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Ações externas já resultam em diminuição do greening

O controle externo do greening baseia-se na atuação sobre as fontes de inóculo localizadas do lado de fora dos pomares comerciais.

Avaliações feitas pelo Fundecitrus em fazendas localizadas em diversas regiões do cinturão citrícola mostram que as ações de manejo externo do greening levaram à redução da incidência da doença nessas propriedades. Em 2019, estudos da instituição já haviam relacionado o trabalho feito do lado de fora das porteiras à diminuição da captura de psilídeos, mas esse é o primeiro resultado do efeito das ações externas na diminuição do greening em pomares comerciais que possuem manejo interno rigoroso (veja os gráficos e análises abaixo).

“Conforme aumenta a eliminação de plantas de citros e murtas em um raio de cinco quilômetros ao redor das fazendas, ocorre a diminuição da incidência de greening, o que reforça a importância das ações externas como medida de controle da doença”, afirma o gerente-geral do Fundecitrus, Juliano Ayres. “Estudos em diversos países estão em andamento para aumentar a efetividade do manejo e dar mais alternativas aos citricultores, mas esse trabalho é o que realmente tem tido sucesso. Os resultados fortalecem as ações recomendadas pelo Fundecitrus e adotadas no cinturão citrícola”, diz.

Controle externo

O controle externo do greening baseia-se na atuação sobre as fontes de inóculo localizadas do lado de fora dos pomares comerciais, em um raio de cinco quilômetros. Para plantas de citros sem o manejo recomendado e murtas existentes em locais como quintais, calçadas, chácaras, ranchos, tanto na área rural como na área urbana, é feita a proposta de substituição gratuita por outras espécies frutíferas ou ornamentais, que não são atrativas ao psilídeo, inseto transmissor do greening.

Manejo externo e diminuição do greening

Os gráficos mostram a relação entre o avanço das ações de manejo externo (linha laranja) e a diminuição do índice de greening (linha verde):

“Além de observar que o aumento da eliminação de fontes de inóculo resulta na diminuição da incidência de greening, há uma tendência de redução da doença ao longo do tempo”, explica o engenheiro agrônomo do Fundecitrus Arthur Tomaseto, responsável pelas análises estatísticas. 

Sustentabilidade

O greening não tem cura, por isso medidas preventivas de manejo são tão importantes para o seu controle. De acordo com o engenheiro agrônomo do Fundecitrus Ivaldo Sala, as ações externas levam a ganhos a médio e longo prazo.

“A redução do greening se traduz em diminuição de perda de plantas doentes e também de queda de frutos, com manutenção da produtividade. Ao longo do tempo, isso representa a permanência de muitos citricultores na atividade”, comenta. “Outros benefícios são o aumento da longevidade dos pomares, que hoje é muito afetada pela doença, e maior segurança para a implantação de novos plantios”, avalia.

O pesquisador do Fundecitrus Renato Bassanezi destaca ainda que a diminuição da pressão exercida por áreas externas sem controle reflete-se na menor dependência do controle químico. “Em fazendas que eliminaram as fontes de contaminação em seu entorno, o número de pulverizações para controlar o psilídeo poderá ser reduzido, caminhando em direção a uma citricultura cada vez mais sustentável sob os aspectos econômico e ambiental”, prevê. “Por outro lado, vemos que aplicações frequentes muitas vezes não são suficientes para conter o avanço do greening em fazendas que não adotam as ações externas de manejo”, pontua.

Alta eficiência

A alta eficiência das ações externas no cinturão citrícola, com a substituição de 93% das plantas de citros sem controle e murtas encontradas em locais como pastagens, chácaras e calçadas, permitiu a diminuição da captura de psilídeos e, consequentemente, do greening. Para o engenheiro agrônomo do Fundecitrus Guilherme Rodriguez, o apoio da população foi decisivo.

“Nove em cada dez pessoas aceitam a troca de suas plantas, que são fontes de criação e contaminação para o inseto transmissor do greening, por outras frutíferas e ornamentais. Elas compreendem a importância social e econômica da citricultura, fonte de empregos e renda para tantas famílias e cidades”, comenta. “Além disso, com a doação de mudas, as ações externas estão contribuindo também para aumentar e revitalizar a arborização de muitos municípios”, completa Rodriguez.

