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Ferramentas eficientes no manejo de corós na lavoura

As alterações trazidas pela atividade agrícola intensa no Cerrado brasileiro resultaram em mudanças na dinâmica das pragas, em especial as associadas ao solo, como é o caso dos corós.

A ocupação agrícola do Cerrado, nos últimos 30 anos, proporcionou um desenvolvimento excepcional, onde os sistemas de produção de grãos foram bastante modificados. Todavia, essas modificações têm proporcionado mudanças na composição, na abundância e na capacidade de adaptação de diferentes pragas, à medida que os sistemas se expandem e se diversificam. Essas mudanças têm sido observadas principalmente para as espécies que estão intimamente associadas ao solo, como é o caso dos insetos que atacam as partes subterrâneas das plantas. Dentro desse grupo de pragas, destacam-se os corós, que são também denominados de “pão-de-galinha” ou “bicho bolo”, o quais podem atacar as raízes das plantas cultivadas, afetando o estande e a uniformidade da cultura, bem como a sua produtividade.

Várias espécies de besouros apresentam larvas que se desenvolvem no solo, porém apenas uma pequena percentagem desses organismos causa danos aos cultivos agrícolas. O termo “corós” tem sido utilizado para larvas de besouros (ordem: Coleoptera), pertencentes à família Melolonthidae, que atacam as raízes de plantas cultivadas e causam prejuízos econômicos, podendo ocorrer tanto no sistema de plantio direto como no plantio convencional. As fases de ovo, larva e pupa dos corós ocorre no solo e esses insetos geralmente apresentam ciclo univoltino (uma geração por ano) com três instares larvais. As larvas possuem corpo recurvado (em forma de C), coloração branca-leitosa e três pares de pernas torácicas. No Cerrado, as revoadas dos adultos ocorrem durante a primavera, após as primeiras chuvas e antes dos cultivos de verão, quando os insetos acasalam e iniciam a postura no solo.

Os danos dos corós são causados pelo consumo de raízes ou até mesmo dos nódulos de fixação biológica de nitrogênio, acarretando redução na capacidade das plantas de absorver água e nutrientes. A intensidade desses danos é maior em plantas jovens, especialmente quando são cultivadas em condições de déficit hídrico. As plantas atacadas por corós apresentam inicialmente desenvolvimento retardado, seguido por amarelecimento, murcha e morte, sendo esses sintomas observados normalmente em reboleiras distribuídas irregularmente nas lavouras. Em condições de alta infestação de corós no solo, pode ocorrer até 100% de perda da lavoura, dependendo da cultura atacada, especialmente quando a presença de larvas mais desenvolvidas coincide com a fase inicial de desenvolvimento das plantas.

Principais espécies de corós do Cerrado

Existem basicamente cinco principais espécies de corós-pragas que ocorrem, com frequência, na região do Cerrado brasileiro: Phyllophaga cuyabana (Moser), Phyllophaga capillata (Blanchard), Aegopsis bolboceridus (Thomson), Liogenys fusca Blanchard e Liogenys suturalis (Blanchard), as quais serão descritas a seguir, associadas às diferentes culturas em que causam danos no sistema radicular.

Phyllophaga cuyabana (Figura 1) tradicionalmente ocorre nas lavouras do Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás, onde atacam especialmente as culturas de soja, milho e os cereais de inverno como trigo e aveia. Todavia, esta espécie está mais associada à soja, sendo assim denominada de coró-pequeno-da-soja, embora outras espécies de corós possam também atacar essa cultura. P. cuyabana apresenta apenas uma geração por ano (univoltino). A revoada dos adultos para acasalamento e dispersão ocorre no início da estação chuvosa e as fases de larvas coincidem com o período de cultivo da soja. Os ovos são colocados em câmaras individuais no solo, geralmente na camada de 3cm a 15cm de profundidade. Esse coró apresenta três pares de pernas torácicas e cabeça marrom-amarelada, o qual passa por três instares larvais. As larvas de primeiro instar ocorrem de novembro a janeiro, as de segundo instar de dezembro a fevereiro e as de terceiro instar de janeiro a abril. Quando as larvas de terceiro instar cessam a alimentação, se aprofundam no perfil do solo, constroem um casulo e entram em diapausa. As pupas são observadas a partir do mês de setembro e a emergência de adultos durante o mês de outubro.

