Test Drive com Tratores Hortifruti

  • Página 22 |
  • Jul 2020 |
  • Revista Cultivar

A produção de hortaliças e frutas exige tratores bem projetados, que consigam realizar atividades em espaços reduzidos e muitas vezes em terrenos acidentados. E foi nestas condições que acompanhamos o desempenho dos tratores U60 Cabinado, o R65 Cabinado e o R50 Plataformado em operação na Serra Gaúcha

Mesmo com toda a ameaça que representa o coronavírus, a produção agrícola segue em marcha, produzindo alimentos para a população. Neste momento em que a economia sofre, o campo é que sustenta e contribui para que não se agrave ainda mais o estado atual. As recomendações de cuidados para evitar a disseminação do vírus têm sido objeto de medida dos governantes e a população de outra parte, em distanciamento, sofre e preocupa-se com a hipótese do desabastecimento, que graças ao contínuo trabalho dos produtores rurais não ocorreu.

Com isto posto, a Revista Cultivar Máquinas, tomando todos os cuidados necessários, deslocou-se até a região da Serra gaúcha para acompanhar o trabalho mecanizado da atividade de produção de hortaliças e frutas, com clientes da marca LS Tractor. Utilizamos continuamente as máscaras, mantivemos o distanciamento recomendado de 1,5 metro, evitamos os cumprimentos e inserimos o álcool gel como elemento higienizador durante todos os movimentos de entrada e saída das propriedades. Além disso, não compartilhamos o mesmo veículo, viajando três pessoas em três carros, durante todo o dia. No final de cada visita evitamos a tradicional foto, com os produtores, utilizada pela revista nos testes.

Durante o intenso dia de trabalho avaliamos de forma contextualizada três modelos de tratores da marca LS, o U60 Cabinado, o R65 Cabinado e o R50 Plataformado.

Trator LS U60 Cabinado

Acompanhamos a utilização do trator LS modelo U60 Cabinado, na localidade de Nova Palmira, Distrito de Vila Cristina, no município de Caxias do Sul, onde na propriedade da família Papke são cultivados 24 hectares de área exclusivamente com hortaliças. A família de origem alemã, assim como a maioria da região, nos recebeu para contar da sua experiência com este novo trator e mostrar sua intensa rotina de trabalho.

Fomos recebidos pelo produtor Rodrigo Papke, que trabalha com o pai Helio Papke, a mãe Hermínia Papke e a esposa Tatiana Papke, em uma área situada ao lado da rodovia estadual RS-452, que liga Caxias do Sul a Vale Real, cidade próxima à residência da família. 

Em uma área totalmente plana, entre a estrada e o Rio Caí, a família produz culturas folhosas no inverno, como repolho, alface, chicória, que são plantadas em fevereiro e colhidas agora. Também cultiva plantas como o pimentão e a abobrinha, que são plantadas daqui a até agosto e colhidas no início do verão. Na entressafra ainda se produz o milho, que é usado apenas para o consumo próprio na produção de animais, como galinhas e porcos, mas que obriga o uso da mecanização para desmanchar canteiros com enxada rotativa, a semeadura e os tratos culturais. A colheita do milho é feita com uso de uma colhedora de uma linha acoplada ao trator.

Mas é quando sai o milho, em fevereiro, que começam a temporada de verduras e um intenso trabalho de montagem de novos canteiros e transplantio de mudas, onde o trabalho braçal se mostra mais pesado.  

O modelo U60 Cabinado é utilizado no cultivo de hortaliças durante o outono e inverno e no cultivo de milho na mesma área no período de verão

A chegada do trator LS modelo U60 Cabinado na propriedade representou, segundo o produtor Rodrigo, uma mudança radical, principalmente no que se refere ao conforto. Ele nos contou que conheceu o trator por meio de uma demonstração feita pelo concessionário que atende a região, a um dos seus vizinhos. A decisão de compra, há seis anos, veio instantaneamente pelo Programa Mais Alimentos. A razão principal da aquisição e principalmente pela versão Cabinada foi para atender a aplicação de produtos químicos de proteção aos cultivos. 

O modelo U60 utiliza motor da marca LS, modelo L4AL-T1-Tier 3, de quatro cilindros, com 2.500cm3 e turbocompressor, com quatro válvulas por cilindro, que desenvolve 65cv de potência na rotação nominal de 2.500rpm pela norma ISO TR 14396. O torque máximo é de 203Nm a 1.600rpm.

