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CNA analisa custo de produção da agricultura na Bahia, Minas Gerais, Paraná e Sergipe

Painéis virtuais do projeto Campo Futuro analisaram os custos de produção de café (BA), cana-de-açúcar (MG), banana (MG); milho (SE); soja, milho, trigo e feijão e cevada (PR). – Foto: Wenderson Araujo/CNA

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) realizou painéis virtuais do projeto Campo Futuro para analisar os custos de produção de café (BA), cana-de-açúcar (MG), banana (MG); milho (SE); soja, milho, trigo e feijão e cevada (PR).

No município baiano de Itabela, cafeicultores, representantes da Federação da Bahia (FAEB) e representantes de cooperativas se reuniram na terça (25/08). A propriedade modal apontada representa a realidade produtiva de uma área de 50 hectares de café conilon, conduzida com irrigação e manejo semimecanizado. 

A produção média é de 60 sacas por hectare, apresentando uma pequena redução em comparação aos últimos anos devido aos fatores climáticos.

A necessidade de distanciamento social imposta pela pandemia do novo coronavírus elevou os custos de produção como explica a assessora técnica da Comissão Nacional de Café da CNA, Raquel Miranda.

“Nessa safra o cafeicultor gastou mais com o transporte de trabalhadores. Além disso, havia menos mão-de-obra disponível para safra, resultando em um maior valor pago pela medida de café colhido, portanto esse foi o principal fator para a elevação dos custos e produção, representando 34% do custo operacional efetivo”, destaca.

O painel online de cana-de-açúcar em Campo Florido (MG), realizado na terça (25/08), mostrou resultados positivos graças à adoção de tecnologia, condições climáticas favoráveis e ao gerenciamento da propriedade, que tem área modal de mil hectares, como indica do assessor técnico da Comissão Nacional de Cana-de-Açúcar da CNA, Rogério Avelar.

“A produtividade é 95 toneladas de cana por hectare. Houve aumento na qualidade da cana, com 139 kg de açúcar total recuperável (ATR) por tonelada. O custo operacional total foi de R$ 80,43 por tonelada e margem positiva de R$ 20,99. O custo total registrado é R$ 18,28, gerando o lucro de R$ 2,71 por tonelada de cana”, analisou.

Também na terça (25/08), foram analisados os custos de produção de soja, milho, trigo, feijão e cevada em Guarapuava (PR). A propriedade modal com 330 hectares de área de cultivo dividido em lavouras de safra de verão e de inverno.

“O painel apresentou alguns destaques em relação à produtividade. A área com trigo aumentou em 5% a produção em relação ao levantamento realizado no último ano. Para a cultura do milho a elevação foi de 4%. Já no caso do feijão plantado na época da seca houve uma redução de quase 10% da produtividade”, analisou o assessor técnico da CNA, Thiago Rodrigues.

Ele destacou os aumentos nos custos de produção das culturas analisadas.

“A nível de produção, os dados repassados indicaram que as áreas de soja com cultivar Intacta apresentaram um aumento do custo operacional efetivo por hectare de 3,3%, em relação aos dados exibidos em 2019. Para as outras culturas analisadas, a cevada apresentou uma redução de 1,6%, o milho convencional um incremento de 10,5% e o feijão 15,3% no custo por hectare. Já o trigo registrou alta no custo por hectare de 9% e, ao contrário das outras atividades, operou com a redução no preço de comercialização de 12%. Isso impactou nas margens da atividade, que basicamente não conseguiu arcar com as despesas de desembolso”.

As informações produtivas da banana nanica cultivada no município mineiro de Jaíba também apontam bom desempenho. Os dados foram coletados na segunda (24/08). Os fruticultores conseguem obter receita maior que o custo total.

Esse fato está muito relacionado à alta produtividade e aos bons preços pago no produto, declara o assessor técnico da Comissão Nacional de Fruticultura da CNA, Erivelton Cunha.

“A propriedade referência realiza um manejo irrigado, semimecanizado e com uso de tecnologias. Isso permite boa produtividade, com 50 toneladas por hectare. Os principais custos da atividade são provenientes dos insumos e condução da atividade e colheita, somente os fertilizantes correspondem a 37,5% do Custo Operacional Efetivo (COE), ou seja, valor que o produtor desembolsa para exercer a atividade”, avaliou.

O milho foi a cultura analisada no painel online do Campo Futuro em Sergipe na segunda (24/08). Foram identificadas como modelos que mais representam a região uma propriedade média com 120 hectares cultivadas e a outra com característica de agricultura familiar com 15 hectares.

“Os custos operacionais aumentaram em média 39% se comparados com o levantamento realizado em 2019. Somente os gastos com insumos tiveram elevação de 27%, impactados especialmente pelos custos de fertilizantes e defensivos agrícolas. Por outro lado, os participantes do painel indicaram que os preços de comercialização podem alcançar até R$ 50 por saca considerando uma média ao final da colheita”, destacou o assessor técnico da CNA, Thiago Rodrigues.

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