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Características e benefícios da colheita mecanizada de café

Apesar de exigir um investimento inicial alto, a migração da colheita manual para a colheita mecanizada do café garante mais agilidade e rentabilidade na operação, assegurando o retorno do capital investido em poucas safras.

O cultivo do café contribui significantemente para o crescimento econômico do Brasil, que responde por um terço da produção mundial. As espécies produzidas no Brasil são café Arábica e Conilon (Robusta) e suas características influenciam diretamente na escolha da colhedora a ser utilizada. O café Arábica apresenta menor porte, é cultivado em regiões de maiores altitudes, resultando em grãos de tamanhos maiores. Já o café Conilon exige altitudes menores quando comparado ao Arábica, sendo o ideal até 800m.

A extensão territorial de área de café plantado no Brasil é de aproximadamente 1,88 milhão de hectares. A produção está distribuída no estado de Minas Gerais, que lidera a primeira posição com cerca de 53% do café produzido no País, seguido do Espírito Santo, com 22%; São Paulo, com 10%; Bahia, com 8%; e Paraná, com 4%.

Os métodos de colheita do café são manual, semimecanizado e mecanizado, que implicam diretamente a qualidade do mesmo. Na colheita manual, são selecionados os frutos maduros, por meio de catação ou a dedos, ou mesmo através da derriça. Na colheita semimecanizada são utilizados derriçadores portáteis, não havendo a presença de recolhedores. A colheita mecanizada exige o uso de máquinas automotrizes que permitem a colheita completa, podendo também ser tracionadas por tratores.

A colheita mecanizada do café torna-se cada vez mais uma alternativa viável, uma vez que a eficiência nessa atividade aumenta a cada ano, permitindo um produto final de maior qualidade, com redução de custos e perdas, que levam a uma maior rentabilidade ao produtor.

COLHEDORAS

As colhedoras automotrizes ou tracionadas trabalham sobre as linhas de café em declividades até 15%, com segurança. Algumas têm bitola mais estreita, para lavouras mais adensadas, podendo operar em declividades maiores. Vários modelos de colhedoras automotrizes trabalham com sistemas bastante semelhantes de derriça e recolhimento dos frutos e, em sua grande maioria, a descarga do café é feita através de bica lateral em carreta graneleira, ensaque lateral ou depósito próprio.

O rendimento médio dessas colhedoras está em torno de três mil litros por hora, com velocidade de 600 a 1.200 metros por hora, e vibração entre 800 e mil ciclos por minuto. Essas máquinas, através de sistemas hidráulicos, com varetas vibratórias, fazem o trabalho de derriça, recolhimento, abanação e descarga do café na forma ensacada ou a granel. As automotrizes, como o nome sugere, têm propulsão própria e as tracionadas necessitam ser acopladas a um trator através da barra de tração e da tomada de força.

O cálculo de rendimento operacional de uma colhedora leva em consideração a velocidade de deslocamento, o espaçamento entre plantas, a carga pendente (estimada), a eficiência de colheita (estimada) e a vibração média das varetas, e assim se tem o rendimento em litros/hora.

A colheita mecanizada pode reduzir os custos da operação em até 40%
A colheita mecanizada pode reduzir os custos da operação em até 40%

REDUÇÃO NOS CUSTOS EM ATÉ 40%  

A colheita manual corresponde a cerca de 40% do investimento de uma safra de café. Por isso, a adoção da colheita mecanizada tem se tornado uma realidade, apresentando alto rendimento operacional e custos mais baixos na operação, por conta da rapidez, do bom rendimento do maquinário e da redução de mão de obra, atingindo uma economia de 30% a 40% em relação à colheita manual, além de influenciar na boa qualidade do produto. Portanto, a colheita mecanizada consegue reduzir os custos de produção devido à rapidez com que as atividades são executadas, como também através do rendimento operacional do maquinário.