A transmissão deste modelo é sincronizada, denominada Synchro Shuttle, de 32 marchas à frente e 16 à ré com super-redutor (creeper) e reversor mecânico. A tomada de potência (TDP) é independente, com acionamento eletro-hidráulico em três rotações, 540/750/1.000 rpm. A rotação de 750rpm pode ser utilizada como TDP econômica. O eixo dianteiro é motriz, com acionamento mecânico. 

Raio de giro e reversor são as duas principais vantagens do trator, citadas pelo produtor de hortaliças

O sistema hidráulico de três pontos é da categoria II e tem vazão total de 55 litros por minuto. A pressão máxima do sistema é de 167kgf/cm2 e a capacidade de levante na rótula chega a 2.200kgf, na versão opcional. São duas as válvulas de controle (VCR) na versão standard e três como opcional, com vazão máxima de 36,4 litros/minuto.

O teste de campo foi feito na operação de montagem dos canteiros. Primeiramente, o produtor nos contou que no verão, após a retirada do milho são utilizados um escarificador e uma enxada rotativa para mobilizar o terreno e é feita uma adubação química e orgânica, com esterco de cama de frango. A montagem da estrutura do canteiro ele nos mostrou com uma enxada rotativa, com canteirador da marca MEC-RUL. As dimensões que vimos na montagem são de um canteiro de 1,20m de largura e 30cm de altura, que acaba por consolidar-se com dimensão final de 1m e altura de 20cm. Este canteiro é usado tanto para as culturas que exigem cobertura de plástico ou não. 

Vimos durante a operação, que ao trator se exige vão livre para não tocar o canteiro e torque no motor para o acionamento da enxada rotativa, a tração e o esforço que os defletores laterais fazem na montagem da estrutura. Além disto, vimos como é importante a presença neste trator do super-redutor, que possibilita o trabalho a baixíssimas velocidades, que inclusive permite a formação de drenos, tão necessários nestas áreas planas, com horticultura.

Conversando com a família Papke, vimos muita satisfação e a importância que teve esta aquisição há seis anos. O trator, que agora está com 458 horas, passou a ser o responsável pelas atividades principais e as mais qualificadas. É o trator dos tratamentos fitossanitários e da colheita do milho, mas também monta os canteiros e atende outras necessidades.

Rodrigo Papke produz hortaliças numa área de 24 hectares, que rotaciona com milho

Rodrigo nos explicou que somente ele e seu pai utilizam o trator e para ele só há elogios. Eles consideram que as maiores vantagens são o reversor de sentido, pois é utilizada apenas uma marcha para frente ou ré, e o reduzido raio de giro, que auxilia nas manobras nos pequenos espaços entre os canteiros, permitindo que se saia de um canteiro e já entre no seguinte. Isto, segundo eles, provoca menos perda de tempo em relação aos tratores que utilizaram anteriormente. Quanto à manutenção, o produtor explicou que não houve nenhuma manutenção inesperada e somente foram feitas as trocas de óleo e filtros. 

Finalmente sobraram elogios para a cabine, que para Rodrigo é muito cômoda e fácil de entrar, e também ao condicionador de ar. Disse-nos que ela veda muito bem a poeira e evita a entrada de produtos químicos durante as aplicações, mantendo a segurança e o conforto do operador. Para eles este é um atributo importante.

Trator LS Modelo R65 Cabinado

O modelo R65 em aplicação de cobre na cultura de pera

Saindo da horticultura, fomos conhecer uma família de origem italiana produtora de frutas, na localidade de Vila São Roque, Distrito de Fazenda Souza, no município de Caxias do Sul, direção Leste, pela rodovia RS-453, conhecida como Rota do Sol. Lá, fomos recebidos pela família Cantelle, proprietária de um trator LS modelo R65 Cabinado. Estavam trabalhando na produção de caqui, pera e ameixa o proprietário, senhor Antonio Cantelle, sua filha Aline Cantelle Castilhos e o esposo dela, Francis Castilhos. Embora não estivesse na lavoura no dia da nossa visita, Neiva Josefina Scariot Cantelle, esposa do senhor Antonio, igualmente trabalha na produção. A família, que é natural do local, trabalha com frutas há muitos anos e o jovem casal há 15 anos assumiu a responsabilidade de herdar os costumes e o trabalho da família.

Encontramos a Aline podando as plantas de caqui juntamente com o seu pai, enquanto que o Francis trabalhava com o trator na aplicação de cobre sistêmico, no caqui, para o controle da antracnose.

A família administra dois pomares, o primeiro na localidade de Vila São Roque, onde esteve a equipe da Cultivar Máquinas, e o outro menor, que está próximo da residência da família, a poucos quilômetros do primeiro. São dez hectares de área total, sendo que aproximadamente oito são destinados à produção frutífera, com estas três culturas. 

