Uso de bioestimulantes em soja

Emprego de bioestimulantes no tratamento de sementes de soja mostra resultados promissores na potencialização do crescimento radicular e melhor absorção de N, economia de energia, aumento da resistência das plantas a estresses bióticos e abióticos e consequente efeito positivo na produtividade.

O aumento da população traz consigo a necessidade de se produzir cada vez mais alimentos. Para suprir essa demanda se tem se buscado cada vez mais tecnologias que possibilitem aumentar a produtividade de plantas cultivadas. Dentre as tecnologias utilizadas, o emprego de bioestimulantes tanto no tratamento de sementes quanto em aplicações foliares tem se mostrado promissoras.

Os bioestimulantes podem ser constituídos, entre outros, por nutrientes, hormônios, extrato de algas, aminoácidos, ácidos húmicos e fúlvicos e vitaminas que são ofertadas às plantas de modo que apenas absorvam encurtando os processos metabólicos, culminado em uma economia de energia que pode ser usada para aumentar a produção. Em função disso, cada vez mais se tem realizado trabalhos buscando entender e verificar a ação destes produtos em plantas.

Nesse sentido foi conduzido no Centro Universitário de Patos de Minas (Unipam) na safra 2014/15 um ensaio que teve por intuito avaliar a influência fisiológica de bioestimulantes em tratamento de sementes de soja (cultivar NS 7114 RR). Os produtos testados foram a base de aminoácidos (13%), extrato de algas (3%), Cobalto (7,56 g/ L) e Molibdênio (75,6 g/ L) e o outro a base de ácido salicílico (15%). Foram avaliados parâmetros fisiológicos, teor de clorofila na folha, assimilação de NO3- e produtividade de grãos.

Observou-se que a utilização de biostimulantes em sementes de soja ocasiona um incremento na assimilação de N na forma de nitrato na fase inicial. Essa característica é de extrema relevância, pois é nessa fase que as plântulas dependem essencialmente do N do solo. Considerando que a fixação biológica se estabelece a partir de V3, o crescimento inicial das plantas depende de outras fontes de nitrogênio, seja do solo, do fertilizante aplicado ou da reserva da própria semente. Em média, considerando 40% o teor de proteína, para semeadura com população de 300.000 plantas, utilizando 60 kg/ ha sementes (11% de água), são adicionados via semente 3,2 kg/ ha N. Até que a fixação biológica estabeleça (V3), uma lavoura de soja com a mesma população já acumulou em torno de 11,8 kg/ ha N (Figura 1). Desta forma, há um déficit de 8,6 kg/ ha N, o que deve se suprido, via fertilizante ou mineralização da matéria orgânica. Portanto, é importante que este déficit seja suprido, considerando a eficiência de utilização do fertilizante pela planta e, portanto, depende da atividade da enzima nitrato redutase. Além disso, é importante salientar que o N adicionado via fertilizante pode servir de estímulo para o desenvolvimento radicular e potencializar a formação de nódulos.

Figura 1. Quantidade de nitrogênio fornecido pela semente e necessidade de plântulas de soja.
Figura 1. Quantidade de nitrogênio fornecido pela semente e necessidade de plântulas de soja.

O aumento da assimilação de N ocasionou incremento no teor de clorofila das folhas. Isso significa que apresentaram cor verde mais intensa. Como são as clorofilas que absorvem a energia da luz e a transformam em energia química para assimilação de CO2 na fotossíntese, esse parâmetro fisiológico apresenta uma relação direta com produtividade. Já o ácido salicílico (SA) usado no tratamento foliar atuou como indutor de resistência em plantas devido a sua ação em diversas rotas e síntese de fitoalexinas. Além disso, o SA atua na estabilidade, clorofilas e na atividade da enzima nitrato redutase, parâmetros que foram maximizados pela aplicação deste produto conforme observado nos dados. A potencialização das variáveis fisiológicas avaliadas foi uma das possíveis causas do efeito positivo dos bioestimulantes na produtividade encontrada no ensaio que variou de 9,9% a 20,6% em relação ao controle. É importante ressaltar que em campo o incremento não chega a ser tão elevado como observado nesse trabalho pois se trata de áreas experimentais menores e no campo existe outras variações que afetam tanto no sentido de maximizar quanto minimizar os efeitos. Com base em trabalhos realizados em áreas comerciais em outras safras ficou claro que esses incrementos oscilam de 3% a 6%.

Estes efeitos, possivelmente estão relacionados à aplicação de compostos salicílicos que atuaram induzindo a resistência das plantas a estresses bióticos e abióticos, possibilitando a realocação da energia que seria gasta para repor as estruturas celulares que teriam sofrido dano. Tudo isso combinado com o efeito do cobalto, do molibdênio e dos aminoácidos, que possivelmente potencializaram a fixação biológica de nitrogênio, resultou em um incremento significativo na produtividade. O modelo fisiológico simplificado é apresentado na Figura 2.

Figura 2. Efeitos do tratamento de sementes na potencialização do crescimento radicular, o que aumenta a absorção de nitrogênio.
Figura 2. Efeitos do tratamento de sementes na potencialização do crescimento radicular, o que aumenta a absorção de nitrogênio.


Ellen Mayara Alves Cabral, Evandro Binotto Fagan, Luís Henrique Soares, Marina Rodrigues dos Reis, Isabella Sabrina Pereira, Unipam; Jérssica Nogueira Soares, Esalq/Usp

 

Artigo publicado na edição 207 da Cultivar Grandes Culturas.

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