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Especialistas destacam crescimento de registros de bioinsumos no país

Webinar debateu a importância da produção de bioinsumos para a agricultura.

A Embrapa participou do webinar “Bioinsumos: alternativa para a produção de alimentos” coordenada pela Frente Parlamentar Ambientalista. O evento foi aberto pelo deputado federal Rodrigo Agostinho (PSB/SP), presidente da frente, e contou com representantes do Mapa, Embrapa, Croplife Brasil, Aprosoja e da Câmara Temática de agricultura orgânica.

“Os bioinsumos estão crescendo no mundo como forma alternativa de produção”, afirmou o deputado. “Culturas no Brasil já estão utilizando os bioinsumos com elevado nível de sucesso, por isso estamos debatendo o tema, incluindo a participação de diversos segmentos do agro. A ideia é ampliar este debate”, afirmou. O parlamentar abriu o webinar defendendo a popularização da tecnologia e o investimento em pesquisas. O evento foi mediado por Mário Mantovani, diretor da ONG SOS Mata Atlântica, .

A pesquisadora Rose Monnerat, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, participou como representante da Embrapa. O Portfólio de Insumos biológicos reúne mais de 700 pesquisadores e analistas em torno do tema e tem o objetivo de estimular, direcionar e dar suportes a projetos que visam oferecer soluções de pesquisa para o desenvolvimento de insumos biológicos e, como conseqüência, melhorar a produtividade e a sustentabilidade do agronegócio.

São 745 membros envolvidos no controle biológico de plantas e 573 membros na área de promoção de crescimento, distribuídos em 38 Unidades da Embrapa.

São considerados insumos insetos, ácaros, nematóides, feromônios (que atraem pragas), bactérias, fungos e vírus, além dos promotores de crescimento como os inoculantes, biofertilizantes, bioestimulantes, extratos de plantas ou algas, substâncias orgânicas, além de produtos de uso veterinário. Esses foram alguns exemplos de insumos apresentados pela Embrapa durante o encontro virtual. Nos últimos dois anos, 305 produtos biológicos foram registrados e disponibilizados no mercado, de acordo com dados da Croplife no Brasil. 

Para a pesquisadora da Embrapa, que atua na área há 30 anos, um dos desafios é a simplificação do processo de registro de novos bioinsumos junto aos órgãos competentes. “Quando uma empresa vai registrar o seu produto, ela primeiramente deve ter uma autorização de funcionamento, que varia de estado para estado. Muitas delas, depois de estarem prontas, levam mais de um ano para ter essa autorização de funcionamento. Depois que a empresa está autorizada para funcionar são mais ou menos dois anos para ter o registro, que tem um custo bastante elevado”, detalhou. 

Por outro lado, segundo ela, existem atualmente registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) 43 especificações de referência, portanto, se a empresa  registrar um produto que tenha uma das especificações de referência, o tempo de aprovação do produto cai consideravelmente.

A pesquisadora aponta uma grande vantagem no Brasil para a produção de bioinsumos: a biodiversidade. “Outras duas vantagens são a eficácia e a especificidade”, explicou, destacando que um produto biológico consegue atacar o problema sem interferir no meio ambiente, pois são atóxicos ou pouco tóxicos aos animais. “Mas é preciso ter mente os cuidados necessários no armazenamento e a aplicação sob condições especificas”, complementou. Para a cientista, os bioinsumos são ferramentas importantes para o manejo integrado de pragas, viáveis mesmo para cultivos extensivos, porém necessitam de legislação específica, agilidade no registro e aumento de organismos disponíveis para especificações de referência.

O presidente da câmara temática de agricultura orgânica, Luiz Carlos Demattê Filho, se referenciou no Programa Nacional de Boinsumos para destacar a importância de ampliar os investimentos em pesquisas. Ele destacou a importância das especificações de referência para facilitar o registro de produtos a base de bioinsumos por empresas, no entanto, segundo ele, ainda há o desafio de desenvolver especificações de referência para produção animal, pois existem atualmente somente os fitossanitárias. Para ele, os bioinsumos têm grande potencial de redução de custo e de gerar economia para os produtores e para o país. 

Ainda no âmbito do Programa Nacional de Bioinsumos, a agricultura orgânica e a agroecologia foram fundamentais para a sua formação, de acordo com Alessandro Cruvinel, coordenador do Programa Nacional de Bioinsumos do Mapa. 

Segundo o representante do Mapa, no segmento do controle biológico houve uma movimentação, em 2020, de 5 bilhões de dólares no mercado global e pode chegar a 10 bilhões de dólares em 2025, um crescimento da ordem de 10 a 15 por cento ao ano, considerando todas as regiões do mundo. No Brasil, o cenário é ainda mais relevante. O setor tem crescido e chegou a 55% de crescimento, entre 2018 e 2019, e 28%, entre 2019 e 2020, com destaque para os bionematicidas. A participação de bioinsumos no total de defensivos agrícolas saiu de 1,5% em 2017 para 2,6 atualmente. 

Rogério Vian, produtor rural e diretor da Aprosoja em Goiás, falou sobre a sua experiência com soja orgânica. Em sua propriedade, são 990 hectares de cultivo de soja, sendo 400 deles dedicados ao cultivo orgânico, com o uso de bioinsumos. “É possível produzir fazendo uso de bioinsumos em grande escala, mas é importante que se faça bem feito, com critérios e utilizando as soluções tecnológicas adequadas”, ponderou.

Cristian Lohbauer, representante da Croplife Brasil, lembrou que das 42 associadas da instituição, 26 produzem produtos biológicos. Ele ressaltou que, embora o universo dos produtos biológicos ainda seja pequeno (entre 2,5% e 3,5% do mercado brasileiro de defesa vegetal é biológico), o mercado cresce a taxas elevadas. No mundo, o crescimento é de 10 por cento. “E neste ano, ano de pandemia, a nossa maior empresa de produto biológico vai crescer 20 por cento”, complementou.

De acordo com o executivo, os produtos biológicos são tão importantes quanto os tradicionais e vêm crescendo a taxas inéditas. No entanto, é necessário mais pesquisas para conhecimento da eficácia dos produtos. “A produção de biodefensivos deve ser feita com o uso de equipamentos de qualidade e produtos estáveis. Portanto, ainda há muita tecnologia para ser desenvolvida para que o produto ocupe mais espaço no mercado”, afirmou.

Assista aqui webinar completo

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