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Manejo de solo comprova eficiência durante estiagens

Quando implementadas práticas de manejo do solo adequadas, as perdas são amenizadas. - Foto: Josemar Parise.

A seca que atingiu o Rio Grande do Sul trouxe muitos prejuízos para os agricultores. A média de produção de soja nas lavouras do município de Mormaço, no Alto da Serra do Botucaraí, foi de 22 sacas por hectare, sendo que a expectativa no momento do plantio era de 58 sacas de soja por hectare. Contudo, na lavoura do agricultor Rogério Koenig a produtividade chegou a 47 sacas por hectare, 113% a mais do que nas demais lavouras. O resultado se deu porque, desde 2016, a propriedade do agricultor é uma Unidade de Referência Técnica (URT) da Emater/RS-Ascar, acompanhada em parceria com a Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), em fertilidade e conservação do solo e da água, visando recuperar a qualidade e descompactar o solo.

O extensionista rural Agropecuário da Emater/RS-Ascar, Josemar Parise, frisa que nesta safra de 2019/2020 ficou comprovado que, quando implementadas práticas de manejo do solo adequadas, as perdas - seja por breves estiagens de duas a três semanas, como tem ocorrido em anos considerados de safras normais, ou em períodos de secas prolongadas, como esta última safra - são amenizadas quando o solo é manejado de forma correta. “Descompactação do solo, correção da acidez e da fertilidade, práticas mecânicas conservacionistas e aporte de massa seca em quantidade, qualidade e frequência, seja por sucessão ou rotação de culturas, são imprescindíveis para fazer uma agricultura sustentável”, ressalta.

O extensionista explica que na URT do agricultor Rogério Koenig se comprovou a eficiência dessas práticas, quando executadas de forma associada. Implantada em 2016, a Unidade apresenta bons resultados, desde as primeiras safras de milho. “Houve estabilidade na produção de grãos, mesmo com a ocorrência de breves estiagens no período de maior exigência hídrica, que é a fase de enchimento de grãos. Observamos pouca diferença na produtividade em relação à área irrigada”, pondera.

Quanto a esta safra de soja, em que se registrou longo período de seca, foi possível confirmar que o manejo realizado na área permitiu um crescimento maior do sistema radicular da soja em profundidade, buscando mais água. “Com isso, a produtividade obtida foi mais do que o dobro da média das áreas sem esse manejo” ressalta Parise.

O agricultor relata que as práticas de manejo do solo iniciaram somente com a implantação da URT, em uma área de cinco hectares. “Eu notava a necessidade de uma ação no solo para aumentar a produtividade e vi, nesse projeto, uma oportunidade. Desde as primeiras ações, notei a diferença, mas hoje vejo que valeu o esforço. A lavoura se comportou muito bem”, observa Rogério. O agricultor conta que entre as ações realizadas constaram a descompactação do solo, o cultivo de um mix de plantas de cobertura, colocação de calcário em profundidade e a rotação de culturas comerciais, como soja, milho e trigo.

Parise frisa que foram utilizadas duas técnicas de manejo do solo no momento do plantio desta safra. Na primeira, uma área compactada, porém com o uso na semeadura de haste sulcadora - tecnologia desenvolvida pela Embrapa – abriu uma fenda profunda no solo e permitiu à raiz principal (pivotante) buscar maior profundidade. Nesta área foi registrada uma produtividade de 45,5 sacas de soja por hectare.

Rotação de culturas

Já na área descompactada de forma mecânica foram colhidas 47 sacas de soja por hectare. “Um fator importante para essa pequena diferença de produtividade entre os dois manejos é que na primeira área teve o plantio de três safras sucessivas de milho, antecedendo a soja. Devido ao seu sistema radicular e o excelente aporte de palhada como um todo, o milho exerce um papel importante na melhoria das características físicas e biológicas do solo”, explica Parise. Já na área irrigada, que não sentiu os efeitos da estiagem, a média de produção foi de 62 sacas por hectare.

Com os resultados obtidos, extensionista e agricultor destacam a importância da URT e do manejo do solo. “Isso demonstra a importância de implantar URTs, pois são espaços importantes de demonstração de resultados e convencimento dos agricultores através da prática. Isso motiva para que os mesmos possam replicar essas tecnologias nas suas propriedades”, concluiu Parise.

“É importante começar, independente do tamanho da lavoura é preciso recuperar o solo. Ninguém consegue fazer o manejo na totalidade da lavoura logo no começo, mas é importante começar em uma pequena área e expandir a cada ano. Dar condições para o solo produzir é fundamental”, aconselha Rogério.

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