Figura 1 - Adulto (A) e larva (B) de Phyllophaga cuyabana
Figura 1 - Adulto (A) e larva (B) de Phyllophaga cuyabana

Os danos de P. cuyabana na soja e no milho são mais intensos a partir de larvas de segundo e terceiro instares, sendo os reflexos do ataque no sistema radicular das plantas mais intensos em solo de baixa fertilidade, com camadas adensadas e sob condições de déficit hídrico. Uma elevada densidade de larvas no solo pode reduzir acentuadamente o sistema radicular das plantas e afetar drasticamente o estande e o rendimento de grãos das culturas (Figura 2). Com a redução do estande da soja, a superfície do solo fica descoberta, predispondo o desenvolvimento de plantas daninhas na área, o que aumenta a sua competitividade com a soja ou o milho e dificulta a colheita principalmente da soja (Figura 3).

Figura 2 - Lavouras de soja com danos de corós
Figura 2 - Lavouras de soja com danos de corós
Figura 3 - Lavouras de soja com infestação de plantas daninhas
Figura 3 - Lavouras de soja com infestação de plantas daninhas

O coró-da-soja-do-cerrado, Phyllophaga capillata (Figura 4), tem sido constatado causando danos na cultura da soja no Distrito Federal e nos estados de Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso. O ciclo biológico de P. capillata, que dura um ano, se inicia com a revoada dos adultos que ocorre com as primeiras chuvas (setembro/outubro) no Brasil Central. Os adultos saem em revoadas durante a noite, se acasalam e retornam ao solo. No solo, as fêmeas começam a postura, colocando seus ovos em pequenas câmaras de barro, principalmente embaixo de plantas daninhas. Os ovos (2,3mm) são encontrados nos meses de outubro e novembro. As larvas apresentam cabeça de coloração castanha, com mandíbulas robustas. As larvas de primeiro instar (1,1cm) podem ser encontradas entre novembro e dezembro. O segundo instar (2,1cm) ocorre entre novembro e janeiro, e as de terceiro instar (3,7cm) são observadas de janeiro a junho. A partir do final de março as larvas de terceiro instar cessam a alimentação, constroem um casulo de barro (câmara pupal) e entram em diapausa (redução do metabolismo). As pupas (2,2cm) são observadas entre julho e agosto. Os adultos (1,8cm) são muito similares aos de P. cuyabana, apresentam coloração castanha exceto o abdômen, de coloração amarelada. Todo o corpo é coberto por pelos branco-amarelados, mais abundantes do que em P. cuyabana. Adultos inativos no interior do solo são observados em agosto e setembro, e após as chuvas entram em atividade e são observados em revoada até novembro/dezembro.

Figura 4 - Adulto (A) e larva (B) de Phyllophaga capillata
Figura 4 - Adulto (A) e larva (B) de Phyllophaga capillata

Embora P. capillata já tenha sido relatada atacando cultivos de mandioca, os maiores prejuízos têm sido observados em cultivos de soja no Brasil Central (Figura 5). Os ataques ocorrem em reboleiras e o consumo das raízes das plantas de soja levam a uma redução no desenvolvimento e até a morte das plantas, reduzindo a produtividade e o estande da cultura. Estudos de campo apontam que em ataques severos podem provocar reduções de 37,7% no estande, 60,7% no peso de plantas, 53,4% no peso de vagens e 58,5% no peso de grãos. Os resultados desse estudo demonstraram a importância dessa praga como fator de redução de produtividade da soja no Cerrado.

Figura 5 - Sintomas de ataque de Phyllophaga capillata em soja no Distrito Federal
Figura 5 - Sintomas de ataque de Phyllophaga capillata em soja no Distrito Federal

