Aplicado na folha

  • Página 34 |
  • Out 2019 |
  • Diego César Veloso Rezende, Fucamp; Francielle Aparecida de Sousa, Unicerp; Cássio Resende de Morais, Fucamp

Na cultura do milho, Lobato et al (2010) sugere o emprego do produto biológico (inoculante), uma das novas tecnologias utilizadas como forma de reduzir o uso de fertilizantes químicos. Segundo Reis (2007), a fixação biológica de nitrogênio atmosférico (FBN), realizada por bactérias diazotróficas, vem se tornando uma das alternativas que auxiliam na redução da aplicação de insumos e seu melhor aproveitamento.

Durante a última década, várias bactérias capazes de reduzir o nitrogênio molecular (N2) foram descritas, sendo o gênero Azospirillum o mais estudado (Radwan et al, 2004). Usualmente a técnica de A. brasilense inoculado resulta no aumento de produção de grãos, incremento de massa seca e de acúmulo de N2 nas plantas, principalmente se a associação for entre bactéria e genótipos não melhorados e em condições de baixa oferta de N2. Além destes fatores, o estado nutricional da planta, a qualidade dos exsudatos, a existência de micro-organismos competidores e a escolha da estirpe são aspectos que podem intervir na interação entre a planta de milho e a bactéria, além de afetar a eficiência da fixação biológica de nitrogênio (FBN) (Quadros, 2009).

Esta associação entre Azospirillum e milho, além de promover a fixação biológica de nitrogênio, reduzindo o consumo de fertilizante nitrogenado, influencia no sistema radicular das plantas. A inoculação com bactérias aumenta o número de radicelas e o diâmetro das raízes laterais e adventícias, provavelmente devido à produção de hormônios pelas bactérias, melhorando assim a absorção hídrica e de nutrientes (Cavallet et al, 2000).

O milho é uma cultura que se destaca pelo seu alto potencial produtivo
O milho é uma cultura que se destaca pelo seu alto potencial produtivo.

O experimento

Com o objetivo de verificar a eficiência da aplicação via foliar de A. brasilense nos resultados das análises de Nitrogênio (N) e Proteína Bruta (PB) foi conduzido um experimento na área experimental da Fundação Carmelitana Mário Palmério (Fucamp), situada na área rural do município de Monte Carmelo/Minas Gerais, com coordenadas de 18°45’037’’ latitude Sul, 47°29’774’’ longitude Oeste e uma altitude de 885m. O solo da área experimental é classificado como Latossolo Vermelho, de acordo com os critérios da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

A Tabela 1 mostra os atributos do solo, analisados pela metodologia da 5ª aproximação.

A análise teve por objetivo conhecer as características químicas do solo da área utilizada no experimento, a fim de nortear decisões para alcançar o rendimento almejado, além de definir a quantidade de fertilizante a ser utilizada.

O experimento foi implantado no período de dezembro de 2014 a abril de 2015, com a semeadura do milho Híbrido Impacto TLTGVIPTA, TL, TG, TL/TG, tipo convencional, de ciclo precoce, recomendado para plantio de verão e safrinha, com populações de 50 mil a 55 mil e 65 mil plantas por hectare, respectivamente. Trata-se de uma planta de porte e inserção de espiga alta e apresenta espigas com grão tipo duro amarelo alaranjado, recomendado para silagem de planta inteira e produção de grãos.

O preparo do solo foi realizado com grade aradora e com grade niveladora. Foi utilizado o sistema de semeadura manual, sendo o milho como cultura anterior. O grão foi semeado em quatro linhas espaçadas de 0,7m, população de quatro plantas por metro linear, ou seja, 64 plantas por parcela, o que proporcionou estande de aproximadamente 57.150 plantas por hectare.

Dessa maneira, os cinco tratamentos consistiram nas diferentes dosagens de Azospirillum brasilense e adubações, descritas detalhadamente na Tabela 2: testemunha (sem adubações nitrogenadas e NPK e sem inoculação), padrão (com adubação nitrogenada e com adubação NPK, sem Azospirillum), inoculação com Azospirillum brasilense (50ml/ha) e com adubação NPK, inoculação com Azospirilum brasilense (100ml/ha) e com adubação NPK, inoculação com Azospirillum brasilense (200ml/ha) e com adubação NPK, sabendo que a dosagem recomendada para gramíneas é de 120ml/60 mil sementes, a aplicação ocorreu em área total via foliar após emergência.

