Impacto no bolso

  • Página 48 |
  • Jan 2019 |
  • Fernando S. Adegas, Dionísio L. P. Gazziero, Embrapa Soja Leandro Vargas, Embrapa Trigo Décio Karam, Alexandre Ferreira da Silva, Embrapa Milho e Sorgo Dirceu Agostinetto, Universidade Federal de Pelotas

Uma das principais consequências da resistência de plantas daninhas a herbicidas reside no aumento dos custos de controle, o que normalmente não é abordado nas publicações científicas sobre o tema, mas é de grande importância para o setor produtivo. 

Nos sistemas de produção de grãos do Brasil, especialmente no da cultura da soja, o impacto da resistência de plantas daninhas a herbicidas pode ser dividido em duas fases. A primeira refere-se ao período de 1993 até meados dos anos 2000, caracterizada pela ampla e massiva utilização dos herbicidas inibidores da enzima acetolactato-sintase – ALS. Esses herbicidas possuem, como características positivas, elevada eficiência no controle de plantas daninhas dicotiledôneas, especialmente o picão-preto e o leiteiro (amendoim-bravo). Por outro lado, os inibidores da ALS possuem, como característica negativa, alta probabilidade de seleção de biótipos de plantas daninhas resistentes, cujos primeiros casos foram observados no Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, com rápida disseminação para as demais regiões produtores de grãos do país. 
Nessa época, o custo médio atualizado de controle nas áreas sem problema de resistência era de R$ 62,57, variando entre R$ 46,53 e R$ 78,60 por hectare. Nas áreas com problemas de resistência houve a necessidade de se utilizar herbicidas com mecanismos alternativos, o que elevou o custo médio do controle para R$ 285,98 por hectare (incremento médio de 357%). 
A situação brasileira de resistência de plantas daninhas a herbicidas na cultura da soja convencional, em meados dos anos 2000, era considerada pelos produtores como insustentável, devido às dificuldades de controle, o alto custo e a baixa eficiência dos mecanismos de ação dos herbicidas disponíveis contra as espécies resistentes. A solução para esse problema ocorreu com a introdução da soja transgênica resistente ao herbicida glifosato, conhecida como soja Roundup Ready ou soja RR. A tecnologia RR oportunizou a utilização do glifosato em pós-emergência da soja, com controle eficiente das espécies resistentes aos inibidores da ALS. 
No entanto, o uso intensivo do glifosato acarretou grande pressão de seleção sobre as plantas daninhas, resultando na seleção de sete espécies daninhas resistentes: o azevém (Lolium multiflorum), a buva (Conyza bonariensis, C. canadensis, C. sumatrensis), o capim-amargoso (Digitaria insularis), o caruru-palmeri (Amaranthus palmeri) e o capim pé-de-galinha (Eleusine indica). A resistência ao glifosato é considerada a segunda fase de resistência de plantas daninhas no Brasil. Azevém, buva e capim-amargoso são as três plantas daninhas mais dispersas pelo território nacional.
Os principais custos da resistência relacionam-se à necessidade do uso de herbicidas alternativos e às perdas de produtividade causadas pela competição das plantas daninhas resistentes e remanescentes na lavoura. O custo com herbicidas alternativos varia de acordo com a opção adotada pelo produtor, uma vez que, na maioria das vezes, há mais de uma alternativa de produto para uso no manejo das populações de invasoras resistentes.

Seja assinante e leia a matéria na íntegra

Matérias da Edição:
  1. Página 4

    Em movimento

  2. Página 10

    Clima x Manejo

  3. Página 17

    Voltou para ficar

  4. Página 32

    Teias de proteção

  5. Página 36

    Duas em uma

  6. Página 40

    Peste laranja

  7. Página 44

    Como interagem

  8. Página 56

    Lagartas em alta

Edição Anterior
  • N 235

    Dez 2018

    Sob pressão da ferrugem asiática

Próxima Edição
  • N 237

    Fev 2019

    Hora certa de manejar percevejos