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Como ter bons resultados no manejo da traça-do-tomateiro

  • 11/09/2020 |
  • Cristina Abi Rached Iost, Escritório de Defesa Agropec. de Araraquara - CDA/SAA-SP; Marcelo da Costa Ferreira, Unesp, Campus de Jaboticabal-SP

Monitoramento, atenção a condições meteorológicas e observação dos preceitos da tecnologia de aplicação são fundamentais para se obter bons resultados no manejo da traça-do-tomateiro

O plantio de tomate tem uma extraordinária relevância no Brasil, dado o consumo interno para diversas finalidades, desde in natura até produtos processados. Além disto, a produção é intensiva e requer um contingente grande de trabalhadores, quando comparado a diversas outras culturas, que implica uma atividade econômica que participa significativamente nos locais onde se insere.

Contudo, no ano de 2018 pesquisadores da Embrapa Hortaliças identificaram significativa redução na produtividade devido a problemas fitossanitários, em regiões tipicamente produtoras desta olerícola. Por tratar-se de espécie hospedeira de insetos polífagos e por ser extremamente suscetível a doenças virais, o cultivo do tomate é tema frequente de pesquisas relacionadas ao manejo de insetos e de patógenos. Dentre os insetos-praga associados à cultura do tomate, a traça-do-tomateiro (Tuta absoluta, Meirick - Lepidoptera: Gelechiidae) destaca-se por causar danos em praticamente toda a parte aérea da planta, resultando em prejuízos em termos de produtividade e na qualidade dos frutos, com depreciação para o comércio de tomate in natura.

Logo após a identificação da traça no Brasil, ocorrida entre o final da década de 1970 e o início da década de 1980, houve relatos de danos severos em cultivos de tomateiro, com perda total da produção em alguns casos. Em estudo comparativo sobre a intensidade de incidência de brocas, a traça-do-tomateiro apresentou maior intensidade, quando comparada à broca pequena (Neoleucinodes elegantalis, Guenée - Lepidoptera: Crambidae) e à broca gigante (Helicoverpa zea, Bod. - Lepidoptera: Noctuidae). Para assegurar-se frente ao potencial de dano da traça, os tomaticultores se valem de um número elevado de pulverizações, o que intensifica a necessidade de aprimorar a tecnologia de aplicação para o controle deste alvo e, principalmente, de uso de boas práticas agrícolas para o manejo da tomaticultura.

Com o objetivo de produzir de forma viável e eficiente, a implantação do Manejo Integrado de Pragas (MIP) é imprescindível para: 1) rastrear ocorrências prejudiciais ao cultivo antes de causarem prejuízos; 2) atribuir responsabilidade na tomada de decisão; 3) racionalizar o uso de recursos de maneira a não empregar desnecessariamente algum insumo ou operação, o que resulta numa atividade economicamente mais rentável ao produtor. Para tanto, é adequado realizar monitoramento do cultivo para constatar níveis de infestação e de ação, considerar a inclusão de produtos fitossanitários biológicos e de seletivos a inimigos naturais que colaboram no controle de insetos fitófagos. Realizar liberações de inimigos naturais permite ampliar o controle de pragas na cultura do tomateiro.

Área do experimento possui sistema de irrigação por pivô central
Área do experimento possui sistema de irrigação por pivô central

O uso de inseticidas fisiológicos, como os derivados do grupo das benzoilureias e das avermectinas, apresentou melhores condições para integrar um programa de manejo de pragas em tomateiros, pela eficiência no controle da traça. Além disto, apresentam como vantagens a utilização em dosagem menor, toxicidade mais baixa ao homem (geralmente classe IV) e menor período de carência em relação a outros inseticidas, podendo ser utilizados mais próximo à colheita.

Dentre os fatores que influenciam a deposição da calda, a ponta de pulverização adequada à cultura e ao momento da aplicação é determinante para que o controle seja realizado com sucesso, pois produz e distribui as gotas que deverão transportar os produtos da máquina até os alvos. Por outro lado, o escorrimento da calda, o ricocheteio, a deriva e a evaporação de gotas são fatores de perdas durante a aplicação, que devem ser consideradas na escolha das pontas de pulverização, na pressão de trabalho e na calibração dos pulverizadores. Para compensar perdas e manter a eficácia do tratamento, frequentemente aumentam-se as dosagens dos produtos utilizados e os volumes de aplicação, com aumento nos custos da operação.