A rotina de trabalho na atividade é bastante intensa. Nos meses de inverno são feitas podas e os tratamentos fitossanitários até o mês de agosto. Quando começam a primavera e a florada são feitos tratamentos específicos, e quando aparecem os frutos há que se proceder no raleio, para incrementar a qualidade das frutas que permanecem. No início do verão começa, primeiro, a colheita da ameixa, estendendo às demais culturas até chegar ao final com a colheita do caqui, que encerrou-se há pouco tempo. A operação de colheita demanda auxílio de trabalhadores externos, sendo uma atividade muito dependente de esforço físico e longas jornadas, às vezes com clima muito frio, devido à localização geográfica da região.

A família é cliente LS desde o ano passado, quando adquiriu este modelo, R65, por meio do Programa Mais Alimentos. Antes, era cliente de outra marca, da qual tem mais três tratores. Depois da sua chegada, o novo trator ficou destinado às tarefas mais nobres e os mais antigos ficaram encarregados das atividades mais rústicas como trituração de restos de poda e roçada da vegetação.

Pomar de caqui exige tratores estreitos com bom raio de giro

O motor que equipa este modelo é da marca LS, modelo L4AL T1- Tier 3, tem quatro cilindros, com 2.621cm3 e 16 válvulas, com turbocompressor, que produz uma potência máxima de 65cv a 2.500rpm (norma ISO TR 14396) e torque máximo de 203Nm a 1.600rpm.

A transmissão sincronizada Synchro Shuttle oferece 32 marchas à frente e 16 à ré com super-redutor (creeper). A tomada de potência (TDP) é independente, com acionamento eletro-hidráulico com três velocidades, 540/750/1.000rpm. O eixo dianteiro é motriz com acionamento mecânico.

O sistema hidráulico tem vazão total de 46,8 litros/minuto e no sistema de engate em três pontos de categoria II alcança pressão máxima de 167kgf/cm2, com capacidade de levante de até 2.100kgf na rótula, como opcional. O controle remoto é independente com duas válvulas de controle remoto na versão standard e três como opcional, com vazão máxima de 31,2 litros/minuto.

Para vermos o trator LS R65 no trabalho, nos deslocamos até a área de caquizeiro onde o Francis, esposo da Aline, estava aplicando cobre sistêmico com um pulverizador da marca Jacto, modelo Arbus 1000 turbo, nas plantas de caqui. 

Durante a avaliação, Francis nos contou que trabalhou muitos anos como industriário e que há apenas 15 anos tornou-se agricultor e por isto se considera um pouco diferente dos outros produtores. Ele faz análise da operação e conhece muito bem os sistemas mecânicos e trata de interpretar as respostas da máquina. Disse também que faz avaliação do trabalho e mede parâmetros de desempenho, como o consumo de combustível. Relatou que o trator LS R65 nas suas condições particulares de utilização, dotado de cabine e com o condicionador de ar ligado, foi avaliado por ele em duas condições distintas de trabalho. 

Na aplicação de produtos químicos com turboatomizador, com o ar-condicionado ligado, na rotação padrão de 540rpm na tomada de potência (TDP) o consumo de diesel foi ao redor de 4,5 litros por hora, e quando ele utilizou 750rpm, considerada uma TDP econômica, obteve valores aproximados de 3,5 litros por hora. Mas, segundo ele, o relevo e as condições do terreno nem sempre permitem o uso da rotação econômica e isto o produtor deve controlar e entender.

Quando lhe perguntamos sobre quais eram suas impressões sobre o trator que havia sido adquirido pela família, ele explicou que, desde o início, a motivação para a aquisição era ter um equipamento que aplicasse os tratamentos fitossanitários com segurança ao operador, por isto a opção pela cabine. Mas, como técnico, ele disse que também foram pensados os aspectos dimensionais e quais os opcionais a escolher.

Depois que iniciaram o uso do equipamento na propriedade, vários aspectos positivos foram descobertos. Um deles é a cabine, que, segundo ele, é de nível superior, proporcionando conforto - principalmente pelo condicionador de ar - e segurança, pois sendo ela pressurizada, impede a entrada de ruído, pós e líquido em suspensão das aplicações.

Contou-nos que inclusive o silêncio interior possibilita que ele possa fazer e receber chamadas pelo telefone móvel, além de poder trabalhar sem os incômodos equipamentos de proteção individual. 

