Mudas irrigadas

  • Página 40 |
  • Fev 2019 |
  • Augusto Yukitaka Pessinatti Ohashi, Regina Célia de Matos Pires, Mauro Alexandre Xavier, Cássia Morilha Lorenzato Sanches Ruy e Rômulo Henrique Petri, IAC

Como minimizar perdas de água e utilizar de modo eficiente as diferentes possibilidades de manejo de irrigação de mudas pré-brotadas (MPB) na cultura da cana-de-açúcar  


O sistema de produção de Mudas Pré-Brotadas (MPB) consiste em tecnologia para a produção em tempo reduzido, com elevado padrão de sanidade, vigor e uniformidade e, consequentemente, reduzir falhas no plantio e diminuir a quantidade de colmos necessária para plantio mecanizado. Este sistema consiste em três fases de cultivo: brotação, aclimatação fase 1 e aclimatação fase 2 (fase de rustificação). A aclimatação 1 é conduzida em cultivo protegido com o objetivo de permitir o rápido desenvolvimento das mudas. Na aclimatação 2, as mudas são expostas a pleno sol, para rustificação antes do transplantio no campo.

A irrigação é prática necessária em todas as fases do sistema de produção de MPB. No entanto, considerando-se a crescente demanda pelo uso da água dos setores da sociedade, é necessário que o manejo da irrigação seja eficiente para produção de mudas com qualidade e com economia no uso da água.
A quantidade de água a ser aplicada pelo sistema de irrigação depende de vários fatores: clima (temperatura, radiação, velocidade do vento, umidade relativa, chuva), cultura (cultivar, área foliar, estádio de desenvolvimento, práticas culturais), ambiente de cultivo (substrato, características estruturais e ambientais do cultivo - protegido ou não), dentre outros fatores.
Há grande diversidade e complexidade de sensores para monitoramento do clima, desde termômetros até estações meteorológicas automáticas com coleta de vários elementos do clima com oferta de dados em tempo real ou não. A estimativa da demanda hídrica da atmosfera pode ser feita com o uso de estações meteorológicas, que podem ser instaladas dentro ou fora do ambiente protegido. 
Além do monitoramento do clima, outras opções são possíveis, como estimativa do consumo de água das mudas por medidas de massa, pelo controle de volume aplicado e percolado e monitoramento da água no substrato. Na produção de MPB, em que as mudas são cultivadas em tubetes, uma das alternativas que podem ser adotadas para melhorar o manejo de irrigação consiste no monitoramento do volume de água percolado (perdido) após a irrigação. Para isto, é necessário conhecer a lâmina de irrigação aplicada e a lâmina percolada.
A taxa de aplicação de água é dependente do sistema de irrigação utilizado. Quando o sistema é de aspersão fixa, é preciso conhecer a taxa de aplicação do sistema e com isto estima-se a lâmina aplicada baseando-se no tempo de funcionamento. Para conhecer a taxa de aplicação do sistema colocam-se coletores em nível e na mesma altura em que as mudas são dispostas no sistema de produção. Após isto, liga-se o sistema por tempo determinado e mede-se o volume de água dos coletores. Para estimativa do tempo de irrigação há necessidade de atenção ao período demandado para atingir o equilíbrio hidráulico e o tempo em que normalmente as irrigações são realizadas no ambiente de cultivo. Dividindo-se o volume (em litros) medido em cada coletor pela área (em m²) do coletor, tem-se a taxa de aplicação em milímetros para o tempo em que o sistema funcionou.
Com a irrigação realizada por aspersão com barra móvel, a lâmina de irrigação aplicada depende da velocidade de deslocamento da barra. Assim, ao se coletar o volume em diferentes velocidades, obtém-se equação em que ao se inserir o valor de lâmina de irrigação desejada, obtém-se a velocidade de deslocamento da barra a ser utilizada (Figura 1). Neste tipo de sistema de cultivo para avaliação da taxa de aplicação de água do sistema e também para estimar a uniformidade de distribuição de água, os coletores podem ser dispostos de diferentes formas, considerando as posições das mudas no sistema de produção.
A instalação de coletores que podem ser adaptados abaixo das bandejas de mudas possibilita avaliação da ocorrência ou não de percolação após irrigação e da lâmina de água drenada. Estes coletores podem ser confeccionados a partir de diferentes materiais e dimensões, mas é preciso atenção para que fiquem adequadamente fixados à bandeja na qual foram instalados e que não ocorram vazamentos. 

Seja assinante e leia a matéria na íntegra

Matérias da Edição:
  1. Página 12

    Vetor de doenças

  2. Página 15

    Safrinha maiúscula

  3. Página 20

    Gigantes da soja

  4. Página 24

    Arranjo lucrativo

  5. Página 28

    Na hora certa

  6. Página 38

    Controle eficaz

Edição Anterior
  • N 236

    Jan 2019

    Especial 2018: Manejo vencedor

Próxima Edição