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Embaixada da China aponta indícios de fraude em etiquetas de sementes misteriosas

A Embaixada da China se manifestou nesta quinta-feira (01/10) a respeito de pacotes com sementes misteriosas recebidos através dos Correios por destinatários brasileiros. O órgão diplomático afirma que em verificação preliminar foram encontrados indícios de fraude com erros no código de rastreamento e outros dados das etiquetas de correspondência que trazem ideogramas chineses na identificação. A nota oficial também afirma que os Correios da China não realizam transporte postal de sementes e respeitam rigorosamente as disposições da União Postal Universal (UPU). 

O recebimento das sementes misteriosas colocou em estado de atenção as autoridades sanitárias brasileiras. Após um alerta realizado pela Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) em 14 de setembro diversos outros casos semelhantes foram registrados em oito estados brasileiros.

Desde então associações de produtores e entidades de pesquisa tem alertado para os riscos do material genético ingressar no país desta forma, sem qualquer fiscalização ou controle. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) também emitiu alerta em que aponta que a importação de vegetais sem autorização pode introduzir pragas ou doenças que não existem ou estão erradicadas no país, além de causar prejuízos econômicos. “Para evitar o risco fitossanitário, o Mapa atua no controle do e-commerce internacional com equipe dedicada a fiscalizar e impedir a entrada de material sem importação autorizada no país”, diz o comunicado.

O pesquisador do Instituto Agronômico de Campinas, José Alberto Caram de Souza-Dias, reforça a necessidade de muito cuidado. “É fácil ocorrer de um ou mais vírus (latente) , que  causa(m) sintomas fracos,  difíceis de serem reconhecidos visualmente nessas plantinhas, não apresentarem o mesmo comportamento  em outras espécies nativas ou cultivadas do Brasil. Sintomas fortes, evidentes e destruidores podem vir a ser observados se forem  transmitidos, por exemplo,  por pulgões  ou  moscas brancas e infectarem hortaliças, tomatais, batatas, pomares, plantações de algodão, café, cana-de-açúcar e álcool, soja, feijão, arroz”, avalia. 

A ausência de comprovação tanto da origem como do conteúdo das sementes tem levado pânico e preocupação a muitos destinatários. Em  Itapetininga, interior de São Paulo até a morte de um felino, que supostamente teria comido partes de uma planta oriunda de tais sementes ganhou repercussão. 

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A íntegra da nota da Embaixada

Soubemos por nota do Ministério da Agricultura e pela imprensa que brasileiros de diferentes partes do país têm recebido pacotes contendo sementes de plantas e que alguns desses pacotes trazem etiquetas com ideogramas chineses.

Sementes são artigos de envio proibido ou restrito para os países membros da União Postal Universal (UPU). Os Correios da China seguem rigorosamente as disposições da UPU e vetam o transporte postal de sementes. Uma verificação preliminar constatou que as etiquetas de endereçamento apresentam indícios de fraude, com erros no código de rastreamento e em outros dados. A Embaixada está disposta a cooperar com a investigação das autoridades brasileiras.



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