Desafios da colheita mecanizada em cana

  • Página 43 |
  • Jul 2021 |
  • Alexandre D. Roese, Embrapa Agropecuária Oeste

Com o advento da colheita mecanizada em cana- de-açúcar implicações biológicas e agronômicas tem ocorrido, como o favorecimento de doenças foliares por resíduos provenientes da ausência de queima do palhiço. Contudo, se trata de um entrave a ser enfrentado sem perder de vista os benefícios proporcionados pelos restos culturais no solo.


A mudança de tecnologia para colheita mecanizada da cana-de-açúcar é, sem dúvida, um grande avanço no cultivo dessa espécie em termos agronômicos, ambientais, sociais, econômicos, etc. Mas, como em tudo na vida, a natureza sempre impõe uma contrapartida: a colheita da cana crua, sem queima do palhiço, gera uma grande quantidade de resíduos que é deixada sobre o solo, e isso tem implicações biológicas e agronômicas. Na verdade, o que se observa é que a história se repete: quando o Sistema de Plantio Direto de grãos (soja, trigo, milho, etc.) começou a se expandir no Brasil, as manchas foliares também se expandiram e aumentaram de intensidade. Os fitopatologistas então alertaram: com os restos culturais mantidos sobre o solo, as plantas terão mais doenças foliares. Os fitotecnistas, por sua vez, justificaram (e estavam certos): é necessário reduzir o revolvimento do solo, pois as vantagens superam os desafios. E hoje todos colhem os frutos dessa acertada escolha.

O mesmo comportamento se espera (e tem sido observado) com relação à colheita mecanizada da cana-de-açúcar, já que os restos culturais ficam no ambiente. Apesar do revolvimento do solo ainda ser necessário para a operação de plantio das mudas, a lavoura passa por um período de vários anos (socas) com expressiva quantidade de restos culturais dos cortes anuais deixados sobre o solo. Estes restos culturais abrigam fungos necrotróficos (que se alimentam de tecido vegetal em decomposição) e servem, assim, de fonte de inóculo de doenças, principalmente as causadoras de manchas foliares, para as próximas brotações das plantas. Mas novamente aqui, a manutenção, ao menos parcial, dos restos culturais no solo “é necessária”, e o aumento da incidência e severidade de doenças, como já destacado pelos colegas da Embrapa Meio Ambiente (Comunicado Técnico 53, 2016), é um dos desafios que devem ser enfrentados.

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