Uso de estimulantes vegetais em algodão durante germinação

O algodão é bastante cultivado no Brasil, e para garantir o sucesso das lavouras um dos principais fatores é a implantação de um estande sem falhas e para isso é fundamental conhecer os processos metabólicos envolvidos na degradação das reservas durante a germinação, pois estes podem afetar no desenvolvimento inicial das plântulas causando perdas no estabelecimento inicial da cultura.

Como forma de acelerar e melhorar a germinação de sementes e também promover o crescimento inicial das plantas é indicado o uso de estimulantes vegetais. Visando isso o trabalho teve como objetivo avaliar o efeito da aplicação de estimulante vegetal na mobilização de reservas em algodão durante a germinação.

Sobre o experimento 

O experimento foi conduzido no laboratório de sementes da Faculdade Arnaldo Horácio Ferreira – FAAHF, durante o mês de junho de 2019. O delineamento experimental utilizado foi o inteiramente casualizado, em esquema fatorial 2 x 3, correspondente à presença e ausência do stimulate® e os 3 períodos de avaliação, com quatro repetições de 20 sementes.

As sementes foram tratadas com stimulate 20 mL/kg, em seguida foram colocadas para germinar em rolo de papel germitest, umedecido com 2,5 x o peso seco do papel, as sementes foram dispersas no papel com o hilo voltado para baixo e colocadas na posição vertical em câmara de germinação à 25 ºC.

O desenvolvimento das plântulas foi avaliado a cada 2 dias, por 6 dias, totalizando 3 avaliações sendo realizada em 10 plântulas por repetição. Para a avaliação do desenvolvimento, o tegumento da semente foi removido, sendo separado o cotilédone do eixo embrionário, sendo aferindo o comprimento do eixo embrionário. Em seguida, os cotilédones e o eixo embrionário foram colocados separadamente em sacos de papel e levados para a estufa de ventilação forçada a 65 ºC por 72h, sendo posteriormente pesados em balança analítica, para determinação da massa seca das plântulas (MSP) e massa seca dos cotilédones (MSC). Os dados coletados foram submetidos à análise de variância e as médias foram comparadas entre si pelo teste de Tukey a 5%.

Análises da aplicação 

Não houve interação entre os fatores para nenhuma das variáveis avaliadas. As plântulas provenientes das sementes tratadas com stimulate (8,8 cm) apresentaram crescimento superior às plântulas das sementes testemunhas (6,99 cm) (Tabela 1). 

Para a MSP não houve diferença significativa entre os tratamentos, entretanto houve um aumento na MSP durante os dias avaliados apresentando media de 0,007 a 0,014 g (Tabela 2). Quanto a MSC as sementes tratadas com stimulate apresentaram-se como inferior a testemunha, onde ambas apresentaram um decréscimo na MSC no decorrer dos dias avaliados apresentando media de 0,043 no primeiro dia e 0,024 g no último dia de avaliação (Tabela 2).  

Pode-se observar que houve uma redução da massa seca dos cotilédones e o aumento da massa seca total da plântula. Essas reduções evidenciam a mobilização dos compostos de reserva dos cotilédones e sua translocação para outros órgãos, à medida que a redução na massa seca cotiledonar reflete o aumento na produção de massa seca da plântula.

Esses transportes foram maiores nas sementes tratadas com stimulate já que apresentaram maior redução da MSC e aumento da MSP gerando plântulas maiores que as não tratadas.

CONCLUSÃO

O uso do stimulate no tratamento de sementes de algodão influencia positivamente na mobilização de reservas dos cotilédones proporcionando maior crescimento das plântulas. 


José Fontana Santos Brito, Juliano Alves da Cruz e Juliane Karsten, UNIFAAHF – Centro Universitário Arnaldo Horacio Ferreira; Ricardo de Andrade Silva, FMC - FMC Química do Brasil LTDA


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