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Coleção de arroz do Brasil está disponível para instituições mundiais

A inclusão de amostras do Banco Ativo de Germoplasma de Arroz amplia as possibilidades de consulta, intercâmbio e melhoramento genético com instituições de pesquisa mundiais. - Foto: Wenderson Araujo/CNA

O Brasil é o mais novo membro do Sistema Global de Informação (Glis, sigla em inglês para Global System Information) mantido pela Organização para Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO) por meio do Tratado Internacional sobre Recursos Fitogenéticos para Alimentação e Agricultura (Tirfaa). A estreia se dá com a inclusão de 20 mil amostras do Banco Ativo de Germoplasma de Arroz (BAG Arroz) e amplia as possibilidades de consulta, intercâmbio e melhoramento genético com instituições de pesquisa mundiais.

E o que é mais importante: a rastreabilidade das amostras do BAG Arroz está garantida pelo DOI (sigla em inglês para Digital Object Information), um código criado com base no Tirfaa para rastrear recursos genéticos vegetais. Os acessos do BAG Arroz foram os primeiros cadastrados pelo Brasil, mas a ideia é estender a iniciativa para todos os bancos de germoplasma vegetais mantidos pela Embrapa, como explica a pesquisadora Rosa Lia Barbieri.

Trata-se de um padrão de identificação que já existe há tempos para assegurar documentos na Internet, mas o seu uso com recursos genéticos é recente. “É o que há de mais atual e moderno nas pesquisas nessa área e representa um marco para a pesquisa agropecuária brasileira, pois confere uma identidade única e permanente, que permite rastrear cada uma das amostras”, pontua a pesquisadora.

Segundo ela, que até o fim de dezembro de 2020 esteve à frente da Supervisão do Sistema de Curadorias de Germoplasma Vegetal da Empresa, o DOI é como uma identidade digital das amostras e possibilita identificar quando elas são intercambiadas com outras instituições e usadas em programas de melhoramento genético.

As informações sobre o BAG Arroz já estavam à disposição dos cientistas do Brasil e de algumas instituições parceiras da Embrapa por meio do Sistema Alelo, que reúne um total de 164 BAGs de plantas. Esses dados vão desde a origem da variedade até detalhes como a quantidade de vezes em que foi utilizada e por quais organizações científicas, tudo muito bem documentado e com busca facilitada por código de barras. “O cadastro no DOI representa mais um avanço em relação a essa ferramenta, pois é um código único e permanente que permite rastrear todas as informações referentes às amostras, envolvendo os mais de 60 países que fazem parte do Tirfaa,“ observa Barbieri, que é também a representante das Américas no Banco Mundial de Sementes de Svalbard.

Tratado fortalece a conservação, o uso e repartição de benefícios

O chefe-geral da Embrapa Arroz e Feijão (GO), Elcio Guimarães, destaca a parceria entre as equipes de pesquisa e de TI da Unidade com a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia  para a visibilidade mundial que a Empresa alcança com uma das mais importantes culturas destinadas à alimentação humana incluída do Glis.”O Tirfaa, baseado no tripé conservação, uso e repartição dos benefícios, é um importante instrumento assinado por vários países no qual há reconhecimento da contribuição dos agricultores para a diversidade de culturas que sustentam a alimentação da população mundial”, diz Guimarães.

“Além disso, o tratado estabelece um sistema global para fornecer aos agricultores, melhoristas de plantas e cientistas acesso a materiais genéticos vegetais. Dessa forma, o Tirfaa assegura que os destinatários compartilhem os benefícios derivados do uso dos materiais genéticos com os países de onde são originários, observa a chefe-geral da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Cléria Inglis. Ela explica que todo o processo de recebimento, remessa e envio de germoplasma  é organizado pela Coordenação Técnica do Sistema de Curadorias de Germoplasma e 100% das informações sobre os acessos de recursos genéticos vegetais estão organizados no Sistema Alelo, também sob a coordenação da Unidade. “A rastreabilidade dos recursos fitogenéticos mantidos em condições ex situ é fundamental para o atendimento às exigências do tratado, o que é possível devido à organização da Embrapa e do Sistema de Curadoria”, destaca a pesquisadora.

Alelo Vegetal é o elo com os sistemas internacionais

Um elo entre a Embrapa e os sistemas de informação sobre bancos de germoplasma de instituições mundiais, o Alelo Vegetal, que já é parte do Genesys (um sistema no qual é possível encontrar informações sobre Recursos Fitogenéticos para a Alimentação e Agricultura/RFAA conservados em bancos de germoplasma em todo o mundo), agora une o BAG do Arroz ao GLIS. O analista do Núcleo de TI da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia Renato Sales trabalhou com a equipe de TI e de pesquisa da Embrapa Arroz e Feijão para os ajustes necessários à alimentação do Alelo da parte vegetal, bem como da plataforma que coloca a estatal brasileira em destaque no cenário internacional.  

Sales conta que para todos os dados do BAG do Arroz serem registrados e disponibilizados à comunidade científica mundial por meio do GLIS, foi necessário ter consolidada uma base com recursos da tecnologia da informação (TI) que não só viabilizasse as consultas, mas que “conversasse” com as plataformas internacionais instituídas com a mesma finalidade. Por isso a importância do código único obtido pela Embrapa para esse o BAG do Arroz.  

Nesse sentido a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia não só criou como também mantém atualizado (trabalho realizado com as demais Unidades da Empresa) o Portal Alelo Vegetal, no qual estão todos os dados da coleção de base da Embrapa (Colbase). Esse repositório é o maior banco de germoplasma vegetal da América Latina, com 127.783 amostras de sementes de 1.019 espécies de plantas,conservadas em uma temperatura de 18ºC abaixo de zero.

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