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Embrapa e Apta realizam dia de campo sobre Gestão Ambiental do Sistema de Produção Agroflorestal

  • 10/10/2011 |
  • Cristina Tordin
Em 6 de outubro, aconteceu o dia de campo sobre Gestão Ambiental do Sistema de Produção Agroflorestal com Guanandi, na tradicional Fazenda Coruputuba, em Pindamonhangaba, SP, que completa neste ano um século de atividades pioneiras ligadas ao setor agrícola e florestal.

O dia de campo teve como objetivo capacitar pesquisadores do Pólo Regional do Vale do Paraíba (APTA) na utilização dos mecanismos de gestão desenvolvidos por especialistas da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP). Foram abordados os sistemas de indicadores Ambitec-Agro e APOIA-NovoRural, focados, respectivamente, na avaliação de impactos da adoção de tecnologias no sistema produtivo e no apoio à gestão ambiental visando à sustentabilidade. Os dois sistemas foram apresentados pelo pesquisador Geraldo Stachetti Rodrigues do Laboratório de Gestão Ambiental da Embrapa Meio Ambiente.

Stachetti explica que a atividade se desenvolveu no âmbito do projeto “Biodiversidade na produção agroflorestal de guanandi (Calophyllum braziliensis) e acácia (Acacia mangium)”. “A capacitação dos pesquisadores convidados do Pólo Regional possibilitará a posterior aplicação dos referidos métodos como subsídio à gestão ambiental e conservação da biodiversidade nesta Unidade do Estado de São Paulo”, diz Stachetti.

O estudo de caso enfatizou as contribuições do cultivo do guanandi - espécie florestal plantada comercialmente há cinco anos no ambiente de várzea, por tolerar o alagamento do solo – na qualidade da água. Stachetti esclarece que “apesar dos métodos serem relativamente fáceis de serem aplicados e os resultados obtidos rapidamente, algumas análises, como da qualidade da água, demandam equipamentos sofisticados e mão-de-obra especializada”, o que justifica a parceria institucional.

A atividade foi coordenada pelo pesquisador Antonio Carlos Pries Devide, que tem estudado tecnologias para consolidar esse sistema de produção e diversificação arbórea; e contou com o apoio da empresa CP-4 Guanandi Produtos Agrícolas, do Núcleo de Informação e Transferência do Conhecimento e do Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento do Pólo Regional do Vale do Paraíba.

Os resultados preliminares apontam grande contribuição da implantação de agroflorestas nas áreas de várzea para a qualidade das águas superficiais e controle da erosão laminar quando de eventos pluviométricos extremos, além de melhorias nos índices de desempenho ambiental na dimensão ecologia da paisagem, como diversidade de habitats e diversidade produtiva. Ademais, as agroflorestas aportam importante valorização da propriedade rural, pela melhoria da qualidade dos recursos naturais locais, em especial quando vinculadas a essências florestais de alto valor, como o guanandi.

Em uma escala ampliada, para além do estabelecimento rural de referência deste estudo de caso, o desenvolvimento tecnológico para diversificação arbórea, promovido pela equipe da APTA-Pólo Regional do Vale do Paraíba e seus parceiros, mostra-se uma iniciativa promissora para a região, que carece de alternativas que promovam a economia local, diversifiquem a paisagem e favoreçam a recuperação de áreas ecologicamente frágeis, como as várzeas e áreas de elevado declive.

Para o pesquisador Antonio Devide, a atividade também foi relevante para os pesquisadores da área de Aquicultura do Polo Regional, empenhados no monitoramento da qualidade da água em sistemas de produção de várzea, tendo sido uma excelente oportunidade para estreitar os laços de parceria e promover a troca de saberes entre técnicos e produtores rurais.

Foto: Geraldo Stachetti/Embrapa Meio Ambiente
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