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CNA levanta custos de produção do café arábica e cana-de-açúcar

Em relação ao café, dados preliminares apontaram um pequeno aumento na produtividade da região, totalizando 35 sacas/ha. – Foto: Tony Oliveira/CNA

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) promoveu painéis online do Projeto Campo Futuro de café e cana-de-açúcar. Na quinta-feira, 10 de setembro, foi realizado o levantamento de custos de produção em Brejetuba (ES). O outro painel ocorreu na sexta-feira, 11 de setembro, e reuniu produtores de cana-de-açúcar de Jacarezinho (PR).

Em relação ao café, dados preliminares apontaram um pequeno aumento na produtividade da região, totalizando 35 sacas/ha. Segundo a assessora técnica da CNA, Raquel Miranda, também houve ganho na qualidade do café, com maior percentual de bebida mole e bebida dura e uma maior receita bruta por saca na média ponderada entre as diferentes qualidades.

Informações prévias do levantamento apontam que os cafeicultores capixabas obtiveram indicadores contábeis positivos em 2020, tanto na margem bruta quanto na margem líquida. Dessa forma, a remuneração cobriu os desembolsos realizados pelo produtor durante a safra e ainda houve recursos para arcar com as depreciações e o pró-labore do produtor.

“No entanto, a atividade no longo prazo ainda indica prejuízo, não cobrindo os custos de oportunidade de capital e oportunidade da terra”, disse Raquel.

Destacando os principais itens que compõem o Custo Operacional Efetivo (COE), o levantamento apontou que os custos com mão de obra representam 26,8% do total, enquanto os insumos respondem por 32% - sendo que fertilizantes correspondem a 26%, produtos fitossanitários, 4,2%, e corretivos, 1,5%.

Cana 

Os números do painel de cana-de-açúcar mostraram que a seca que atingiu o norte do Paraná influenciou a produtividade dos canaviais, recuando 8,6% nessa safra (85 toneladas).

Por outro lado, houve aumento na qualidade da matéria-prima, que passou de 132 quilos de Açúcar Total Recuperado (ATR), por tonelada de cana, para 136 kg. O preço do ATR teve elevação de 9,7% em relação à safra passada e, assim, acabou gerando uma receita de R$ 92,48 por tonelada de cana.

O assessor técnico da CNA, Rogério Avellar, destaca que houve aumento de 6% no custo de fertilizantes, insumo que tem maior peso na conta do produtor. Ele também observa elevação na operação de colheita, que passou para R$ 36 por tonelada. Isso equivale a 46% do custo total das operações na atividade.

O Custo Operacional Total (COT) foi de R$ 76,68, gerando uma margem líquida de R$ 15,80 por tonelada de cana. “Quando associamos o custo de oportunidade da terra e do capital investido na atividade ao COT, chegamos ao custo total (CT) de R$ 103,27. Com isso, o produtor teve um prejuízo de R$ 10,79 por tonelada de cana”, afirmou Rogério.

Participaram dos levantamentos, além da CNA, técnicos do Centro de Inteligência de Mercados da Universidade Federal de Lavras (CIM/UFLA) e do Pecege-Esalq/USP, produtores, sindicatos rurais e as federações de agricultura e pecuária dos dois estados analisados.

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