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Direção do vento pode trazer nuvem de gafanhotos ao Brasil

Praga está mais próxima do estado do Rio Grande do Sul. SENASA/Argentina

A nuvem de gafanhotos em deslocamento pela Argentina chegou hoje à região da Província de Corrientes, na fronteira com o Rio Grande do Sul. A depender da direção do vento e das condições ambientais a praga pode ingressar em breve em território brasileiro, através do estado gaúcho.

Schistocerca cancellata ou gafanhoto sul-americano, como é popularmente conhecido, tem grande capacidade de dispersão. “O termo é usado para se referir a algumas espécies de acridídeos capazes de formar ‘enxames´ ou  ´nuvens’ sob certas condições climáticas e alimentares e que se movem por grandes áreas, como está ocorrendo atualmente na Argentina”, detalha a pesquisadora do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (Inta), Daniela Vitti Scarel . 

Em 17 de junho a nuvem de gafanhotos entrou no território da província de Santa Fé, na Argentina, após ter sido relatada dias antes nas províncias de Chaco e Formosa, no Paraguai.  A área de distribuição do inseto inclui Paraguai, Bolívia e Brasil, além da Argentina (no centro e noroeste) em províncias como Córdoba, Santiago del Estero, Catamarca e La Rioja. “Assim, espera-se que ocorram deslocamentos nessas regiões, além de poderem se movimentar para outros territórios acompanhados de condições ambientais, como os fortes ventos do norte que os fizeram se movimentar, atingindo a cidade de Lanteri, província de Santa Fe, Argentina”, relata.

Não é a primeira vez que o gafanhoto- sul-americano tem registro de surtos na região. Em 2015 houve relatos de nuvens de gafanhotos e danos às lavouras no país, nas províncias de Santiago del Estero e Tucumán. Em 2017 ocorreu também um surto de gafanhotos (no final de junho) concentrado na área de três províncias da Argentina (Santa Fé, Chaco e Santiago del Estero).

Schistocerca cancellata ou gafanhoto sul-americano. INTA/Argentina


Os pesquisadores não identificaram, até o momento, diferenças entre o surto atual e os ocorridos anteriormente, mas uma das hipóteses é de que houve favorecimento da reprodução da praga e consequente aumento da população. “Não notamos diferenças entre os diversos registros em momentos diferentes. O que possivelmente muda são as condições ambientais que direcionam a nuvem para um território ou outro. Provavelmente, nos últimos anos, as condições ambientais permitiram uma maior reprodução e, portanto, a população aumentou ano a ano, embora ainda não a estejamos estudando”, estima.

No momento, o norte de Santa Fé, na Argentina, ainda está sob avaliação quanto aos danos provocados pelo inseto. “O gafanhoto-sul-americano é uma espécie polifágica, que pode se alimentar de uma grande variedade de espécies vegetais, incluindo vegetação natural e culturas agrícolas”, alerta. O dano, de acordo com a pesquisadora, pode ser de magnitude considerável, mas varia de acordo com o estágio da praga em seu ciclo biológico, dependendo do tempo em que o inseto permanece na cultura ou lote e do estado da praga.

Inverno mais quente é um aliado dos gafanhotos. “Invernos com temperaturas acima das médias históricas ou com altas temperaturas é uma condição para as populações de gafanhoto serem mais ativas e móveis, aumentando seu número de gerações por ano e, portanto, sua densidade populacional”.

Condições ambientais podem ter favorecido aumento populacional da praga. SENASA/Argentina



COMO MANEJAR

A identificação precoce de focos e controle de pragas contribuirá para a eficácia de seu manejo. “O momento oportuno para o controle dessa praga está no estágio da ninfa (juvenil, pois ainda não desenvolveu as asas). Neste estádio permanece ao nível do solo e se move aos saltos, sem se movimentar em grandes áreas. O controle químico, nesta fase, permitiria diminuir a densidade populacional de indivíduos, que mais tarde podem voar na forma de nuvens, evitando danos à vegetação natural e às culturas agrícolas. Os produtos para o controle desta espécie devem ser registrados e autorizados pela autoridade competente”, alerta a pesquisadora.

Na Argentina o gafanhoto-sul-americano está caracterizado como praga nacional e se encontra sob monitoramento e vigilância oficial. “Existe um programa nacional que define as estratégias e diretrizes para o seu manejo, que corresponde ao Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar da Argentina (Senasa), denominado Programa Nacional de Acridídeos. Se estabelece a obrigatoriedade de denúncia e realização de tarefas de controle por parte de produtores, proprietários e arrendatários de estabelecimentos agropecuários. O Inta acompanha as ações do programa e colabora com os trabalhos no território”, relata. 

A chegada do surto ao Brasil pode ser questão de tempo. “Tudo depende das condições ambientais, especificamente da direção dos ventos. Atualmente, a nuvem de gafanhotos está  na província de Corrientes, que faz fronteira com essa região do Brasil. Da mesma forma deve-se levar em consideração que o Rio Grande do Sul está na área de possível deslocamento dessa praga”, lembra a pesquisadora. 

Saiba mais em: Nuvem de gafanhotos a caminho do Brasil

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