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Embrapa e Academia Chinesa de Ciências elaboram agenda conjunta para colaboração em edição genômica de soja

Workshop discutiu a formação de um arranjo de pesquisa conjunto em soja, na área de genética, caracterização de germoplasma, edição genômica, uso de técnica de RNAi e genética funcional da soja. - Foto: Wenderson Araujo/CNA

A Embrapa e a Academia Chinesa de Ciências (CAS) realizaram, nos dias 18 e 19 de agosto, o primeiro workshop para elaboração de uma agenda conjunta de pesquisa e desenvolvimento na área de genômica avançada para a cultura da soja. A iniciativa é a primeira atividade após a assinatura, no ano de 2019, do memorando conjunto de entendimento entre a Embrapa e o Inaseed (Instituto de Genética e Desenvolvimento Biológico), da Academia Chinesa de Ciências, durante encontro dos presidentes da China e do Brasil em Pequim.

workshop discutiu a formação de um arranjo de pesquisa conjunto em soja, na área de genética, caracterização de germoplasma, edição genômica, uso de técnica de RNAi e genética funcional da soja. “O evento representa um avanço significativo na agenda bilateral de cooperação cientifica e tecnológica entre Brasil e China”, destaca o presidente da Embrapa, Celso Moretti.

A parceria com o Inaseed vem sendo negociada desde 2018 em uma ação que envolveu também o Ministério da Agricultura brasileiro, embaixada do Brasil na China, Academia Brasileira de Ciências. “É estratégico para o Brasil e também para a China a união de esforços na pesquisa com a cultura da soja. A China é o maior parceiro comercial do Brasil e destino de, aproximadamente, 80% da exportação brasileira de soja em grão (in natura). Podemos investir de forma conjunta para solucionar gargalos da cultura e melhorar a agregação de valor e novos atributos de qualidade para a soja brasileira”, explica o líder do portfólio de genética e biotecnologia avançada da Embrapa e pesquisador da Embrapa Soja, Alexandre Nepomuceno.

O primeiro workshop seria realizado de forma presencial em fevereiro de 2020, na Embrapa Soja, em Londrina, PR, mas foi suspenso devido à pandemia. A reunião de apresentação das equipes técnicas ocorreu por meio de videoconferência com acesso restrito aos pesquisadores convidados e presença da diretoria-executiva da Embrapa, representantes do Ministério da Ciência e Tecnologia Chinês e embaixada brasileira em Pequim. Guy de Capville, diretor de pesquisa e desenvolvimento da Embrapa, colocou alguns desafios para os cientistas envolvidos: “Precisamos pensar nessa parceria tanto no avanço do conhecimento, como também na inovação, ou seja, identificar projetos que tenham alto potencial para levar a ciência ao mercado”.

Para Hugo Peres, representante da embaixada brasileira em Pequim, a natureza complementar das relações Brasil-China são fatores motivadores para maiores investimentos conjuntos em ciência e tecnologia.  “É uma cooperação com perfil ganha-ganha, onde a segurança alimentar, o abastecimento e as necessidades da cadeia de suprimento chinesas são combinadas com a vocação brasileira de potência agrícola com alta tecnologia e desenvolvimento econômico brasileiro com a geração de emprego e renda no Brasil. A ciência sempre esteve por trás do progresso agrícola brasileiro”, destacou.

Além de pesquisadores da Embrapa Soja, participaram do workshop pesquisadores da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Secretaria de Pesquisa e Desenvolvimento, Gerência de Relações Internacionais da SIRE. Ao término do evento, as contrapartes brasileiras destacaram o grande potencial de cooperação e sinergia entre áreas de pesquisa. “Temos muito a colaborar e vamos trabalhar para que essa agenda avance com projetos conjuntos rapidamente”, destacou o cientista líder da articulação pelo Inaseed, Zhixi Tian. “Os próximos passos envolvem a elaboração das propostas de projetos técnicos conjuntos e busca de fontes de financiamento. Há possibilidades de expandir a cooperação técnica para outras culturas, assim como interesse em avançar com agendas de agricultura digital”, destaca Nepomuceno. A Academia de Ciência da China (CAS) é formada por 110 instituições de pesquisa, sendo que 26 delas atuam na área de ciências da vida.

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