A deriva e a evaporação das gotas são fortemente afetadas pelas características físico-químicas da calda e por tipos de bicos e modelos de pontas de pulverização. Uma técnica bastante utilizada para otimizar a aplicação é a adição de adjuvantes à calda, com o propósito de melhorar as propriedades físicas da calda e fazer com que o alvo da aplicação seja atingido. Isto porque os adjuvantes podem alterar desde o tamanho, a uniformidade e o espalhamento das gotas sobre as folhas, até a absorção dos produtos.

Com a finalidade de avaliar a eficiência de controle da traça-do-tomateiro, foi realizado um experimento variando volumes de aplicação com pulverizadores diferentes em cultura de tomate rasteiro, com e sem adição de adjuvante à calda.

O experimento foi conduzido em campo de tomaticultura com finalidade comercial, irrigada por sistema de pivô central, no município de Monte Alto, São Paulo. Foram realizadas avaliações semanais da ocorrência da traça, contando-se o número de ovos nas folhas e frutos, em todas as folhas de cinco plantas escolhidas aleatoriamente em cada parcela. Valendo-se do MIP, o experimento foi instalado em área com histórico de ocorrência da praga e com relatos de alta infestação no período do experimento. Além disto, foram feitas avaliações semanais da infestação, até atingir nível de 25% de ponteiros com ovos ou lagartas vivas, conforme recomendado por Gravena e Benvenga, considerada para se proceder as pulverizações, utilizando diferentes tratamentos.

Foi utilizado o inseticida chlorfluazuron (50 CE) na dosagem de 800ml/ha. Empregada a concentração de 1ml/10L, nos tratamentos nos quais se utilizou o adjuvante composto por polioxietileno alquil fenol éter. As aplicações foram realizadas com um pulverizador costal pressurizado com CO2 trabalhando à pressão de 60psi (4,22bar) e equipado com lança manual, e o pulverizador costal motorizado modelo PL50, marca Máq. Agric. Jacto S/A., conforme descrito na Tabela 1.

Os resultados considerados mais promissores foram obtidos com a ponta TJ60 11002 com a adição do adjuvante, por proporcionar uma evolução satisfatória na eficiência de controle de ovos em um volume de aplicação econômico (200L/ha) em relação ao TJ6011004 e ao TX12VK, que proporcionaram resultados semelhantes, mas com volumes de aplicação três vezes maiores (Figura 1).

Figura 1 - Eficiência dos tratamentos aos oito dias após a aplicação para ovos de T. absoluta em plantas de tomate
Figura 1 - Eficiência dos tratamentos aos oito dias após a aplicação para ovos de T. absoluta em plantas de tomate

Destaca-se, entretanto, que o monitoramento da praga gerou a maior economia ao tratamento fitossanitário da cultura do tomate neste experimento, uma vez que, apesar do histórico de ocorrência, verificou-se que a infestação pela traça permaneceu baixa por todo o ciclo da cultura. Desta forma, foi realizada apenas uma aplicação de inseticida, com controle sendo considerado satisfatório, dada a baixa infestação observada.

Um aspecto que pode ter colaborado para manter baixa a infestação pelo inseto pode ser a irrigação da área por pivô central, uma vez que este sistema de irrigação já foi relatado como item de manejo integrado de pragas da cultura do tomate, juntamente com a precipitação pluviométrica, influenciando para baixo o nível populacional da traça. Neste experimento, a maior ocorrência da traça foi registrada no período de menor ocorrência de chuvas.

Como conclusão deste estudo, observa-se que devem ser considerados fatores como as condições meteorológicas da região, ressaltando-se a importância do monitoramento fitossanitário do cultivo antes de realizar qualquer pulverização. Caso seja atingido o nível de ação, a ponta de pulverização TJ60 11002, com adjuvante e com volume de aplicação de 200L/ha foi uma configuração adequada para manter baixa a infestação da traça no cultivo.

Cristina Abi Rached Iost, Escritório de Defesa Agropec. de Araraquara - CDA/SAA-SP; Marcelo da Costa Ferreira, Unesp, Campus de Jaboticabal-SP

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