenho do trator. Ajuste a pressão de inflação de acordo com a carga que está incidindo sobre o pneu. Para obter esta pressão, em rodado simples ou duplo, consulte a tabela correspondente do Manual de Normas Técnicas ALAPA ou Manual Goodyear de Pneus Agrícola.

Quanto ao galope, ajuste a pressão de inflação para o valor máximo permitido no pneu que estiver sendo utilizado, levando-se em conta o tamanho e a lonagem. No costados dos pneus agrícolas existe uma estampagem referente somente à montagem do pneu. Na montagem, não exceder a 35 psi para o assento dos talões.

1) Se o GALOPE ainda existir, use o seguinte procedimento de ajuste da pressão de inflação:

2) Para tratores 4X4, reduzir a pressão de inflação de todos os pneus do eixo dianteiro para o valor mínimo, de acordo com o tamanho e lonagem, levando-se em conta a carga no pneu. Se a configuração do eixo traseiro for com rodado duplo, não calibre os pneus com valores abaixo de 12 psi, pois este é o valor mínimo para garantir a durabilidade e evitar que o pneu “rode“ no aro.

b) Para tratores com tração dianteira auxiliar, reduzir a pressão de inflação dos pneus do eixo traseiro para o valor mínimo, de acordo com o tamanho, a lonagem e a carga incidente nos pneus. Mas atenção: sob nenhuma hipótese os pneus, quer sejam do eixo traseiro ou dianteiro de qualquer configuração de trator, podem estar sobrecarregados.

3) Se o fenômeno ainda existir, faça o seguinte ajuste na pressão de inflação:

a) Em tratores 4X4, aumente em 4 psi acima do valor máximo indicado na tabela, levando-se em conta o tamanho, a lonagem e a carga. A pressão de inflação dos pneus dianteiros deve permanecer como no item 3.

b) Para tratores traçados, aumente a pressão de inflação dos pneus dianteiros em 4 psi acima do valor indicado nas tabelas, levando-se em conta o tamanho, a lonagem e a carga. A pressão dos pneus traseiros deve permanecer como no item 3. Após esta regulagem, teste o trator no campo.

4) Se o problema ainda existir, lastre os pneus da seguinte forma:

a) Em tratores traçados, adicione lastro nos pneus traseiros, primeiramente nos internos, se for montagem dupla, até 40%, e faça novamente o teste no campo. Se o problema não for solucionado, adicione lastro nos pneus traseiros externos até 40%. Novamente teste o trator no campo.

5) Se, após todo este processo, o problema ainda existir, contate o revendedor do trator ou implemento e certifique-se se o problema não é uma característica da região. Os fabricantes de trator têm desenvolvido procedimentos para eliminar este fenômeno, tomando notas de acordo com a peculiaridade de cada modelo. Lembre-se que o galope é geralmente uma relação serviço no campo e/ou solo. Por esta razão, se o problema for corrigido, seguindo os procedimentos relacionados nos itens de 1 a 5, é necessário retornar ao item 2, quando for trabalhar em outra região ou em condições menos severas.

Para encerrar, lembre-se que a correta pressão de inflação do pneu é vital para a durabilidade do mesmo, melhora a tração, aumenta a resistência ao rolamento, garante a integridade da carcaça, evita o aparecimento de rachaduras radiais no costado e o deslizamento do pneu no aro. Portanto, para sua economia, não permita que esta pressão seja aumentada ou diminuída sem critério.

Wanderley C. Marroni,
Goodyear

* Este artigo foi publicado na edição número 13 da revista Cultivar Máquinas, de julho/agosto de 2002.

* Confira este artigo, com fotos e tabelas, em formato PDF. Basta clicar no link abaixo:

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