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Dia de campo sobre algodão agroecológico reúne cerca de 700 participantes na Paraíba

O município de Nazarezinho, no Alto Sertão paraibano, foi palco de um dia de campo sobre manejo do algodão agroecológico com a participação de aproximadamente 700 pessoas, no último dia 7 de junho. Decorado com faixas, tendas e bandeirolas de São João, o sítio Trapiá, de propriedade do casal de agricultores Alcino Alves Pedrosa e Maria Vânia de Lima, recebeu a visita de agricultores interessados em cultivar algodão, pesquisadores, extensionistas, estudantes e autoridades do setor agrícola.

Promovido pelo Governo do Estado, por meio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural da Paraíba (Emater), em parceria com a Embrapa Algodão e a prefeitura local, o evento foi mais uma ação do Projeto Algodão Paraíba, que tem por objetivo fortalecer a cadeia produtiva do algodão orgânico no estado e gerar novas alternativas de renda para a agricultura familiar.

O dia de campo foi dividido em um percurso com cinco estações (tendas) onde equipes técnicas compartilharam informações sobre os sistemas de produção do algodão, o manejo agroecológico, aspectos econômicos da cultura, comercialização e certificação. “Além de mostrar a viabilidade econômica que a cultura oferece, vamos focar na diversidade agrícola, enfatizando o sistema de consórcio com o milho, o feijão, o gergelim, dentre outras culturas convencionais da agricultura familiar”, afirmou o assessor estadual de Agroecologia da Emater, Ricardo Pereira.

A área onde foram demonstrados os resultados de algodão agroecológico consorciado com gergelim tem cerca de um hectare, e estimativa de produção de 1.200 quilos de algodão e 400 quilos de gergelim. “As variedades cultivadas são a BRS 286 (algodão) e a BRS Anahí (gergelim) desenvolvidas pela Embrapa Algodão, e que servirão para ampliar as ações do projeto”, disse o técnico da Embrapa, Dalfran Vale.

Conforme o assessor estadual de Agroecologia da Emater, enquanto o algodão convencional é comercializado a R$ 1,20 o quilo, a Indústria Têxtil Norfil S/A, empresa parceira do Projeto Algodão Paraíba, está comprando o quilo do algodão orgânico branco em rama (sem beneficiamento) por R$2,40. Ele explica que além do preço diferenciado, uma das vantagens do cultivo agroecológico é equilíbrio do ecossistema tendo em vista que as pragas e doenças são manejadas com produtos naturais como extrato de castanha de caju e macerado de pimenta do reino.

O agricultor Francisco Braga, de São Gonçalo, substituiu parte de seu cultivo de coco, dizimado pela longa estiagem, por algodão agroecológico e disse estar bastante satisfeito com a iniciativa do Projeto Algodão Paraíba por não gostar de utilizar produtos químicos que, segundo ele, “é o que encarece a cultura”. “Esse projeto, além de resgatar a cultura do algodão, oferece muitas vantagens, como a distribuição de sementes de qualidade, mercado garantido e assistência técnica da Emater”, destacou enfatizando que na próxima safra agrícola pretende ampliar a área plantada com algodão agroecológico.

Estudantes dos cursos superior em Agroecologia e técnico integrado em Agropecuária também compareceram ao dia de campo. "O algodão é uma cultura que tem os maiores números de pragas. Nós viemos saber como produzir satisfatoriamente de forma agroecológica”, disse o professor do IFPB, Marcus Damião de Lacerda, do curso superior de Tecnologia em Agroecologia do Campus Sousa, que trabalha a agricultura numa perspectiva ecológica.

Nas estações, as apresentações foram conduzidas pelo diretor técnico da Emater e o coordenador de Operações, Vlaminck Saraiva e Alexandre Alfredo, respectivamente, pelos extensionistas Francisco José, Jacileide Andrade, Maria de Melo e Ricardo Pereira, pela presidente da Coopnatural, Maysa Gadelha, e pelo técnico da Embrapa Algodão, Dalfran Vale.


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