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Especialista esclarece qual forma de enxofre utilizar na lavoura

Entenda a importância desse nutriente para o solo e as plantas, bem como a eficiência agronômica das duas fontes. - Foto: Divulgação

O enxofre é um macronutriente essencial ao desenvolvimento das plantas, principalmente por exercer funções chaves como promover a nodulação para a fixação de nitrogênio em leguminosas e ser necessário para a formação da clorofila. Além disso, o enxofre aumenta o teor proteico total e de forrageiras, melhora a qualidade dos cereais para o beneficiamento e o processamento como alimento, e aumenta o teor de óleo das sementes de oleaginosas como a soja, aprimora a palatabilidade dos alimentos, sem esquecer do seu potencial para elevar a resistência à deficiência hídrica.

Mas, recentes pesquisas realizadas no Brasil apontam que em muitas regiões de produção agrícola, o enxofre, que é absorvido preferencialmente pela planta na forma de S-sufalto (SO42-) ainda é um elemento deficiente no solo, devido a isto, precisa-se ter foco em seu manejo.

Nas principais plantas de lavoura, frutícola, olerícola, forrageira, silvícola, hortícola e ornamental, o enxofre é absorvido (extração + exportação), em média, na mesma quantidade absorvida de fósforo. Na cultura da soja, para cada tonelada produzida de grãos, são necessários em torno de 9,0 kg de S. No entanto, vale destacar que para um fornecimento correto de enxofre à lavoura é importante uma análise técnica baseada em análise de solo, de tecido e do histórico da área a ser cultivada.

Sendo assim, o enxofre, na forma de S-Sulfato (SO42-), além de nutrir as plantas, pode exercer, dependendo do tipo de solo, de sua fonte e da quantidade aplicada, uma função condicionadora e, se aplicado corretamente, atua como uma espécie de neutralizador do alumínio, quebrando a barreira química de impedimento ao enraizamento.

Comparando o S-Sulfato com o S-Elementar

O enxofre elementar, apesar de se destacar, principalmente por economia na sua logística, entre os fertilizantes de S em função de sua elevada concentração (90 a 99% de S), precisa ser biologicamente oxidado nos solos à forma de S-Sulfato para ser assimilado pelas plantas. Esse é um processo que dependente das características ambientais do solo e do próprio fertilizante, principalmente o tamanho de partícula exposta aos microrganismos oxidantes. Quanto menor a partícula, maior será a velocidade de transformação do S-elementar a S-sulfato, forma disponível à planta.

De acordo com estudos, este aspecto limita drasticamente a eficiência agronômica do insumo quando aplicado em grânulos, sendo necessário mais de três anos para uma equivalência de eficiência com fontes de S-sulfato de 50% das pastilhas associadas à dispersantes comerciais mais utilizadas.

O professor e Doutor em fertilizante e química do solo, Nelson Horowitz, em sua pesquisa sobre a Oxidação e Eficiência Agronômica do Enxofre Elementar em Solos do Brasil, explica que: “entre as fontes que continham enxofre na forma elementar, que necessita ser oxidado a sulfato para se tornar disponível à planta, os fertilizantes granulados ou pastilhados com S-elementar e com aditivos dispersantes apresentaram uma eficiência muito baixa no primeiro cultivo. Muitas pesquisas ainda precisam ser desenvolvidas em nossas condições para termos mais informações com as fontes mais recentes com S-elementar adicionadas em produtos granulados lançados recentemente”

Conforme o pesquisador, os principais fatores que afetam a oxidação do enxofre elementar no solo são: presença de microrganismos específicos, temperatura, pH, aeração, textura, matéria orgânica e teores de nutrientes, além da superfície das partículas da fonte. Em se tratando de pH, salienta-se que o processo de oxidação do S0 acidifica o solo, porém com calagens feitas corretamente, este problema é facilmente superado.

Na prática, observa-se a superioridade do S-Sulfato em relação a fontes de S-Elementar, principalmente quando o solo for deficiente deste macronutriente. Para facilitar e garantir uma boa produtividade e desenvolvimento das plantas, a recomendação de especialistas é a utilização do enxofre na forma prontamente disponível à planta, na forma de sulfato quando o solo for deficiente do elemento.

“A versão elementar não é absorvida pela planta, precisa passar por uma oxidação até se transformar em sulfato, que é então a forma que será absorvida pela planta”, explica Horowitz.

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