Controle eficiente do bicudo em algodoeiro

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  • Jul 2021 |

A escolha dos inseticidas é etapa fundamental no manejo do bicudo, por se tratar de uma praga muito agressiva e de difícil controle, que não tolera erros. Por isso é importante conhecer a eficiência relativa dos defensivos disponíveis no mercado, para subsidiar a rotação de moléculas necessária ao manejo da resistência e orientar sobre os produtos regionalmente mais adequados.


O bicudo, Anthonomus grandis (Coleoptera: Curculionidae), é a principal praga do algodoeiro em todas as regiões produtoras da fibra no Brasil. Sua origem é no México, onde foi coletado pela primeira vez no início da década de 1830 (Manessi, 1997). No Brasil, o primeiro registro do inseto ocorreu em 1983, na região de Campinas, São Paulo (Barbosa et al., 1986), e atualmente encontra-se amplamente disseminado nos principais polos produtivos da cultura nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. A primeira constatação na Bahia ocorreu em 1986, no Nordeste do estado, causando forte redução da produção, com enorme impacto na economia regional. Sua entrada nos municípios do Oeste da Bahia, onde a cotonicultura é muito tecnificada, não é bem conhecida, pelo menos de forma documentada. Contudo, acredita-se que o ingresso se deu já nos primeiros anos de plantio da cultura na região.

Seu ataque à cultura começa pela bordadura da lavoura, com a migração de insetos vindos das áreas de refúgio, compreendidas, geralmente, pela vegetação que circunda a lavoura. Inicialmente, causam danos às estruturas vegetativas da planta (folhas, pecíolo e gema apical), formando reboleiras de ataque. Permanecem nestes locais aguardando a emissão dos botões florais, estimulando uma maior movimentação do inseto pela lavoura. Os adultos utilizam os botões florais e as maçãs para alimentação e reprodução. O ataque da praga aos botões florais causa a abertura das brácteas e, posteriormente, sua queda ao solo. Quando ocorre nas flores, estas ficam com aspecto de “balão” devido à não abertura normal das pétalas. As maçãs apresentam perfurações externas, decorrentes do hábito de alimentação e oviposição do inseto, sendo que internamente as fibras e sementes são destruídas pelas larvas, que impedem sua abertura normal (“carimã”), deixando-as enegrecidas. Ao final do ciclo da cultura ou após a destruição das soqueiras, a maioria dos adultos se dirige aos abrigos (matas, capinzais etc.) existentes ao redor da área cultivada. Nesses locais se mantêm com metabolismo reduzido, alimentando-se esporadicamente de grãos de pólen de diferentes espécies vegetais. Muitos sobrevivem até a safra seguinte, embora quanto maior a entressafra menor a taxa de sobreviventes dos adultos. No Brasil, o bicudo se mantém em atividade durante todo o ano, e sua reprodução está condicionada à existência de estruturas frutíferas do algodão.

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