O coró-das-hortaliças, A. bolboceridus (Figura 6), ocorre no Distrito Federal e nos estados de Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Paraná. Este coró já foi observado atacando pelo menos 15 espécies de plantas cultivadas, porém seus maiores danos têm sido registrados em cultivos de milho, morango e hortaliças. À semelhança de outras espécies de corós do Cerrado, seu ciclo biológico dura um ano e as fases ativas do inseto (adultos em revoada e larvas) ocorrem na estação chuvosa (setembro-março). As revoadas têm início na primavera com as primeiras chuvas (setembro/outubro). Os adultos saem do solo à noite para acasalamento, dispersão e postura. Os ovos (3-4mm) são colocados no solo entre outubro e novembro. As larvas possuem cabeça castanha. As do primeiro instar (2,2cm) ocorrem de outubro a dezembro, as de segundo instar (4,2cm) de novembro a janeiro e as de terceiro (8,6cm), de novembro a maio. A partir do final de março as larvas entram em diapausa dentro da câmara pupal. As pupas são encontradas de maio a julho. Os adultos apresentam coloração que varia do castanho-escuro ao avermelhado, com pelos castanho-avermelhados na parte ventral do tórax e abdome. Os machos possuem dois prolongamentos em forma de chifres no protórax e um na cabeça. Os adultos são encontrados de julho a setembro no solo (inativos) e em revoada de setembro a outubro.

Figura 6 - Adultos (A – macho e B - fêmea) e larva (C) de Aegopsis bolboceridus
Figura 6 - Adultos (A – macho e B - fêmea) e larva (C) de Aegopsis bolboceridus

O coró-das-hortaliças apresenta alta capacidade de consumo de raízes, sobretudo no terceiro instar, quando larvas atingem quase 9cm. Assim, o ataque dessa espécie quase sempre leva as plantas atacadas à morte (Figura 7). Na cultura do milho, por exemplo, A. bolboceridus tem causado reduções médias de 60% no peso dos grãos, 28% no peso do sabugo, 23% no número de grãos e 12% no comprimento do sabugo.

Figura 7 - Sintomas de ataque de Aegopsis bolboceridus em milho em Goiás. Acamamento de plantas (A) e planta de milho com sistema radicular danificado (B)
Figura 7 - Sintomas de ataque de Aegopsis bolboceridus em milho em Goiás. Acamamento de plantas (A) e planta de milho com sistema radicular danificado (B)

Outra espécie constatada nos estados de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul é Liogenys fusca (Figura 8), estudada desde a safra 2002/2003 em lavouras conduzidas no Sistema Plantio Direto. Após completarem o ciclo imaturo, os adultos saem do solo em revoadas para oviposição e dispersão durante os meses de setembro e outubro, coincidindo com as primeiras chuvas da região. Os ovos de L. fusca são encontrados no solo, a partir do mês de outubro. As larvas podem se alimentar de várias espécies vegetais de importância econômica como a soja, o milho e a cana-de-açúcar. Estudos conduzidos no estado de Mato Grosso do Sul verificaram que o período de desenvolvimento para as larvas de primeiro, segundo e terceiro instares foram de 28,5 dias, 48,8 dias e 68,2 dias, respectivamente, enquanto o período pupal foi de 120,2 dias. Na safra 2002/2003, larvas de L. fusca foram encontradas em altas densidades no solo de lavouras de soja de diversas regiões de Goiás, em especial nos municípios de Edeia e Leopoldo de Bulhões, quando foram verificadas perdas de 50% a 100% no rendimento de grãos dessa cultura. Na safra 2006/2007, essa mesma espécie foi também constatada na região da Pedra Preta, no estado de Mato Grosso, causando acentuada redução de estande e de produtividade da soja.

Figura 8 - Adulto de L. fusca (A) onde se observam  o clípeo dentado, a coloração e as pernas com tarsos dilatados e (B) larva
Figura 8 - Adulto de L. fusca (A) onde se observam o clípeo dentado, a coloração e as pernas com tarsos dilatados e (B) larva