ESCOLHA DA COLHEDORA

O cafeicultor deve estar atento no momento da escolha da colhedora que utilizará em sua lavoura, lembrando que pode ser do tipo automotriz, que possui propulsão própria, ou tracionada, que exige acoplamento com um trator, através da barra de tração. A planta é um componente primordial no momento dessa escolha, já que seu porte é um dos componentes observados durante esse processo, para evitar danos estruturais nas plantas e aumentar a eficiência da operação. Seguido dessa etapa da verificação do porte, da altura da cultivar presente na área, devem ser considerados o tamanho da propriedade, a idade das plantas, o espaçamento, a declividade (sendo a máxima de 20%), a produtividade e a uniformidade da lavoura. O ideal é que haja um acompanhamento técnico de especialistas no assunto, para garantir que a colhedora escolhida seja a melhor opção para a necessidade do cafeicultor.

REGULAGEM DA COLHEDORA

A regulagem ideal para a colhedora deve levar em consideração três variáveis: velocidade, vibração e freio dos osciladores. A velocidade deve ser regulada adequadamente pelo operador, porque quanto maior for, menor será a colheita dos grãos e vice-versa. A vibração se refere ao movimento das varetas derriçadoras nos ramos das plantas para que ocorra a retirada dos grãos de café. Quanto maior for a vibração, maiores serão os danos causados às plantas. Por isso a regulagem deve ser muito bem realizada, para evitar qualquer tipo de perda ou dano às plantas. Quanto aos freios dos osciladores, estes são responsáveis pelo ajuste mais fino da operação, controlando a agressão da colhedora à planta.

A regulagem da colhedora é uma tarefa essencial e requer qualificação na execução desse serviço, já que a regulagem deve ser feita de acordo com a região e as condições da lavoura, atentando-se também a temperatura, umidade, pluviosidade, altitude, terreno, quantidade de café no talhão, uniformidade do estágio de maturação e grau de maturidade do café. Com a colhedora adequada e com as devidas regulagens, o custo de produção do café pode ter uma redução de 5% a 10%.

ETAPAS DA COLETA DE GRÃOS

A colheita do café totalmente mecanizada tem como etapa inicial a derriça, através de hastes que promovem a vibração dos ramos, permitindo a soltura dos grãos presentes nas plantas. Uma vez tirados da planta, são feitos o recolhimento e a abanação dos frutos. Na etapa seguinte, os grãos são armazenados em máquinas colhedoras ou despejados em carretas, para que sejam então ensacados. É possível também realizar a coleta seletiva, onde são colhidos somente os frutos maduros, promovendo uma melhor qualidade do produto final.

O custo inicial da colheita mecanizada pode ser considerado elevado, porém, o rendimento operacional e a qualidade dos grãos colhidos garantem o retorno do capital investido. Para agricultores de pequeno ou médio porte, o aluguel de maquinários poderá ser mais vantajoso.

COLHEDORAS NO BRASIL

Os principais modelos de colhedoras de café comercializadas no Brasil são: Case IH, Jacto, Avery, Matão, Selecta, Vn Suprema, Caco Matao. Cada modelo de colhedora apresenta seu potencial para realizar essa atividade. Algumas características estão descritas na Tabela. De posse das características de cada colhedora, o produtor poderá identificar as necessidades de sua propriedade e encontrar o modelo mais adequado para sua lavoura.

Box - Como obter mais rendimento na colheita mecanizada

Para obter um melhor desempenho nas colheitadeiras recomenda-se:

- definir o espaçamento entre as linhas de acordo com as máquinas disponíveis no mercado;

- fazer o plantio com as mudas alinhadas para reduzir a quebra de ramos das plantas, das varetas e aletas da máquina na colheita do café;

- locar os carreadores para manobras com largura de 7 metros para as tracionadas e de 5 metros para as automotrizes;

- quando houver alta umidade no solo, as colhedoras deverão trabalhar com rodagem larga ou dupla para minimizar a compactação e o enterrio de café caído no chão;

- em colhedoras providas de depósito de grãos, cuidar para que o mesmo não tenha a sua carga completada antes do final do talhão;

- treinamento dos operadores.

Marcos Roberto da Silva Antonio Firmo Leal Neto Camila Silva de Santana Adinael Santos Silva Pedro César Gonçalves de Jesus Santos, Universidade federal do recôncavo da Bahia

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