Severidade quantificada

  • Página 26 |
  • Jan 2019 |
  • Augusto César Pereira Goulart, Embrapa Agropecuária Oeste

A importância de escala de notas ilustrada, simples e precisa para avaliação de lesões de Rhizoctonia solani em plântulas de algodão, soja e feijão 

Doenças causadas por fungos de solo impactam quase todas as culturas. Entretanto, aquelas que ocorrem na fase inicial de desenvolvimento das plântulas são um dos maiores problemas mundialmente (Goll et al, 2013; Zeun et al, 2013). Quando as condições no campo são favoráveis à sua ocorrência, as perdas no estande e, consequentemente, no rendimento de grãos, podem ser significativas (Rizvi e Yang, 1996). De maneira geral, os danos causados nessa fase de estabelecimento da lavoura estão relacionados à redução da população de plântulas (apodrecendo as sementes antes da germinação - tombamento de pré-emergência - ou causando a morte das plântulas - tombamento de pós-emergência), à ocorrência de mela e também de podridão da haste e das raízes (Dorrance et al, 2003; Goulart, 2007a, 2007b, 2010; Malvick, 2017; Rizvi; Yang, 1996).
Baseado em critérios de importância, patogenicidade, ocorrência e danos, dentre os patógenos de solo que atacam as culturas do algodão, feijão e soja no Brasil, o fungo Rhizoctonia solani Kuhn, grupo de anastomose (AG)-4 (teleomorfo: Thanatephorus cucumeris (A.B. Frank) Donk), é considerado o mais importante, pela frequência que ocorre, pelo fato de estar presente na maioria dos solos e em diferentes condições de clima e, consequentemente, pelos danos que causa na fase inicial de estabelecimento da lavoura (Goulart, 2005; 2010). Este fungo é o principal agente causal da doença conhecida como tombamento de plântulas, amplamente disseminada no Brasil (Bianchini et al, 1997; Goulart, 2007b, 2016; Sartorato et al, 1987). Este patógeno, habitante natural do solo, provoca o tombamento tanto na pré quanto na pós-emergência, levando à redução da população de plantas.
R. solani é um fungo polífago, pois ataca um grande número de espécies vegetais. Os sintomas nas plântulas se caracterizam pelo estrangulamento do colo, bem como pelo aparecimento de lesões circulares marrom-avermelhadas, tanto nas raízes quanto no hipocótilo, tornando-se alongadas e deprimidas (Goulart, 2017b; 2016; Zambolim et al, 1997). Essas plântulas geralmente tombam em um período compreendido entre a pré-emergência e dez dias a 15 dias após a emergência (Goulart, 2010; 2016). A planta adulta atacada por R. solani desenvolve apodrecimento seco das raízes, estrangulamento do colo e lesões deprimidas e escuras (marrom-avermelhadas), abaixo e ao nível do solo, resultando em murcha, tombamento ou sobrevivência temporária com emissão de raízes adventícias acima da região afetada (Goulart, 2007b; Harper, 2012). Para se ter uma ideia da importância que esta doença assume, as perdas em produção, devido à sua ocorrência, são significativas. Resultados obtidos nos Estados Unidos por Tachibana (1968), citado por Dorrance et al (2003), demonstraram perdas no rendimento de grãos da soja da ordem de 50% devido ao ataque deste patógeno. Segundo McLean e Gazaway (2000), nos EUA, em 1995, estimou-se uma redução na produtividade do algodoeiro, devido às doenças iniciais, da ordem de 180 mil toneladas, com estimativa de perdas de 2,8% ao ano. No caso do feijoeiro, acarreta perdas no rendimento que variam de 10% a 60%, quando atua formando complexo com outros patógenos de solo, conforme relatos de Zambolim et al (1997). Não foram levantados dados desta natureza no Brasil, considerando as culturas de soja, algodão e feijão.

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