Liogenys suturalis é um coró nativo do Brasil e da Bolívia, com ocorrência nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Paraná. Essa espécie tem sido denominada de coró-do-milho por ser frequentemente encontrada atacando as raízes das plantas dessa cultura, embora possa também atacar o trigo e a aveia, geralmente associado a gramíneas. Os adultos de Liogenys suturalis (Figura 9) apresentam corpo de coloração marrom brilhante, com élitros dourados e opacos e pronoto marrom-avermelhado. Em razão da sua forte atração pela luz, em períodos de intensa revoada, são facilmente encontrados à noite nas lâmpadas das residências agrícolas ou no farol de veículos. Durante o período de revoada, os adultos podem também ser observados sobre árvores próximas, quando ficam imóveis em cima dos galhos e, dependendo da espécie vegetal, podendo se alimentar das suas folhas, como ocorre com as do pessegueiro. Os ovos são encontrados no solo a partir da segunda quinzena de outubro. Já as larvas medem, no máximo desenvolvimento, cerca de 25mm de comprimento. As larvas de primeiro instar são encontradas em maior abundância durante os meses de novembro e dezembro e as de segundo instar a partir do mês de janeiro. A partir de fevereiro predominam as larvas mais desenvolvidas de terceiro instar, que permanecem neste último instar até meados de agosto. No final do terceiro instar, as larvas passam por um período de inanição (pré-pupa), quando realizam a limpeza do sistema digestivo. Neste estágio apresentam uma coloração mais esbranquiçada e com o tegumento mais espesso. Já as pupas são encontradas no período de agosto a outubro e com maior abundância em setembro, período esse em que também se observa a revoada dos adultos para acasalamento e dispersão.

Figura 9 - Adulto (A) e larva (B) de Liogenys suturalis
Figura 9 - Adulto (A) e larva (B) de Liogenys suturalis

A fase larval de L. suturalis coincide com a época de plantio do milho safrinha, trigo e/ou aveia em Mato Grosso do Sul. Durante os meses de janeiro a abril este coró apresenta maior potencial de danos nas raízes do milho e do trigo, pois nessa ocasião predominam larvas mais desenvolvidas. A intensidade de danos no sistema radicular do milho é maior durante os estádios iniciais de desenvolvimento da cultura, especialmente em condições de estiagem, à semelhança do verificado para P. cuyabana em soja (Figura 10). Pesquisas conduzidas na região Sul de Mato Grosso do Sul constataram também elevada incidência de larvas e de adultos de L. suturalis em canaviais. Todavia, o potencial de danos dessa espécie na cultura da cana-de-açúcar não foi ainda determinado.

Figura 10 - Danos de Liogenys suturalis em milho
Figura 10 - Danos de Liogenys suturalis em milho

Manejo de corós nos cultivos

Para o manejo das espécies de corós, é necessário o monitoramento dessas pragas antes da instalação das lavouras, uma vez que os métodos de controle mais eficientes são aqueles adotados preventivamente.

Dentre as táticas que podem ser utilizadas para o controle de corós, destacam-se escolha da melhor época de semeadura, preparo do solo com implementos adequados, controle biológico e controle químico por meio do uso de inseticidas aplicados nas sementes ou em pulverização no sulco de semeadura. Como os adultos dos corós apresentam normalmente uma forte atração pela luz, o uso de armadilhas luminosas durante o período de emergência dos insetos do solo pode capturar um número expressivo de insetos durante a noite e assim contribuir para reduzir a sua infestação na área dos cultivos. Essa atratividade pela luz tem sido observada para praticamente todas as cinco espécies de corós anteriormente descritas.

Conhecendo a dinâmica populacional de adultos e das larvas das diferentes espécies de corós em uma determinada região, é possível programar a época de semeadura com o objetivo de minimizar os danos. No estado do Paraná, a semeadura da soja em outubro ou nos primeiros dias de novembro pode evitar a sincronia dos estádios mais suscetíveis da cultura ao ataque das larvas de segundo e terceiro instares de P. cuyabana, diminuindo potencialmente o dano causado à lavoura. A rotação de culturas é outra tática de controle cultural de corós que pode ser utilizada nos sistemas de produção. Os cultivos de Crotalária juncea, C. spectabilis, C. micans, C. paulinea ou algodão podem ser utilizados em rotação com a soja em áreas infestadas com P. cuyabana P. capillata, uma vez que o consumo das raízes dessas plantas prejudica o desenvolvimento larval dessas espécies de corós. Da mesma forma, o preparo do solo pode reduzir significativamente a população de corós, dependendo da espécie considerada e do tipo de implemento utilizado no preparo. Trabalhos conduzidos no Mato Grosso do Sul demostraram que a gradagem do solo, antes da semeadura do milho, reduziu em até 50% a população de larvas de L. suturalis neste ambiente. O revolvimento do solo causa a mortalidade dos corós devido ao dano mecânico causado às formas imaturas (ovos, larvas e pupas), pela sua exposição a aves e outros predadores, bem como decorrente do deslocamento das mesmas para a superfície do solo, onde prevalecem condições de radiação solar, de umidade e de temperatura menos adequadas à sua sobrevivência.