O delineamento experimental foi de blocos casualizados (DBC), em que se buscou comparar os efeitos de cinco tratamentos (1, 2, 3, 4 e 5), sendo cada um deles repetido cinco vezes, conforme Figura 1, totalizando 25 parcelas.

As amostragens dos parâmetros de Nitrogênio e Proteína Bruta foram realizadas quando o milho atingiu o ponto de silagem. Foram colhidos as espigas, o colmo e as folhas de cada parcela e encaminhados ao laboratório de análises, onde foram submetidos à análise bromatológica. 

Os resultados foram submetidos à análise estatística pelo Teste de Tukey a 5%, utilizando o software Sisvar versão 5.3 (DEX/Ufla). Quando o teste F apresentou-se significativo, foi realizada a regressão quadrática, de acordo com o caso.

Seguindo as recomendações de adubação, foram utilizados na semeadura 400kg/ha do adubo formulado 08-28-16. A aplicação de N em cobertura foi na forma de ureia 200kg/ha (45% de N), sendo realizada em todas as linhas dos tratamentos T2, T3, T4 e T5.

A inoculação via foliar da bactéria, bem como a adubação de cobertura, foi realizada quando as plantas estavam no estádio de desenvolvimento V6 (seis folhas expandidas), nessa fase a cultura se encontrava com 22 dias após a emergência (DAE), sendo ambos realizados no final da tarde, com objetivo de melhor eficiência da inoculação e da adubação de cobertura, visto que nesse período ocorrem temperaturas mais amenas. A colheita foi efetuada manualmente e as espigas debulhadas com trilhadora manual. 

Nesta pesquisa, verificou-se que a inoculação via foliar no milho com a bactéria Azospirillum, mesmo com o aumento da concentração, não substituiu a aplicação de nitrogênio pelo solo e também não resultou em diferenças significativas dos parâmetros relacionados na Tabela 3.

Observa-se na Tabela 4 que os tratamentos não diferiram entre si em relação ao nitrogênio.

O teor de proteína bruta do milho possui baixa correlação ao se comparar com os teores em aminoácidos no grão, devido ao acúmulo de amônio e nitrato (nitrogênio não proteico), que é acentuado com a prática essencial da adubação nitrogenada de cobertura, indicado na Tabela 5.

 Deste modo, uma maior adubação nitrogenada de cobertura melhora a absorção de nitrogênio pela planta. Sendo assim, o teor de nitrogênio aumenta no grão de milho, assim como o teor de proteína bruta.

A associação entre Azospirillum e milho, além de promover a fixação biológica de nitrogênio, reduz o consumo de fertilizante nitrogenado
A associação entre Azospirillum e milho, além de promover a fixação biológica de nitrogênio, reduz o consumo de fertilizante nitrogenado.

Observa-se na Tabela 6 que os tratamentos não diferiram entre si em relação à proteína bruta. De uma maneira geral, o aumento da dosagem de Azospirillum proporciona um crescimento dos teores de proteína bruta, sendo este aumento relacionado ao crescimento da zeína, que é uma proteína de baixo valor nutricional, porém na pesquisa desenvolvida não houve esta correlação de acordo com a Tabela 6.

Logo, nota-se que a aplicação via foliar com Azospirillum brasiliense, nas condições em que o trabalho foi realizado, não proporcionou uma diferença significativa para variáveis agronômicas de N e PB.

Apesar disso, novas pesquisas devem ser realizadas, uma vez que fatores como genótipo, condições edafoclimáticas e estirpe da bactéria utilizada podem ter contribuído para esse resultado. Dessa forma, afirma-se que são escassos os trabalhos com inoculação via foliar nas culturas em geral.

Figura 1 - Experimento delimitado, com o início dos tratamentos
Figura 1 - Experimento delimitado, com o início dos tratamentos.

Diego César Veloso Rezende, Fucamp; Francielle Aparecida de Sousa, Unicerp; Cássio Resende de Morais, Fucamp

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