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Conhecida como a “terra do tomate”, São José de Ubá, no Noroeste Fluminense, vive uma nova era de diversificação de cultivo

  • 03/05/2016 |
  • Cristina Freitas

Depois de décadas sendo reconhecida no estado do Rio de Janeiro como a “terra do tomate”, São José de Ubá vive uma fase de ampliação da produção agrícola. Desde 1960, a cidade de pouco mais de nove mil moradores do Noroeste Fluminense dedicou grande parte de suas propriedades rurais à cultura do tomate. O cenário começou a mudar recentemente com o incentivo à diversificação de cultivo do Programa Rio Rural, da secretaria estadual de Agricultura e Pecuária. Agricultores locais têm investido nas lavouras de outros hortifrutigranjeiros como berinjela, milho, abóbora e quiabo.

A produtora Alessandra Silva, da microbacia Córrego de Ubá, representa bem essa fase de transição. Assim como boa parte de sua família, que tem longa tradição nas lavouras de tomate, ela começou a trabalhar no ramo desse jeito, plantando e colhendo o fruto entre os meses de março e agosto. No entanto, percebeu que a lucratividade diminuía safra após safra.

“A concorrência com os produtores paulistas foi encolhendo o preço do tomate aqui no município. Isso sem falar nos atravessadores. Estava saindo caro demais, a ponto de não compensar”, revela a agricultora.

Depois de pesar os custos, Alessandra pediu orientação técnica à Emater-Rio. Com o subprojeto de diversificação de cultivo, ela recebeu incentivo de aproximadamente R$ 5 mil e focou no plantio de três mil pés de quiabo, que lhe renderam, só nos últimos cinco meses, cerca de uma tonelada do fruto. O quilo do quiabo saindo da horta é comercializado, geralmente, a um real. De sua propriedade, a mercadoria segue para comunidades vizinhas ou para feiras em Itaperuna, município a 30 km de distância de São José de Ubá.

“Gostei da diversificação com o quiabo. Proporcionalmente, a produção dele é bem mais barata em relação ao tomate. E o melhor é que dá para colher o ano todo e tem procura”, conta, animada, a produtora. A espécie escolhida para o plantio foi a esmeralda, que atinge bom crescimento em 45 dias e exige irrigação duas vezes por semana.

A produtora otimizou o espaço de 2,5 hectares onde foi executado o subprojeto de diversificação de cultivo e fez outras experiências bem sucedidas, mas em pequena escala, com lavouras de berinjela, milho e abóbora.

Renovação da tradição
Mesmo com os bons resultados na lavoura de quiabo, Alessandra Silva não desistiu da hortaliça que sustentou sua família por várias gerações. Com recursos pessoais, ela incrementou o incentivo do Programa Rio Rural e implantou o cultivo protegido de tomate salada.

O sistema protegido se difere do cultivo comum. Neste caso, se utiliza o sombrite, uma tela de malha que diminui a incidência dos raios solares em até 70%. Em excesso, o efeito do sol pode comprometer a plantação. Além de adotar essa proteção, ela decidiu fazer o cultivo de tomate na entressafra para evitar a concorrência de outros fornecedores.

“Plantei cinco mil pés em novembro. Colhi até fevereiro com um ótimo preço, até quatro vezes melhor do que o tomate de safra pois, a essa altura, ninguém tinha para vender aqui. Sou grata ao Rio Rural por esse incentivo porque mudou a minha visão de negócio. Agora, quero sempre fazer diferente. O recurso veio na hora certa”, comenta Alessandra.

O sucesso da diversificação na lavoura tem chamado a atenção dos agricultores das microbacias de São José de Ubá. A Emater-Rio vem incentivando a visitação na propriedade de Alessandra para que o espaço possa servir como vitrine, transformando a visão dos produtores sobre o mercado.

“Muita gente que passou anos e anos pensando apenas em tomate e do jeito tradicional, está abrindo a mente para essa novidade. É importante que essa diversificação aconteça em Ubá porque revigora nossa economia, que é essencialmente agrícola. Os produtores se animam, permanecem no campo e o dinheiro circula no comércio”, afirma Norma Lúcia Vieira, técnica executora do Rio Rural na microbacia Córrego de Ubá.

Desde o ano passado, outros nove produtores também foram beneficiados com o projeto de diversificação de cultivo em São José de Ubá. A maioria das lavouras é de aipim, jiló, couve, alface e taioba. Cada projeto tem incentivos de R$ 5 mil, em média.

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