Com esta comodidade houve acréscimo de qualidade de vida e sobrou mais tempo para a família, pois consegue fazer os tratamentos durante uma jornada de trabalho, que antes levava mais de um dia.

Como curioso e criativo, fez algumas movimentações de acessórios, como espelhos laterais e sinaleiras do trator, e estreitamento dos difusores do pulverizador para diminuir a largura total do conjunto e adaptar-se ao formato de taça invertida (ou vaso aberto) utilizado tradicionalmente no caquizeiro e que torna difícil a mecanização. Nas plantas mais jovens já se está tomando medidas de podas no sentido de liberar espaço de movimentação das máquinas. 

Também foi mencionado pelo produtor que após 95 horas, neste quase um ano de uso, uma das maiores vantagens vista é a manobrabilidade. Ele acha que, devido ao reduzido raio de giro e à distribuição de peso, o trator ficou ágil e estável. A transmissão também ajuda neste aspecto, pois se pode selecionar a marcha ideal para a velocidade escolhida e ao final dos trajetos utilizar o reversor. Utilizando o seu conhecimento prévio, Francis explicou que fez um comparativo entre o trator utilizado anteriormente e este e concluiu que só em aproveitamento do tempo com manobras ele passou a ganhar uma hora ao dia.  

Aline e Francis produzem pera, caqui e ameixa

No seu entender, o grande número de marchas presente neste modelo LS exige que o usuário avalie as condições de trabalho, principalmente a declividade e o equipamento que está sendo utilizado. O produtor também tem que evoluir junto com as máquinas.

Ressaltou um opcional importante que foi adquirido, o sistema de proteção eletrônica do motor, que dá tranquilidade ao usuário de que tudo esteja bem com o motor durante a operação. Este sistema monitora a temperatura do motor e o desliga completamente em caso de aquecimento dos líquidos de arrefecimento, evitando qualquer dano.

Trator LS Modelo R50 Plataformado

Tradicional cultura da Serra gaúcha, a videira não poderia ficar de fora da nossa avaliação. Fomos visitar um cliente da LS, proprietário de um modelo R50 Plataformado. Para isto nos deslocamos até a comunidade de Travessão Porto, município de Caxias do Sul, onde dois produtores da região, os cunhados Rogério Borth e Sergio Dall Alba, nos esperavam com a ajuda do Mateus, filho do Rogério. Eles mantêm uma parceria de mais de 20 anos, sendo que atualmente cultivam somente uva em quatro hectares em terra própria e mais dez hectares em parceria com outros produtores. A uva produzida é a bordô, adequada para vinho de mesa e suco. 

O sistema de produção da videira para produzir uva para suco e vinho na região Sul é bem tradicional. Utilizam o sistema de condução das plantas em latada, onde os ramos são conduzidos para uma treliça de arame horizontal situada a uma altura de entre 1,80m e 2m do solo e onde os ramos são atados a arames. Os postes de sujeição suportam a estrutura.

O fato de as máquinas necessitarem trabalhar sob este teto de plantas exige que os tratores sejam baixos, o que leva a não usarem cabines. Também devem ter pequena largura para deslocarem-se e manobrarem entre as fileiras de plantas que, em geral, são espaçadas a 2,5m, com plantas a cada 1,5m na fileira. O LS R50 tem 1,32m de largura mínima.

Mas mesmo com toda esta restrição de tamanho do trator e dos seus equipamentos, o motor deve ter potência necessária para trabalhar com os turboatomizadores, acoplados ao sistema hidráulico e à TDP, e devem ter condições de gerar a corrente de ar necessária para o transporte do produto que está sendo aplicado. 

A estabilidade do trator faz diferença quando o terreno é íngreme

Se não bastassem estas exigências, ainda deve ter estabilidade para deslocar-se nas enormes pendentes características da região, dependendo de um centro de gravidade baixo e bitola considerável. Também não se pode descuidar do vão livre, pois além das ondulações do terreno, há pedras no caminho que se deslocam dos patamares ou que, por seu tamanho, não podem ser retiradas. 

Durante o ano, as atividades de mecanização são bastante intensas. São diversas as aplicações de diferentes defensivos de proteção contra insetos e doenças e também muitas práticas mecânicas, como a distribuição de fertilizantes e limpeza de vegetação, com roçadeira. Atualmente, a cultura espera a próxima atividade, que é a poda, que tem início na metade do mês de julho.

No final do processo a colheita é feita manualmente e o transporte da uva à unidade de recebimento é feito em caminhão próprio da família, a granel, com a carroceria forrada com uma lona atóxica. 