O controle biológico de corós no solo pode ser realizado empregando-se fungos ou nematoides entomopatogênicos e até mesmo parasitoides de larvas. É comum observar, em condições de campo, larvas ou adultos de corós contaminados naturalmente pelos fungos Metarhizium anisopliae Beauveria bassiana. Nematoides entomopatogênicos do gênero Steinernema podem também controlar larvas de L. suturalis quando aplicados no solo por ocasião da semeadura do milho. Vários estudos têm sido conduzidos pelo Instituto Biológico de Campinas, São Paulo, para o controle de corós na cultura da cana-de-açúcar empregando-se principalmente nematoides entomopatogênicos dos gêneros Steinernema e Heterohabiditis. Coletas realizadas na região de Dourados, Mato Grosso do Sul, registraram que moscas parasitoides da família Tachinidae, gênero Ptilodexia podem se desenvolver naturalmente em larvas de L. suturalis no solo e ocasionar a morte de até 22,5% desse coró, como foi constatado no município de Laguna Carapã, Mato Grosso do Sul. Quando esse coró se encontra na fase de pré-pupa, a larva desse parasitoide abandona o seu corpo, deixando um orifício de saída, para pupar no solo.

O controle químico de corós, por meio do emprego de inseticidas nas sementes ou em pulverização no sulco de semeadura, tem se apresentado como uma das alternativas mais eficientes para o manejo das diferentes espécies de corós nos sistemas de produção, especialmente em sistemas conservacionistas, como é o plantio direto. Trabalhos conduzidos na Embrapa Agropecuária Oeste de Dourados evidenciaram a viabilidade de um controle efetivo tanto de P. cuyabana em soja como de L. suturalis em milho empregando-se inseticidas nas sementes ou em pulverização no sulco de plantio destas culturas. Pesquisas conduzidas pela Fundação MT, em parceria com a Embrapa Agropecuária Oeste, identificaram vários ingredientes ativos e doses efetivas para o controle de L. fusca em soja por meio da sua aplicação nas sementes e no sulco de semeadura desta cultura.

No estado do Mato Grosso, P. capillata tem ocasionado danos à cultura da soja, em reboleiras, mas com reduções de porte de planta e peso de raiz superior em relação à espécie P. cuyabana. Em trabalhos realizados, durante a safra de soja observou-se incremento de produtividade de até 20% para áreas tratadas com clorantraniliprole e ciantraniliprole no sulco de plantio, bem como aumento no peso de plantas de até 27,1% e comprimento de raiz 34,3% superior em relação à área sem controle. Nessas áreas observa-se redução de altura.  Diferentemente da espécie P. cuyabana, para P. capillata o tratamento de sementes com fipronil não tem controle efetivo e proteção às plantas. Isso foi quantificado em área com histórico de ataque onde a mistura de fipronil + imidacloprido apresentou 65,2% a mais no peso de plantas aos 28 dias após a emergência das plantas, também a mistura de fipronil + clotiandinin reverteu em vigor de plantas em 38% em relação às áreas não tratadas e 21% a mais comparado ao tratamento isolado com fipronil. Isso reforça a necessidade de se ter o histórico da área e também a identificação da espécie ocorrente na área.

Crébio José ávila, Embrapa Agropecuária Oeste; Charles Martins de Oliveira, Embrapa Cerrados; Lúcia Madalena Vivan, Fundação MT; Mariana Alejandra Chermar, Universidade Federal do Mato Grosso

Cultivar Grandes Culturas Dezembro/Janeiro 2021

A cada nova edição, a Cultivar Grandes Culturas divulga uma série de conteúdos técnicos produzidos por pesquisadores renomados de todo o Brasil, que abordam as principais dificuldades e desafios encontrados no campo pelos produtores rurais. Através de pesquisas focadas no controle das principais pragas e doenças do cultivo de grandes culturas, a Revista auxilia o agricultor na busca por soluções de manejo que incrementem sua rentabilidade. 

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