Complexos de manejar

  • Página 19 |
  • Fev 2019 |
  • Jeferson Luiz de Carvalho Mineiro e Adalton Raga, Instituto Biológico

Causadores de prejuízos econômicos e ambientais à citricultura, os ácaros demandam cada vez mais atenção e novos estudos para que o manejo ocorra de modo racional e sustentável

Dentre as pragas dos citros no estado de São Paulo, destacam-se os ácaros, devido principalmente aos prejuízos econômicos e ambientais decorrentes da necessidade da aplicação de acaricidas sintéticos. Algumas espécies de ácaros fitófagos são citadas há muito tempo como importantes para o manejo da citricultura, como é o caso do ácaro-da-leprose, do ácaro-da-falsa-ferrugem, do ácaro-branco e do ácaro-purpúreo. Atacam diversas partes das plantas, como flores, folhas, frutos em diferentes estádios de desenvolvimento, pecíolos, pedúnculos, ramos e tronco. Além disso, algumas espécies são vetoras de viroses.

Tenuipalpidae
Ácaros-da-leprose-dos-citros

No Brasil, é denominado ácaro-da-leprose-dos-citros e na literatura inglesa como flat mites ou false spider mite, as espécies da família Tenuipalpidae.
Brevipalpus yothersi é uma espécie polífaga, encontrada em várias plantas hospedeiras, inclusive daninhas comuns em pomares de citros, havendo assim a possibilidade de servirem de refúgio para o ácaro. Essa espécie é cosmopolita, com relatos em outros continentes, exceto nas regiões Ártica e Antártica. No Brasil, é encontrado em vários estados da Federação, em diferentes espécies do gênero Citrus. Em plantas cítricas, B. yothersi pode ser encontrado durante o ano todo, com picos populacionais no período de estiagem prolongado, que no estado de São Paulo corresponde aos meses de inverno. Esse ácaro tem a capacidade de transmitir o vírus da leprose dos citros.
Brevipalpus papayensis é também encontrada nos pomares citrícolas de São Paulo e pode ser recuperada em várias plantas hospedeiras, incluindo daninhas. Assim como B. yothersi, é uma espécie cosmopolita. A sua população nos pomares citrícolas é muito baixa, contudo, esse ácaro também tem a capacidade de transmitir o vírus da leprose dos citros.
Até recentemente, Brevipalpus phoenicis era considerado o vilão da história, identificado como principal vetor da leprose dos citros no mundo e responsável por grande parcela da aplicação de acaricidas no Brasil. Agora, sabe-se que a história não é assim, pois B. phoenicis ocorre em baixíssima população e ainda não se conseguiu criá-lo em laboratório e comprovar se é transmissor do vírus. Em poucas espécies de plantas foram encontrados exemplares desse ácaro.
Atualmente há informações de novas espécies de Brevipalpus ocorrendo na citricultura paulista. Em um futuro próximo serão devidamente publicadas e divulgadas. Esses ácaros ocorrem em maiores populações nos frutos que nas folhas, principalmente aqueles com sintomas de verrugose.
A incidência do vírus da leprose causa queda acentuada de frutos, morte de ramos e da planta, sendo uma população relativamente baixa capaz de transmitir a doença. A poda e retirada de ramos sintomáticos e principalmente colheita antecipada auxilia substancialmente no controle de Brevipalpus. A infestação do material de colheita auxilia na disseminação desses ácaros. A duração do período de ovo a adulto de Brevipalpus é em média de 35 dias a 30ºC.

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  2. Página 12

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