Na hora certa

  • Página 28 |
  • Fev 2019 |
  • Jurema Fonseca Rattes UNI-RV – Universidade de Rio Verde Agro Rattes Gilvane Luis Jakoby Agro Rattes

Por que monitorar de modo correto as lavouras de soja é fundamental para definir o momento adequado de aplicação de inseticidas contra percevejos, insetos sugadores cuja incidência aumentou de modo substancial nos últimos anos

Atualmente, o Brasil está com 36,1 milhões de hectares cultivados com soja (Conab, 2018) e segundo o IBGE (2018), 65% destas áreas são cultivadas com a soja Intacta (biotecnologia Bt). A adoção desta tecnologia proporcionou excelente controle nas principais espécies de lagartas desfolhadoras que atacam a cultura, exceto as lagartas do gênero Spodoptera. E neste novo cenário, observou-se uma redução no monitoramento das pragas na cultura da soja e diminuição do número de aplicações de inseticidas. Esta mudança tem favorecido um aumento substancial de insetos sugadores no sistema, como o complexo de percevejos (Euschistus heros, Piezodorus guildinii, Dichelops melacanthus, Edessa meditabunda, mosca branca (Bemisia tabaci, raça B), ácaros, tripes e coleópteros.  

Outro fator que tem afetado a população e o comportamento das pragas é a maior utilização do solo em algumas regiões do Brasil, onde é possível realizar até três cultivos por ano (safra, safrinha e cultivos irrigados). Associado à expansão do plantio direto no cerrado, estes insetos se adaptaram a diferentes hospedeiras  alternativas e atualmente pertencem  ao sistema, sobrevivendo e se reproduzindo em diversas culturas no verão, safrinha, plantas tigueras e espécies usadas em cobertura como milheto e  crotalária.
Dentre as pragas da cultura da soja, os percevejos fitófagos representam o grupo mais importante, devido a seus hábitos alimentares e à sua alimentação ocorrer diretamente nos grãos e vagens, causando diferentes tipos de danos e prejuízos ao produtor desde a formação das vagens, enchimento de grãos, até o momento da colheita. 
Várias são as espécies de percevejos fitófagos que ocorrem nessa cultura. As espécies de maior frequência e importância econômica são Euschistus heros (percevejo-marrom) e Piezodorus guildinii (percevejo-verde-pequeno). 
É muito importante conhecer a bieoecologia dos percevejos, como seu comportamento, os hábitos nas diferentes fases de desenvolvimento (ninfas e adultos) do inseto, a dinâmica populacional e a preferência alimentar para as tomadas de decisões no manejo, para reduzir as populações nas culturas subsequentes, e nas próximas safras, assim como compreender o aumento substancial de suas populações nos últimos anos.
No período de entressafra, estes insetos se protegem em áreas de reservas (refúgios) em plantas daninhas e hospedeiras alternativas, em busca de umidade para sobrevivência. Após a semeadura e emergência da soja, chegam à cultura, ainda na fase vegetativa, pelas bordaduras dos talhões. Dependendo desta população, justifica-se realizar o controle nestas áreas, utilizando inseticidas de choque, porque são insetos adultos, mais expostos e de fácil alvo, sendo mais fácil de serem controlados. Independentemente da necessidade de realizar este controle de bordadura, o produtor tem que ter consciência, que os talhões mais próximos às áreas de refúgios (mata, nascentes e cerrados) serão os que irão receber as primeiras populações de percevejos (colonizadores).
Em geral, a presença dos percevejos na cultura da soja  está diretamente relacionada a vagens nas plantas, cujo período entre o começo da frutificação e o ponto de acúmulo máximo de matéria seca no grão é o de maior sensibilidade da soja ao ataque desses insetos sugadores. Entretanto, atualmente, com o uso mais intensificado de cultivares de hábito indeterminado, em que a soja começa o período de florescimento próximo aos 30 dias de emergência, é notório verificar a presença destes percevejos mais cedo nas lavouras. Em populações elevadas podem ser observadas ainda no período vegetativo da cultura, fato que tem gerado muitas dúvidas aos produtores quanto à necessidade de se realizar o manejo ainda na fase vegetativa.
Dados científicos demostram que na fase de desenvolvimento vegetativo até a floração, os percevejos não causam danos à cultura da soja. No entanto, frente às elevadas populações de percevejos observadas nas últimas safras no período vegetativo, merece atenção especial, principalmente por parte da pesquisa, a fim de acompanhar a evolução da praga na lavoura, neste pequeno espaço de tempo, nestes materiais de hábito indeterminado. No vegetativo, a colonização ocorre principalmente por percevejos velhos, em fase final de seu ciclo biológico e com baixa atividade alimentar e reprodutiva. Por falta de alimento preferencial (os grãos), as ninfas não conseguem chegar à fase adulta, pois geralmente morrem antes do período crítico, não causando danos à cultura. 

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Matérias da Edição:
  1. Página 12

    Vetor de doenças

  2. Página 15

    Safrinha maiúscula

  3. Página 20

    Gigantes da soja

  4. Página 24

    Arranjo lucrativo

  5. Página 38

    Controle eficaz

  6. Página 40

    Mudas irrigadas

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  • N 236

    Jan 2019

    Especial 2018: Manejo vencedor

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