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Especialistas orientam sobre Meiosi na cana-de-açúcar

  • 26/04/2018 |
  • Ingrid Ribeiro

Intercalar lavouras de interesse econômico e agronômico com a cana-de-açúcar é uma prática que tem ganhado grande expressão no cenário atual da produção da cultura. A estratégia tornou-se a principal alternativa para os produtores reduzirem custos de implantação e aperfeiçoarem o sistema de logística e o local de cultivo (condições químicas, físicas, biota e microbiota do solo). Reconhecido como Meiosi (Método Interrotacional Ocorrendo Simultaneamente), o sistema oferece diversos benefícios, incluindo a proteção do solo contra erosão no período de renovação do canavial.

Com inúmeras vantagens, principalmente no fator de produtividade, a técnica consiste em plantar linhas mães de mudas pré-brotadas (MPBs) sadias, sem patógenos e pragas, para ter um canavial livre de falhas e de melhor qualidade fitossanitária, desde o cultivo. “Dessa forma, a prática colabora para a longevidade da cultura”, explica Roberto Toledo, gerente de Produtos Herbicidas e Cana-de-açúcar da Ourofino Agrociência.

O sistema também proporciona uma elevada economia no consumo de mudas no plantio da desdobra, bem como reduz a estrutura operacional, que envolve plantadoras, caminhões, transbordos, carregadeiras e tratores. O custo total dessa técnica é inferior quando comparado ao plantio tradicional da cana-de-açúcar.

Ana Paula Bonilha, especialista de Desenvolvimento de Produto e Mercado da Ourofino, ressalta que outro fator positivo é a redução da dispersão do bicudo (Sphenophorus Levis), uma importante praga de solo que é disseminada, principalmente, por meio do transporte de mudas de uma área a outra, o que fez a Meiosi ganhar atuação expressiva em estados como São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Paraná. “No interior paulista, o sistema também tem elevado reconhecimento, especialmente nas cidades de Pradópolis, Guatapará, Jaboticabal, Ituverava, Mococa, Dumont, entre outras”, diz Bonilha.

De acordo com os especialistas, no primeiro momento, a Meiosi deve ser planejada para execução nos meses de setembro e outubro, na proporção variável (considerando a taxa de desdobra: 1:8, 1:10, 1:12 ou 1:14). O índice depende, principalmente, da experiência e do conhecimento do produtor, porém, é comum os números iniciarem baixos e, a partir do ganho de experiência no sistema, aumentarem, podendo chegar a 1:20.

A cana plantada servirá de muda para o cultivo do restante da área no fim do período das águas (fevereiro/março). Já a cultura intercalar fornecerá uma renda extra, como a soja e o amendoim, ou será incorporada ao solo, no caso da Crotalária.

“A escolha da variedade para o sistema de Meiosi deve atender aos quesitos técnicos que se espera da área de canavial. Por exemplo: a seleção precisa considerar o ambiente de produção, a utilização, ou não, de variedades precoces ou mais resistentes ao plantio e a colheita mecanizada”, pontua Edson de Mattos, Gerente de Pesquisa Agrícola da Ourofino Agrociência.

Mattos ainda pontua que os segmentos que mais utilizam a técnica atualmente são as usinas e os produtores de médio e grande porte. “Além dos benefícios já citados acima, os agricultores obtêm redução do consumo de muda, simplificação das operações, sanidade com relação às pragas e doenças, planejamento da área a ser plantada, uniformidade do canavial formado, renda extra com a comercialização da produção obtida no sistema de rotação e possibilidade de preenchimento de falhas”.

Nesse cenário, pesquisas com universidades, centro de estudos da cana-de-açúcar e usinas são realizadas constantemente para compreender a interação dos diferentes produtos, bem como analisar fatores como a variedade de cana utilizada, a diversidade de ambientes de produção, a época de plantio, as plantas daninhas e pragas predominantes e a seletividade de cada solução.

“O intuito é que a recomendação técnica seja cada vez mais assertiva e, assim, contribua com um manejo integrado, permitindo que o canavial expresse todo o seu potencial produtivo”, reforça o gerente de Produtos Herbicidas e Cana-de-açúcar.

Toledo também explica que as pesquisas e os estudos realizados são para desenvolver um controle eficaz de plantas daninhas e pragas na cana-de-açúcar, com portfólios completos de defensivos agrícolas. “São herbicidas e inseticidas que atuam durante todo o ciclo e em todas as fases da cultura. Nesse cenário, já temos à disposição do mercado as soluções AclamadoBR (atrazina), Coronel (metribuzim), Diox (diuron), Fortaleza (tebutiurom), GrandeBR (clomazone), PonteiroBR (sulfentrazone), MegaBR (ametrina), MegaBR Duo (ametrina + clomazone), Singular (fipronil) e Diamante (imidacloprido), dentre outras que serão lançadas em breve”.

 

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