Clima x Manejo

  • Página 10 |
  • Jan 2019 |
  • Paulo Cesar Sentelhas Grupo de Pesquisa em Agrometeorologia Esalq/USP

A produtividade da soja é o resultado da complexa interação entre o genótipo (cultivar) empregado, as condições meteorológicas e o manejo agrícola nas áreas de produção. Enquanto a radiação solar e o fotoperíodo controlam a quantidade de energia disponível para a fotossíntese, a temperatura do ar afeta o metabolismo das plantas, que, por sua vez, regula tanto a taxa de fotossíntese quanto a respiração de manutenção, além de controlar, juntamente com o fotoperíodo, a taxa de desenvolvimento da cultura, definindo a duração das diferentes fases fenológicas e do ciclo. Além disso, a temperatura atua também sobre o balanço hormonal das plantas de soja, com papel fundamental na fase reprodutiva, quando altas temperaturas podem causar abortamento de flores e vagens. A radiação solar, juntamente com a temperatura, a umidade do ar e a velocidade do vento, é responsável pela demanda hídrica das lavouras de soja, que se não forem atendidas pelas chuvas irão provocar déficits hídricos, altamente prejudiciais à produtividade. O volume e a distribuição das chuvas são fundamentais para garantir bons níveis de produtividade das lavouras. Anos muito secos resultam em baixas produtividades, porém, anos excessivamente nublados e chuvosos também podem levar à redução das produtividades em razão da diminuição da disponibilidade de energia solar para a fotossíntese. Sendo assim, pode-se dizer que os anos de melhores produtividades são aqueles que combinam uma boa distribuição das chuvas ao longo ciclo com períodos suficientemente longos de elevada radiação solar para que as plantas possam fazer uso da água do solo de forma a maximizar o processo da fotossíntese, gerando altas produtividades.

No Brasil, o efeito da variabilidade climática sobre a produtividade da soja é bastante evidente, tanto entre as diferentes safras de cultivo como entre as diversas regiões produtoras e até mesmo entre as várias datas de semeadura. Entre as diferentes safras, a variabilidade da produtividade da soja é principalmente condicionada por eventos climáticos como o El Niño Oscilação Sul (Enos), cujas fases quente (El Niño) e fria (La Niña) afetam os regimes térmicos e de chuva de diferentes regiões brasileiras. Assim, enquanto no estado do Mato Grosso há pouca variabilidade da produtividade da soja, no Rio Grande do Sul, mais afetado pelo Enos, tal variabilidade é mais acentuada, o que condiciona um maior risco climático para a cultura da soja. Em situação intermediária se encontra a região do Mapitoba, aonde, apesar dos efeitos prejudiciais do El Niño, as produtividades não chegam a oscilar tanto como na região Sul.

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