Volume de aplicação correto na pulverização

Uma das dificuldades na hora de aplicar com pulverizadores de arrasto é manter a vazão adequada, pois a variação da rotação da Tomada de Potência deve levar em conta também a velocidade de deslocamento do trator.

O apelo cada vez maior pela conservação de água de reservatórios e do consumo sempre consciente de defensivos agrícolas faz com que procuremos a aplicação mais adequada possível. A aplicação de defensivos agrícolas é um processo quase sempre de baixa eficiência, pois além do total aplicado não conseguir atingir o alvo de forma uniforme, ainda existe um desperdício de água e produtos, podendo resultar muitas vezes em controle inadequado e uma possível contaminação ambiental.

Um dos grandes vilões da contaminação através de pulverização da agricultura é a deriva de produtos fitossanitários. Quanto menor o tamanho da gota, melhor será a cobertura no alvo, porém, terá um maior risco de perdas do produto, seja por deriva ou evaporação. Dessa forma, o tamanho da gota é um fator relevante a ser considerado nas aplicações, uma vez que se tem a finalidade de se aplicar de forma uniforme.

Além disso, hoje em dia, existe uma maior conscientização da população em relação à saúde e ao meio ambiente e, através de uma aplicação incorreta, a deriva ocasiona em perda de produto, danos em culturas adjacentes, podendo até causar problemas na saúde das pessoas que entrarem em contato direto ou indiretamente. Por meio desses aspectos, a tecnologia de aplicação tem grande destaque, pois com uma técnica adequada, o produto atinge de forma desejada o alvo.

 A eficiência da aplicação tem influência direta das condições climáticas (vento, umidade relativa e radiação solar), biológicos (espécie, tamanho, forma e posição do alvo), características das gotas (densidade, diâmetro e velocidade) e características do próprio pulverizador (velocidade e direção do fluxo).

Para uma aplicação eficiente, deve-se regular a pressão da saída do líquido dos bicos do pulverizador para que o volume de calda seja adequado à finalidade e ainda trabalhar com a marcha de trabalho e a rotação ideal. Nos pulverizadores com maior tecnologia existem controladores de vazão, que adaptam a quantidade de calda pulverizada por área, de acordo com a velocidade de deslocamento, e a rotação do motor, porém, para a maioria dos pulverizadores que estão em operação esta tecnologia não é utilizada.

O volume de calda pulverizada deve ser um dos itens fundamentais para uma adequada aplicação. Uma boa aplicação tem por objetivo realizar uma pulverização com o menor desperdício de água possível e sempre garantir que a calda atinja seu alvo. Outro fator importante em uma correta pulverização é que o trator que traciona esse pulverizador esteja em boas condições de uso. Muitas vezes encontramos, principalmente em pequenas propriedades, produtores que não trabalham na rotação na TDP (tomada de potência) recomendada pelo fabricante. Pensando nisso foi realizado o experimento, que teve por objetivo avaliar até que ponto esse fator interfere na correta aplicação, por meio da quantidade de calda aplicada em uma pulverização realizada em três diferentes rotações do motor e em duas marchas do trator.

O ensaio foi realizado na Fazenda Experimental de Pesquisa e Extensão Fepe, da Faculdade de Ciências Agronômicas – Unesp, Campus de Botucatu. Foi desenvolvido pelos alunos de graduação e pós-graduação pertencentes ao GPD (Grupo de Plantio Direto), que atua na área de ensaios de máquinas agrícolas há vários anos.

O equipamento utilizado foi um pulverizador de barras da marca Jacto, modelo Falcon Vortex, com barra de 14 metros, composta por 29 bicos espaçados de 0,5 metro um do outro, acoplados a um trator marca Massey Fergusson modelo 296.

No experimento foi utilizado um pulverizador Falcon Vortex da Jacto, com barra de 14m, composta por 29 bicos de 50cm.
No experimento foi utilizado um pulverizador Falcon Vortex da Jacto, com barra de 14m, composta por 29 bicos de 50cm.

Foram realizadas coletadas da calda pulverizada em duas marchas de trabalho (terceira reduzida A e terceira reduzida B) e três rotações diferentes. As rotações utilizadas foram: a rotação nominal do trator (1.500rpm), uma rotação 20% menor que a nominal (1.200rpm) e uma rotação 20% maior que a nominal (1.800rpm).

O trator foi posicionado em linha reta e percorreu a distância de 50 metros, foi anotado o tempo de deslocamento e posteriormente repetido para cada marcha de trabalho e nas três rotações, em cada tratamento foram realizadas quatro repetições e feita a média das repetições.

Após determinar os tempos para percorrer os 50 metros, foram coletadas as caldas de acordo com os tempos determinados de cada tratamento, lembrando que nessa calda continha apenas água. Essa coleta foi realizada com o trator parado e com o auxílio de copos calibradores e um cronômetro, os dados colhidos foram anotados para posteriormente serem tabulados.

Os resultados encontrados foram extrapolados para volume em litros por hectare para um melhor entendimento dos dados e foram submetidos a análises estatísticas. Estes dados mostraram que a rotação da tomada de potência do trator é menor em relação a sua velocidade de deslocamento, ou seja, ao aumentar a rotação do trator na mesma marcha de trabalho, a velocidade é superior em relação à rotação de sua TDP (Figura 1).

O uso de menor volume de calda aumenta a autonomia e a capacidade operacional dos pulverizadores, podendo ser o principal componente do desempenho operacional em diversas culturas (Román et al, 2009).

Figura 1 - Marcha 3B nas rotações 1.200rpm (1), 1.500rpm (2) e 1.800rpm (3) e marcha 3A nas rotações 1.200rpm (4), 1.500rpm (5) e 1.800rpm (6), em função do volume de calda (l/ha) e velocidade (km.h-1)
Figura 1 - Marcha 3B nas rotações 1.200rpm (1), 1.500rpm (2) e 1.800rpm (3) e marcha 3A nas rotações 1.200rpm (4), 1.500rpm (5) e 1.800rpm (6), em função do volume de calda (l/ha) e velocidade (km.h-1)

Ao observar a Tabela 1, podemos ver que conforme é aumentada a rotação do trator, consequentemente se obtém uma maior velocidade e o volume da calda do pulverizador diminui.

Com base nos resultados encontrados neste trabalho, pode-se concluir que ao aumentar a rotação de trabalho do motor do trator, a velocidade de deslocamento do pulverizador aumentou e houve uma menor quantidade de calda liberada na área destinada. Com isso, o operador deve trabalhar sob a rotação ideal e de forma constante para toda a área, com a finalidade de que o produto seja aplicado de forma uniforme e com a quantidade desejada, evitando perdas do próprio produto e aplicações incorretas.

Após cronometrar o tempo de deslocamento, foi realizada coleta da calda com o pulverizador parado, para calcular a variação de deposição em diferentes rotações.
Após cronometrar o tempo de deslocamento, foi realizada coleta da calda com o pulverizador parado, para calcular a variação de deposição em diferentes rotações.
Copo calibrador utilizado para coleta no experimento.
Copo calibrador utilizado para coleta no experimento.


Arianne Moniz, Thais M. Millani, Saulo F. G. de Sousa, Leandro A. F. Tavares, Paulo R. A. Silva, Unesp-Botucatu


Artigo publicado na edição 152 da Cultivar Máquinas. 

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