Formação de grupos

O trabalho de manejo externo, intensificado pelo Fundecitrus em 2018 e realizado em parceria com citricultores, percorreu, de agosto de 2018 a maio de 2020, mais de 1,4 milhão de hectares do parque citrícola. Mais de 800 mil plantas já foram substituídas.

Em muitos locais, a formação de grupos envolvendo diversos citricultores viabilizou ou aumentou a eficiência das ações, pois é possível contar com maior número de pessoas contribuindo e, assim, expandir o raio de atuação, além de dividir custos.

Depoimentos: por que fazer o manejo externo?

ANDRÉ LUIZ TEIXEIRA CRESTE

Diretor agrícola da Agro São José – fazendas em Ubirajara, Bariri, Pirajuí e Santa Cruz do Rio Pardo (SP)

As ações externas começaram em 2018, época em que novos pomares foram implantados.  “Nossos índices de greening nunca foram altos, mas vimos que estavam aumentando na região, o que preocupava bastante. Havia muitos pequenos produtores com manejo inadequado da doença ao redor das fazendas, pomares abandonados e plantas em quintais e calçadas”, diz. “Como resultado desse trabalho, não houve aumento do greening nos pomares jovens e novas áreas plantadas. Nos pomares com idade entre 5-8 anos, houve diminuição, de 11% para 3,5%”.

Parte das ações foi feita em parceria com outros citricultores. “Trabalhar em grupo facilita muito. A união faz a força nesse caso, uma vez que a doença é endêmica”, avalia. “Substituímos grande quantidade de árvores, e hoje os trabalhos continuam com repasses nas áreas. Isso foi fundamental para o bom controle do inseto vetor".

APRÍGIO TANK JÚNIOR

Gerente de produção agrícola da Agroterenas S/A - Citrus – fazendas nas regiões de Santa Cruz do Rio Pardo e Duartina (SP)

“O aumento de greening nos últimos anos mostrava que o manejo praticado na região não era suficiente, então, seguindo os pilares recomendados pelo Fundecitrus, iniciamos o manejo externo. A partir daí, a doença se estabilizou e o índice diminuiu nas fazendas”, conta.

As ações externas começaram em 2018, com equipe própria. “Pouco depois, devido à alta demanda de trabalho, nasceu a necessidade da criação de grupos, reunindo citricultores da região, tanto para a divisão dos custos quanto para o fornecimento de mudas e materiais. A área percorrida superou o raio de cinco quilômetros previsto inicialmente. O custo-benefício está sendo muito satisfatório diante dos resultados, com estabilização e posterior diminuição da doença”.

Em janeiro de 2020, começaram os repasses nas áreas trabalhadas. “A aceitação da população foi excelente, muito melhor do que esperávamos. Na primeira etapa algumas pessoas não aceitaram a substituição de plantas, mas na segunda etapa muitas delas já mudaram de ideia”.

IVAN BRANDIMARTE

Gerente agrícola na Cambuhy Agrícola – fazenda em Matão (SP)

A Cambuhy foi uma das primeiras fazendas a realizar as ações externas, em 2011.  “Percebemos que não seria possível controlar a doença atuando apenas dentro da fazenda e iniciamos as ações de manejo externo, que foram intensificadas em 2018 pela parceria com o Fundecitrus. Vimos a diminuição da captura de psilídeos, depois grande queda na incidência do greening e, há três anos, o índice é estável, cerca de 1,2%”, conta. “O manejo externo tem custo muito baixo, de 1 a 1,5% do custo do controle do greening, pelos benefícios que oferece”, avalia.

A fazenda aposta na continuidade e ampliação das ações externas. “O trabalho já foi feito em um raio de cinco quilômetros, em breve faremos o repasse e a ideia é ampliar essa área para reduzir ainda mais a doença. É um trabalho que não vai poder parar”, diz. “Hoje isso é essencial para conseguir controlar a doença e tem que ser expandido para todas as regiões do cinturão citrícola”.

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