Zoneamento: ferramenta para consolidação do controle biológico

O Brasil é referência mundial no uso de controle biológico em lavouras, tornando-se centro de discussão sobre paradigmas existentes em sistemas convencionais de cultivo, como substituição parcial ou total de produtos sintéticos por biológicos. Isso torna-se evidente nas negociações de produtos agrícolas oriundos de sistemas mais sustentáveis dirigidos à exportação para Europa, Ásia e Oriente Médio.

Tecnologias de liberação dos parasitoides no ambiente são as mais variadas, contemplando desde equipamentos terrestres até veículos aéreos tripulados e não tripulados. O período de uso do controle biológico quando o alvo (praga, doença ou plantas invasoras) se encontra no campo, convivendo com a cultura, dependente, sobretudo, das condições climáticas chaves à adaptação inicial do parasitoide, após sua liberação e do seu desenvolvimento.

Produtos denominados micoinseticidas ou bioinseticidas microbiológicos formulados a base do fungo entomopatogênico do gênero Metarhizium anisopliae são alternativas eficientes para controle, por exemplo, da cigarrinha-das-pastagens (Deois flavopicta) e da lagarta falsa-medideira (Chrysodeixis includens). Em linhas gerais, os esporos do fungo, germinados, penetram no interior do inseto provocando sua morte.

O efeito residual dos produtos formulados contendo Metarhizium spp. está associado ao substrato pelo qual o fungo se desenvolve, ou seja, as insetos pragas e também, às condições climáticas ideais que garantem seu desenvolvimento e esporulação posteriormente.

    Em geral, o zoneamento edafoclimático da região torna-se útil e necessário aos técnicos e agricultores por permitir, em linguagem “fácil”, por meio de mapas, o conhecimento das localidades mais aptas ao crescimento da ocorrência de um parasitoide utilizado em um programa de controle biológico. Com um simples mapa é possível saber com grande precisão os locais onde o inseto terá maior ou menor chance de se instalar, se reproduzir e produzir o efeito de controle biológico desejado. Assim, a importância do zoneamento edafoclimático para o sucesso do controle biológico em lavouras se dá em função da indicação de regiões aptas à sobrevivência e ao desenvolvimento de parasitoides.

Frente a este postulado, realizou-se um trabalho de zoneamento edafoclimático do desenvolvimento de Metarhizium spp. no Estado de Mato Grosso do Sul (MS) para o mês de janeiro utilizando dados climáticos disponibilizados por estações meteorológicas do Instituto Nacional de Meteorologia. As variáveis utilizadas foram: temperaturas e umidades relativas do ar médias, mínimas e máximas para os meses de janeiro, entre os anos de 2014 a 2018 bem como a textura dos solos no Estado de Mato Grosso do Sul. O produto final foi um mapa temático do zoneamento edafoclimático (Figura 1) para áreas de desenvolvimento do referido fungo.

 

Figura 1. Zoneamento Edafoclimático do desenvolvimento de Metarhizium spp. no Estado de Mato Grosso do Sul para o mês de janeiro.
Figura 1. Zoneamento Edafoclimático do desenvolvimento de Metarhizium spp. no Estado de Mato Grosso do Sul para o mês de janeiro.

 Pelo zoneamento realizado nota-se, que o Oeste e Sudoeste do Estado do Mato Grosso do Sul têm propensão ao desenvolvimento do fungo, o que sugere nessas regiões maior probabilidade de sucesso no uso do controle biológico Metarhizium spp.

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Raphael Maia Aveiro Cessa; Nilton Nélio Cometti; Dirceu Macagnan e Uirá do Amaral

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