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​Dia de Campo aborda desde solo até poda e tratamento das videiras

  • 17/06/2016 |
  • Rejane Paludo

Foto: Rejane Paludo

A Emater/RS-Ascar promoveu, nesta quinta-feira (16/06), um Dia de Campo sobre Viticultura, na propriedade de Antônio e Felisberto Zucatto, na comunidade de São Jorge, em Coronel Pilar, RS. Cerca de 50 agricultores participaram da atividade.

O supervisor da Emater/RS-Ascar, Gilberto Bonatto, lembrou que das 380 propriedades rurais do município, 330 tem a viticultura como atividade principal. "Hoje serão trabalhados aspectos importantes, que o produtor tem que levar em conta na cadeia da viticultura. Queremos despertar os agricultores para aquilo que pode ser feito para melhorar a atividade e reduzir os custos de produção", destacou.

Na estação sobre qualidade de mudas de videira o agrônomo Daniel Grohs, pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, alertou os produtores para que fiquem atentos, principalmente porque a principal forma de entrada de doenças e pragas no parreiral é por meio de mudas contaminadas, o que pode comprometer a longevidade do vinhedo, levando-as à morte. "A única recomendação para uma área que está morrendo por doença de tronco é arrancar a planta e replantar uma nova", salientou Grohs. Diante da necessidade de renovação de áreas a partir de mudas de qualidade, a Embrapa vem desenvolvendo um trabalho de certificação de viveiros, baseado num padrão de muda. Atualmente, no RS, há cinco viveiristas licenciados.

O agrônomo mostrou mudas bem e mal formadas e explicou sobre a escolha do porta-enxerto e os cuidados com a muda antes, durante e depois do plantio. Com relação à produção de muda de qualidade na propriedade, segundo Grohs, a recomendação é enraizar em copinho, utilizar porta-enxerto da variedade Paulsen e fazer enxertia verde.

Além das mudas, o manejo de doenças no cultivo da videira - tratamento de inverno - foi apresentado pelo engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar, Henrique Thomaz Queiroz, que tratou da identificação das principais doenças da videira, destacando que a maioria dos tratamentos são preventivos.

Queiroz explicou a importância do manejo pós-colheita, com a manutenção da folha na parreira, se possível até maio, fazendo fotossíntese e acumulando reservas para que a planta forme galhos bons no próximo ano.

O agrônomo também realizou demonstração de preparo da calda bordalesa, utilizada no tratamento de inverno, mostrando o ponto ideal para que ela não queime as parreiras. O tratamento de inverno visa eliminar a fonte de inóculo de fungos causadores de doenças (antracnose, escoriose e oídio, além da cochonilha), e deve ser feito até um mês antes da brotação. De acordo com ele, a calda bordalesa tem função fungicida e bactericida, sendo o tratamento mais antigo e eficiente (de contato) existente no mercado. Ele ressalta ainda que o uso da calda sulfocálcica, na dosagem correta, não danifica os arames dos parreirais, como muitos produtores acreditam.

A poda foi outro assunto abordado no dia de campo pelo enólogo da Emater/RS-Ascar, Thompsson Didoné. Segundo ele, para saber qual o tipo de poda mais correto a utilizar, o agricultor precisa analisar a sua propriedade. De um modo geral, o agricultor deve começar a pensar na poda quando fizer o plantio da muda, pois ela vai depender do espaçamento entre as plantas e filas, da variedade (vinífera ou comum) e do destino da produção. Thompsson também alertou para uma das principais doenças causadoras da morte de parreiras, que é a podridão descendente, que entra pela poda. Ele enfatizou a importância de fazer a desinfecção da tesoura de poda e proteção dos cortes com tinta plástica, fungicida químico ou Trichoderma. Isso deve ser feito até cinco dias depois da poda, senão a planta forma um tecido, impedindo a absorção do produto aplicado.

Na última estação, o engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar, João Villa, e o técnico Adriano Ferrari, falaram sobre plantas de cobertura e coleta de amostras para análise. Eles destacaram a importância de caprichar na coleta de solo para ter um bom resultado final, retirando amostras em pelo menos 10 pontos por hectare. Os extensionistas demonstraram como fazer a coleta utilizando pá de corte, trado ou facão, que devem sempre estar limpos, sem resíduos. Eles também explicaram como dever ser feita a adubação. "Se o produtor economizar meio saco de adubo, a partir de uma coleta adequada, já paga a análise, e provavelmente ele vai colher mais, porque estará colocando o que realmente está faltando", salienta Ferrari.

Villa explicou as características e funções de algumas plantas de cobertura, como azevém, ervilhaca e nabo forrageiro, ressaltando a importância de ter sempre palha na cobertura do solo. "É uma proteção, quanto mais palha em cima, menos compactado é o solo. Além disso, ela também ajuda as raízes que estão embaixo a soltarem o solo, atuando como um arado", afirma o agrônomo.
Conforme Ferrari, o ideal é que o produtor faça a análise logo depois da colheita, pois assim a Emater/RS-Ascar pode fazer a interpretação da análise e, se for preciso implantar planta de cobertura, indicar a melhor opção.

O agricultor Valdemar Foppa, de Coronel Pilar, que participou do Dia de Campo, disse que gostou demais da atividade e que seria bom que ocorresse mais vezes. "Fiquei muito interessado principalmente sobre as doenças da parreira, que nos preocupam muito. Também sobre o tratamento, tem muitos produtores que tratam a videira de forma errada. Hoje a gente tomou conhecimento de produtos que não sabíamos que existiam, pois ninguém explicou para nós", declarou.


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