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Cooperação entre países produtores de algodão na AL e África contribui no setor econômico e social

Abrapa foi representada por diretor executivo, Marcio Portocarrero, e agricultura do Brasil, por coordenador do núcleo de Agronegócios da Fundação Getúlio Vargas e ministro da Agricultura entre 2003 e 2006, Roberto Rodrigues. – Foto: Wenderson Araujo/CNA

Justa, democrática, inclusiva e sustentável são predicados da produção do Brasil que estão sendo potencializados e difundidos, graças à cooperação internacional. Foi o que ficou evidente durante o webinar “Juntos somos + Algodão”, realizado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Organização Internacional do Trabalho (OIT), Instituto Brasileiro do Algodão (IBA) e Agência Brasileira de Cooperação (ABC), na noite desta quarta-feira, 7 de outubro, em comemoração ao Dia Mundial do Algodão (#WorldCottonDay). Dentre os temas abordados, estiveram trabalho decente, sistema de registros de defensivos agrícolas, segurança alimentar, sustentabilidade, fortalecimento e difusão da experiência das instituições brasileiras nos foros internacionais e intercâmbio de conhecimentos.

A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) foi representada no encontro virtual pelo seu diretor executivo, Marcio Portocarrero, e a agricultura do Brasil, explanada pelo coordenador do núcleo de Agronegócios da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e ministro da Agricultura no país entre os anos de 2003 e 2006, Roberto Rodrigues. O evento reuniu palestrantes de países da América Latina e África para debater a importância da fibra como geradora de renda e inclusão, e os desafios de aumentar a produção e a produtividade, com sustentabilidade, através da tecnologia, modernização das práticas e organização das cadeias produtivas.

Participaram das falas de abertura, o embaixador brasileiro Ruy Carlos Pereira, o representante da FAO no Brasil, Rafael Zavala, e o diretor regional da OIT, Vinícius Pinheiro. Ao longo do encontro virtual, além da exposição do ex-ministro Roberto Rodrigues, foram apresentadas as experiências em diferentes países e questões como artesanato e moda (Paraguai), trabalho decente na cadeia do algodão (Paraguai) e produção de sementes de algodão pelo projeto Shire-Zambeze (Moçambique).

Exemplo

Líder do bloco, quarto maior produtor mundial e segundo maior exportador da fibra, o Brasil tem servido de exemplo aos países-irmãos, e possibilitado a implantação de novos modelos e incorporação de tecnologias, desde o início do projeto +Algodão, criado para o fortalecimento do setor algodoeiro por meio da cooperação Sul–Sul. Em sua fala, Marcio Portocarrero destacou o papel  gerador de postos de trabalho da cadeia produtiva da fibra, a segunda que mais emprega no país, assim como uma possível nova mentalidade que tem aflorado por conta da pandemia do coronavírus, que leva o consumidor a rever suas escolhas. “Passamos a pensar com mais afinco nos danos que escolhas simples, em nosso dia a dia, podem trazer à natureza. Acredito que o algodão e as fibras naturais como um todo estão em evidência. Deixemos os derivados do petróleo para outras finalidades”, afirmou.

Mostrar “como se faz” e mesmo investir no desenvolvimento da cotonicultura em outros países da América Latina e África não conflita com os planos do Brasil de se tornar o maior exportador mundial de algodão até 2030. “É possível alcançar essa meta e, ao mesmo tempo, ajudar outros a crescerem. A isso se chama cooperação, algo que se aprende e constrói, ao contrário da competição, que é inerente ao ser humano”, disse Portocarrero.

Em sua palestra, Roberto Rodrigues destacou o avanço do Brasil na produção de grãos e o descompasso positivo em relação ao crescimento da área plantada. “De 1990 até hoje, a produção de grãos no país cresceu 345%, enquanto a área ocupada com esses cultivos aumentou apenas 74%. Isso foi possível graças à tecnologia”, explicou. Rodrigues frisou a matriz energética brasileira que é 47% renovável e as vantagens do etanol de cana de açúcar sobre a gasolina, uma vez que o álcool emite apenas 11% do total de gases liberados na natureza pelos combustíveis fósseis.

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