Tamanho do prejuízo

  • Página 52 |
  • Jan 2019 |
  • José Ednilson Miranda e Sandra Maria Morais Rodrigues, Embrapa Algodão

O sucesso da cotonicultura no Cerrado brasileiro não ocorre por acaso e sem percalços. Para garantir sua alta produtividade, que coloca o Brasil como o país mais eficiente na produção de algodão no sistema de sequeiro, o manejo da cultura é oneroso e complexo. Um dos grandes desafios continua sendo o potencial destrutivo da principal praga da cultura, o bicudo. 

Pelos dados das últimas quatro safras, a infestação média de bicudo nas lavouras do Centro-Oeste chegou a 8% na safra 2014/2015, mas baixou para 4% na safra passada (Figura 1). Na prática, significa dizer que os esforços de controle realizados pelos produtores nos últimos anos têm gerado bons resultados, mas o inseto continua presente e causando prejuízos à produção de pluma.
Somente o custo do bicudo, devido aos gastos com controle e às perdas ocasionadas, ultrapassa 200 dólares por hectare (Figura 2). Por estes números, considerando um custo médio de produção de algodão da ordem de aproximadamente 2.300 dólares por hectare, calcula-se que o impacto econômico da presença do bicudo nos algodoais brasileiros corresponde a quase 10% do custo de produção da cultura.
Pulverizações com inseticidas são a principal ferramenta de controle do inseto, sendo utilizadas entre 18 vezes e 23 vezes por safra (Figura 3) e, mesmo assim, perdas ainda são registradas. 
Por que, mesmo com tanto esforço, o bicudo continua sendo tamanho problema? Apesar do grande número de pulverizações realizadas a cada safra, com seu enorme impacto econômico e ambiental, os dados apresentados demonstram a fragilidade do manejo dessa praga. Somente os adultos do inseto podem ser atingidos pelos inseticidas; ovos, larvas e pupas ficam protegidos no interior dos botões florais do algodoeiro. Se o monitoramento falhar, a detecção tardia da praga na lavoura dará tempo suficiente para que as fêmeas ovipositem seus ovos nas estruturas da planta de algodão, antes que o inseticida as controle. Mesmo que o controle químico dos adultos seja efetivo, uma nova geração da praga estará se formando e um novo surto do inseto na lavoura fatidicamente ocorrerá cerca de duas semanas depois.

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