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Especialistas e produtores debatem sobre a expansão da soja no Pará

O estado do Pará faz parte do quatro ciclo de expansão do grão no país. - Foto: Ronaldo Rosa

A trajetória do cultivo da soja no Brasil e os resultados da pesquisa da Embrapa na região nordeste do Pará foram apresentados por especialistas da instituição a produtores, técnicos extensionistas e estudantes da área agrária na terça-feira (10), durante a programação da Expofac 2019, em Castanhal (PA). 

Impacto da pesquisa

A pesquisa agropecuária foi fundamental na trajetória do cultivo da soja no Brasil. O pesquisador Amélio Dall’Agnol, da Embrapa Soja, destacou tecnologias que mais impactaram para o avanço desse grão no país. O melhoramento genético da cultura, que permitiu o cultivo da soja em regiões tropicais e de baixa latitude; os materiais transgênicos que aferiram mais tolerância e resistência a pragas e doenças; plantio de direto; manejo de pragas e doenças; entre outras.

O Brasil é o segundo maior produtor desse grão no mundo, com 119 milhões de toneladas em 2018, perdendo apenas para os Estados Unidos, que no ano passado produziu 125 milhões de toneladas. “As projeções apontam que até 2050 o Brasil vai ser o maior produtor mundial. Isso porque temos produtividade, terra e tecnologia”, afirma o agrônomo Amélio Dall’Agnol, pesquisador da Embrapa Soja (Londrina, PR), que apresentou a trajetória da soja no Brasil.

Nos últimos 30 anos a área plantada de soja no Brasil cresceu mais de 200% e a produção quase 500%, e o estado do Pará faz parte do quatro ciclo de expansão do grão no país. Prova disso é a experiência do agricultor Renato Fertz, que há cinco anos saiu de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, para cultivar a soja no município de Tracuateua, no nordeste do Pará.

Renato é um dos pioneiros na região e diz que ainda há muitas lacunas de informação para a sojicultura nesse território. “A minha área é um canteiro de experimentos. A cada ano vamos ajustando as variedades, a época certa de plantio e o manejo. É a pesquisa que vai nos dar um caminho mais seguro”, afirma o agricultor.

A região de Castanhal apresenta condições favoráveis de solo e clima, e ainda reúne outras características importantes, segundo o presidente do Sindicato Rural de Castanhal, Francisco Gomes da Silva. “Temos uma logística já estabelecida, pois estamos próximos de estradas e centros logísticos de distribuição, a presença de granjas consumidoras de farelo e ração animal, a presença de grandes áreas já abertas, planas e muita chuva”, enumera o produtor. 

Para o agrônomo Jamil Chaar El Husny, pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental (Belém, PA), a experiência do cultivo da soja em Paragominas, que é o maior polo de produção desse grão no estado, pode ser levada para o nordeste do Pará. “A nossa estratégia lá foi inicialmente trabalhar com variedades para a região, depois estabelecer época de plantio e partir dessas duas etapas refinar o processo de pesquisa com fertilidade do solo, estudo de pragas e doenças e manejo integrado”, explica o especialista.

Na região de Castanhal, o agrônomo acredita que a soja pode compor sistemas de produção que integrem a pecuária e a agricultura, por exemplo, utilizando melhor as áreas e renovando pastagens. “A sojicultora aqui vai ao encontro de uma sistema de sustentabilidade da produção agropecuária”, afirma.

Desafios da pesquisa no Nordeste Paraense

Os resultados da pesquisa com as cultivares de soja (variedades cultivadas) que a Embrapa vem conduzindo na região foram apresentados pelo pesquisador Roni Azevedo, da Embrapa Amazônia Oriental. O trabalho aponta para duas variedades com elevado potencial de rendimento de grãos e proteção contra as principais pragas que atacam as lavouras: as cultivares BRS 9383IPRO e BRS 9180IPRO. O pesquisador destaca que o rendimento do material da Embrapa nas lavouras fica em torno de 4 toneladas por hectare, enquanto que o rendimento médio do município está em torno de 3 toneladas por hectare. 

Outro ponto que merece destaque é a época de plantio. “Como chove muito nessa região, precisamos definir o calendário de plantio da soja nessa região baseado na precipitação pluviométrica ao longo do ano, para possibilitar a colheita e não ter perdas na qualidade dos grãos”, explica.

Para a introdução do cultivo do grão nesse município, a Embrapa, a Prefeitura de Castanhal, o Sindicato Rural do município e produtor firmaram acordo de cooperação técnica que assegura o desenvolvimento de ações de pesquisa e transferência de tecnologias com a cultura da soja na região. As ações envolvem a adaptação de novas cultivares para o solo e clima locais, época de plantio e sistemas de produção. “O papel da Embrapa é contribuir para a abertura de novas fronteiras agrícolas baseadas em tecnologia e sustentabilidade”, finaliza Roni Azevedo.  

Soja no Pará

Dados do IBGE mostram que o estado do Pará plantou, em 2018, cerca de 560 mil hectares de soja, sendo mais de 300 mil na região de Paragominas, que é o principal polo produtor de grãos do estado. A produção paraense, em 2018, ficou em 1 milhão e 640 mil toneladas do grão, e a expectativa é que sejam colhidos 1 milhão e 800 mil t na safra deste ano, segundo o IBGE. O estado é o segundo maior produtor de soja da região Norte, atrás somente do Tocantins, que em 2018 produziu 2 milhões e 500 mil toneladas, e o 13º do Brasil.


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