Mas, tanto o Sergio como o Rogério nos explicavam que, para eles, a mecanização é a única forma de manutenção da produção desta cultura na região e a retenção das pessoas no campo. Dizem que há pouca renovação nas famílias produtoras e a maioria dos agricultores está velha, pois os jovens já não querem realizar atividades braçais e de muito esforço. Contaram que vários vizinhos acabaram abandonando a atividade, migrando para a cidade. 

Suas experiências como clientes LS se iniciaram com a visita a um vizinho que tinha um trator LS modelo G40, por ocasião de uma demonstração feita pelo concessionário local. Eles, que vinham de uma enorme decepção com o seu trator anterior, de outra marca, viram a oportunidade de terminar com a série de incômodos e manutenções inesperadas. Compraram através do Programa Mais Alimentos, no ano de 2017, um trator LS R60 de 56cv de potência máxima a 2.600rpm, que atualmente está com 1.318 horas. O processo de aquisição do modelo R50 foi na base da fidelização feita pelo concessionário e em outubro do ano o compraram, estando atualmente com 191 horas. 

Videiras com sistema de condução latada exigem tratores baixos

O trator LS modelo R50 utiliza um motor marca LS, modelo Tier III – S4QL, de quatro cilindros, com 2.505cm3 e aspiração natural, que desenvolve 44cv de potência na rotação nominal de 2.600rpm referenciados pela norma ISO TR 14396. 

A transmissão é sincronizada Synchro Shuttle de 32 marchas à frente e 16 à ré com super-redutor (creeper) e reversor mecânico. A tomada de potência (TDP) é independente, com acionamento eletro-hidráulico em três rotações, 540/750/1.000. A rotação de 750rpm pode ser utilizada como TDP econômica. O eixo dianteiro é motriz, com acionamento mecânico.  O sistema hidráulico tem vazão total de 47 litros por minuto, com engate de categoria II no sistema de três pontos. A pressão máxima é de 200kgf/cm2 e a capacidade de levante na rótula é de 1.800kgf. São duas as válvulas de controle (VCR) na versão standard e três como opcional com vazão máxima de 31 litros/minuto.

Para testar o LS R50 nos deslocamos para duas das áreas próprias da família com um turboatomizador modelo Bravo 400 do fabricante Vêneto Máquinas Agrícolas. A primeira área era excessivamente declivosa, talvez a maior declividade já alcançada em testes de máquinas da Revista Cultivar. A segunda, de mais recente abertura, estava melhor estruturada e era mais plana. Notava-se a grande dificuldade em manobrar o trator com o equipamento acoplado em um espaço tão pequeno e só a habilidade do operador dava conta de manobrar e deslocar-se nestas condições. Contaram sobre acidentes que ocorrem eventualmente na região por conta das condições dos terrenos.

Durante o teste, Sergio nos contou que na safra passada eles fizeram algumas medidas de consumo de diesel trabalhando com o modelo U60 e conseguiram apurar que os níveis de consumo horário ficam entre 1,9L e 2L por hora na atividade de pulverização.

Rogério e Sergio utilizam dois modelos na produção de uva

Desde o começo da visita já concluímos que há muita satisfação com a escolha de marca. Rogério nos dizia que, depois de outras experiências a sua opinião é de que o trator LS é completo. Ele também valoriza o peso adequado, que faz com que o trator seja estável, mesmo nas árduas condições da propriedade, e conclui que o ponto alto dos dois modelos é que eles possuem o reversor de sentido e a transmissão, que com seu maior número de marchas possibilita maior adaptação ao trabalho. Para ele também os bons freios ajudam na segurança. Como opcional importante eles destacam o sistema de proteção eletrônica do motor, instalado no R60, que desliga de forma automática o motor do trator, no caso de haver superaquecimento do líquido de arrefecimento ou queda da pressão do óleo. Para eles isto dá tranquilidade e evita gastos com reforma de motor.

Os cunhados concordam que talvez ele seja o único trator que tenha tantos recursos na categoria e faixa de potência e que os concorrentes oferecem produtos mais simples e com poucos recursos para adaptarem-se ao trabalho que a situação requer. 

Durante todo o dia de intensas movimentações e testes tivemos o valioso apoio da concessionária local, Trator Serra, e do gerente da loja matriz, de Caxias do Sul, Julio Cesar Carniel. Ele nos explicava que desde a abertura da loja, em abril de 2013, já foram vendidos perto de mil tratores e que a marca cresce a cada ano na região. A Trator Serra tem loja matriz em Caxias do Sul e postos avançados em Veranópolis e Vacaria.

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