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Especial Agrishow: IAC apresenta o projeto Aplique Bem Pesquisa Participativa

O Instituto Agronômico (IAC) irá apresentar na Agrishow 2018 o projeto Aplique Bem Pesquisa Participativa, uma nova versão do já consagrado trabalho de tecnologia de aplicação de defensivos com foco na qualidade da pulverização e na segurança do trabalhador, desenvolvido pelo IAC desde 2007. Direcionado a agricultores familiares da região de Jundiaí, interior paulista, o Aplique Bem Pesquisa Participativa tem como diferencial o fato de o agricultor não ser mero usuário da pesquisa, mas atuar como membro do estudo. Serão selecionados produtores de frutas e hortaliças com potencial para serem multiplicadores de informações no seu entorno.

De acordo com o pesquisador do IAC, Hamilton Humberto Ramos, a equipe irá buscar, juntamente com os agricultores participantes, a técnica mais adequada para a propriedade de cada um deles. “Feita essa identificação e tendo apresentado a eles os possíveis ganhos em qualidade, em economia e em segurança para o trabalhador, a expectativa é que a compreensão leve à mudança de atitude e à adoção da forma correta e segura de fazer o controle químico de pragas e doenças”, explica o pesquisador do IAC, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA).

A expectativa é que esses agricultores, após participarem diretamente da adequação de procedimentos que compõem a aplicação eficiente e segura, possam transferir as informações a seus conhecidos. Contar com esses multiplicadores pode ajudar a evitar que o agricultor, por insegurança, adote hábitos antigos e incorretos na pulverização. “Esses produtores poderão auxiliar outros, transferindo conhecimentos que os ajudarão no controle químico de pragas e doenças em suas propriedades”, diz Ramos. O pesquisador acredita que esse modo de trabalho irá fazer com que a difusão de informações possa ser mantida ao longo do tempo, mesmo sem a presença da equipe do IAC.

A expectativa é que o projeto esteja em campo em maio de 2018. A atividade terá início com uma avaliação na propriedade de cada fruticultor e horticultor, onde serão avaliados aspectos como possibilidade de troca de ponta do pulverizador, adequação do tamanho de gota, volume de calda e como esses fatores interferem na qualidade da aplicação. “Eles vão visualizar as melhorias que podem ser feitas para começarem a entender como cada alteração realizada impacta a aplicação, considerando a qualidade, o resultado para a cultura e a segurança para o trabalhador e o ambiente”, explica Ramos. A ênfase estará nos resultados da pulverização, com esclarecimentos sobre o passo a passo para obter os melhores desempenhos.

O agricultor participante irá separar uma área em sua propriedade onde será adotada a técnica recomendada pelo projeto Aplique Bem Pesquisa Participativa para que, ao final da safra, ele possa comparar as respostas da lavoura frente à técnica adequada com o modo de aplicação até então usado por ele. “Tanto nesta área quanto no restante da propriedade, utilizada como testemunha, ele irá anotar dados, como volume de calda gasto, volume de produto e tempo de aplicação, que nos permitam, ao final do ciclo, entender a economia observada”, exemplifica.

O pesquisador acredita que esse procedimento facilita a adoção de técnicas no campo. Ele explica que em tecnologia de aplicação o resultado vai além de funcionar ou não e envolve questões como segurança, economia, produtividade e qualidade. “Todos esses aspectos formam o conjunto da operação de aplicação adequada”, resume.

De acordo com Ramos, esse trabalho proporcionará a junção de aspectos técnicos com a impressão do agricultor sobre as atividades desenvolvidas. O resultado final será observado na safra, quando serão analisadas a produtividade e a qualidade. Após a avaliação de todos os dados e antes do final da safra serão realizados dias de campo em que o produtor poderá compartilhar sua experiência e os benefícios observados. “Vamos aproximá-lo da pesquisa, facilitando a solução de problemas relacionados à aplicação; mostrando que ele pode obter ganhos ao fazer bem feito”.

O pesquisador afirma que o projeto irá atuar justamente no segmento que mais carece de informações sobre tecnologia de aplicação de defensivos. Segundo ele, o setor de frutas, hortaliças e flores representa cerca de 5% de todo o agroquímico consumido no Brasil. Apesar de usarem uma pequena parte do volume total de produtos químicos, estão nestes grupos os produtos que apresentam resíduos, conforme dados do Programa de Análises de Resíduos de Agroquímicos em Alimentos (PARA), feito pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Isso mostra, segundo Ramos, que apesar do menor volume utilizado, a falta de adoção de tecnologia adequada leva o grupo a se destacar de forma negativa.

As culturas de soja, milho e algodão representam 80% de todo o defensivo usado nas lavouras brasileiras. Somados à cana-de-açúcar, citros e café, totalizam 95% de todos os produtos químicos utilizados nacionalmente. “E estas culturas não constam na lista de produtos com resíduos, porque, por serem culturas de exportação, o uso da tecnologia de aplicação é mais adequado”, afirma. “Estamos trabalhando para aumentar a frequência do uso correto, de forma racional e responsável; a ideia é que quando o agricultor precisar usar o produto químico, que ele saiba como fazer bem feito e não faça de modo indiscriminado”, diz o pesquisador.

Quem serão os participantes

A motivação do projeto Aplique Bem Pesquisa Participativa é a necessidade de formar difusores da técnica correta de aplicação de agroquímicos. O convite aos agricultores de Jundiaí para participarem do projeto será feito em reunião no dia 26 de abril, quando serão apresentados ao projeto Aplique Bem Pesquisa Participativa. O contato com os produtores está sendo viabilizado pela Prefeitura de Jundiaí, que é parceira do projeto.

“O perfil desejado são produtores que possam contribuir com formadores de opinião em sua região junto a outros agricultores, relatando suas experiências e afirmando sobre a importância da tecnologia de aplicação correta”, relata o pesquisador responsável pelo trabalho, Hamilton Humberto Ramos.

Serão selecionados um ou dois produtores das seguintes culturas: uva, caqui, pêssego, poncã, goiaba e hortaliças. A uva tem período de pulverizaçãode setembro a novembro, o caqui, de setembro a março, o pêssego, de abril a outubro, a poncã, de janeiro a abril enquanto que a goiaba e as hortaliças têm pulverização o ano inteiro.

O trabalho atende à diretriz da SAA de atender a pequenos agricultores, incluindo os familiares. Ramos acredita que para resolver grande parte de problemas não são necessárias novas pesquisas, é preciso transferi-las de forma adequada.

SERVIÇO

Apresentação do Projeto Aplique Bem Pesquisa Participativa

Local: Estande da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo na Agrishow 2018 - Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação. Rodovia Prefeito Antônio Duarte Nogueira, km 321, Ribeirão Preto, SP.

Data: 30 de abril a 4 de maio de 2018

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