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Ampa faz balanço positivo de missão a países asiáticos e vê oportunidades de negócios para a cadeia brasileira de algodão

Promover o algodão produzido em Mato Grosso junto a três dos mais importantes mercados asiáticos (Bangladesh, Vietnã e Indonésia) foi o principal objetivo da Missão da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), realizada neste mês de maio.

Durante 10 dias, o grupo liderado pelo presidente Alexandre Schenkel apresentou a representantes da indústria têxtil de cada país dados sobre a produção de pluma em Mato Grosso, estado consolidado como o maior produtor de algodão do Brasil. Ao lado de representantes de grandes grupos produtores - Sérgio De Marco (BDM), Pedro Valente (Amaggi), Aldo Tissot (SLC Agrícola) e Fabiana Furlan (Scheffer) -, Schenkel falou sobre investimentos em tecnologias, maquinário moderno e qualificação de mão de obra, que vêm resultando na melhoria da qualidade da pluma e no aumento da capacidade produtiva em Mato Grosso, cuja produção na safra 2017/18 está estimada em 1,3 milhão de toneladas. 

O presidente também apresentou o programa Standard Brasil HVI (SBRHVI), desenvolvido pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) com o objetivo de garantir o resultado de origem e, consequentemente, dar credibilidade e transparência aos resultados de análise de HVI realizados pelos laboratórios de classificação instrumental que operam no Brasil.

Além de recepcionar representantes da indústria têxtil de Bangladesh, Vietnã e Indonésia nas cidades de Daca, Hanói, Ho Chi Min (antiga Saigon) e Jacarta, a comitiva mato-grossense participou de visitas a unidades industriais (agendadas pelo consultor Andrew Macdonald).

Ao final desses encontros, Schenkel avaliou que o algodão de Mato Grosso, que responde por aproximadamente 71% das exportações brasileiras, tem muito espaço para crescer e destacou a importância de se conhecer melhor esses novos mercados.

"Aprendemos muito durante essa Missão no que diz respeito ao que a indústria asiática quer em relação à pluma brasileira e voltamos mais otimistas", comentou Alexandre Schenkel, após seu retorno a Mato Grosso. Para ele, a Missão da Ampa à Ásia também foi uma oportunidade ímpar para mostrar aos compradores os investimentos dos produtores mato-grossenses em tecnologias e na qualificação de mão de obra visando produzir mais e melhor. "Destacamos nosso comprometimento em produzir com sustentabilidade, qualidade e compromisso de entrega", diz o presidente da Ampa. 

Pontos altos - De acordo com relatório elaborado por Fabiana Furlan com os pontos altos de cada um dos mercados visitados, em Bangladesh, onde a indústria têxtil é a principal atividade econômica e 80% da receita com exportação são provenientes da venda de roupas, a presença de grandes marcas do mundo internacional da moda (como Zara, Marks and Spencer, H&M) leva a uma crescente cobrança de critérios de compliance (é preciso estar em conformidade com leis e regulamentos internos e externos). Nesse sentido, na avaliação dos membros da missão mato-grossense, o algodão mato-grossense leva vantagem por já atender a critérios de sustentabilidade e responsabilidade social.

Se por um lado, Bangladesh representa um imenso mercado a ser conquistado (o país importa 1,5 milhão de toneladas de pluma por ano), há problemas a serem resolvidos como a logística do transporte da pluma brasileira, que compromete a competitividade do produto produzido em Mato Grosso e outros estados. Também foi enfatizada a importância de uniformidade na qualidade da fibra brasileira.

O Vietnã é o segundo maior importador mundial de algodão na safra corrente (2017/18), importando aproximadamente 1,5 milhão de toneladas de pluma e o grande crescimento da indústria têxtil do país nos últimos anos é resultado em parte de investimentos feitos pela China, maior produtor e importador mundial de algodão. Segundo relatório da Missão da Ampa à Ásia, empresas chinesas fabricam o fio do algodão em indústrias no Vietnã (como alternativa ao imposto aplicado na importação de algodão em pluma na China) e exportam o fio para tecelagem e outros elos da cadeia produtiva na própria China. Por estar muito focada na produção de fio, a indústria têxtil vietnamita tem exigências quanto à qualidade do fio e seus representantes – que já usam pluma do Brasil – apresentaram suas principais demandas a Schenkel e aos demais membros da comitiva da Ampa.

A Indonésia foi o terceiro país visitado durante a Missão e os representantes de indústrias locais falaram sobre a tendência no mercado de se consumir menos fibra sintética. Segundo eles, a produção de fio de algodão é de maior risco para a fiação, mas tem maior retorno. Em uma indústria visitada na cidade de Jacarta (Indorama), foi dito que o consumo de fibras em geral (tanto sintéticas quanto naturais) está crescendo. Outras informações valiosas dizem respeito ao tipo de fio mais demandado pela indústria têxtil desse país asiático e também foi enfatizada a importância do comprometimento dos fornecedores com a entrega de pluma com qualidade e no prazo combinados.

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