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Medidas de controle do percevejo-do-colmo em arroz

O percevejo Tibraca limbativentris é uma das principais pragas que provocam prejuízos à cultura do arroz, seja por dificultar a fotossíntese ou por prejudicar o transporte de nutrientes à planta.

Vários fatores causam queda no rendimento e na produção das culturas de interesse agrícola. Sem dúvida, pragas é um deles. Na cultura do arroz, o percevejo-do-colmo (Tibraca limbativentris) é reconhecido com uma das principais, causando preocupação aos orizicultores brasileiros. Caso o controle não seja realizado e os surtos elevados, esse inseto é capaz de reduzir a produção em até 80%.

Presente nos países da América do Sul e Central, o percevejo-do-colmo do arroz tem potencial para se tornar uma praga invasora nos Estados Unidos. Distribuído na maioria dos estados onde se produz arroz no Brasil, a praga ocorre em todos os sistemas de cultivo, tanto no arroz irrigado quanto em terras altas, também conhecido como arroz de sequeiro.  

Na fase de desenvolvimento vegetativo da cultura, entre os 30 dias e os 50 dias, encontra-se o período crítico de incidência da praga, sendo recomendado o monitoramento constante da lavoura e, se necessário, a aplicação de medidas de controle. Inseto de hábito alimentar sugador, o percevejo-do-colmo se alimenta na base dos colmos das plantas de arroz. Ao inserir o aparelho bucal no colmo da planta de arroz, o inseto suga a seiva e introduz saliva que contém enzimas, que necrosam a área onde acorre a alimentação, ocasionando a interrupção parcial ou total do transporte de nutrientes na planta. Na fase vegetativa, o dano resulta no sintoma conhecido como “coração morto” (morte da folha central) e na fase reprodutiva, no sintoma conhecido como “panícula branca” (má-formação das panículas). Esses danos causam a redução da fotossíntese na planta, que é convertida em perdas econômicas para os produtores. O percevejo não causa danos diretos às panículas.

O ciclo de vida do percevejo (ovo a adulto) é de aproximadamente 60 dias, dependendo das condições climáticas (temperatura e umidade). Os ovos são cilíndricos, depositados em fileira dupla, preferencialmente na parte abaxial das folhas mais velhas. O período ninfal apresenta cinco instares. A partir do segundo instar, as ninfas começam a se alimentar. Depois de 24 horas de contínua alimentação, as plantas de arroz podem apresentar os sintomas decorrentes do dano. Uma fêmea adulta pode ovipositar até 1.300 ovos. A cada 60 dias, uma nova geração pode se iniciar, assim, estima-se que até três gerações do percevejo-do-colmo possam ocorrer em uma mesma estação de cultivo de arroz.

Na entressafra e em escassez de alimento, o percevejo-do-colmo é comumente encontrado em gramíneas, em diversas espécies de ciperáceas nativas ou, ainda, abrigado sob os restos culturais. Nesses locais, o percevejo entra em diapausa reprodutiva, reduzindo o seu metabolismo. Com o início das chuvas e o aumento das temperaturas, os insetos deixam os locais de refúgio e se movem para as lavouras de arroz. 

Ovos e ninfas de Tibraca limbativentris
Ovos e ninfas de Tibraca limbativentris

O principal método de controle adotado pelos produtores é o químico, por meio dos inseticidas sintéticos. Em geral, os produtores fazem de uma a três aplicações, dependendo do nível de infestação. Muitas vezes as pulverizações são realizadas via aérea, principalmente no sistema de cultivo irrigado. Um dos entraves que fazem com que as pulverizações com inseticidas não sejam eficientes é o fato de ninfas e adultos se localizarem preferencialmente na base dos colmos, reduzindo a chance de que o inseticida atinja o alvo. O uso excessivo e indiscriminado de inseticidas pode acarretar perda de eficácia e resistência dos percevejos. Fato esse que pode ser confirmado no primeiro registro de resistência de T. limbativentris na região produtora de Formoso do Araguaia - Tocantins. Sendo assim, é importante considerar este aspecto ao escolher o inseticida, bem como os cuidados com a aplicação. 

Além dos inseticidas químicos, outras alternativas podem ser utilizadas no controle do percevejo-do-colmo. Uma delas é o controle biológico por meio de parasitoides de ovos. A espécie Telenomus podisi tem se destacado nos últimos anos em pesquisas, mostrando eficácia no controle do percevejo-do-colmo em arroz, com alto índice de parasitismo. Esse parasitoide já é comercializado para o controle do percevejo-marrom (Euschistus heros) na cultura da soja, sendo vendido comercialmente.  

Outro agente de controle biológico de eficácia comprovada reside nos fungos entomopatogênicos, envolvendo principalmente o fungo Metarhizium anisopliae. A aplicação de M. anisopliae para o controle do percevejo-do-colmo tem apresentado eficiência de controle satisfatória, com bom potencial de epizootia, se espalhando rapidamente, causando o colapso da população de percevejos. A ação do fungo pode ser favorecida pelas condições ambientais de alta umidade do cultivo de arroz irrigado, permanecendo ativo por um período maior no ambiente. Essa espécie de fungo é disponível comercialmente em formulações, que podem ser aplicadas por meio de pulverizadores convencionais, sendo compatível com outros inseticidas.

Uma prática importante no manejo do percevejo-do-colmo consiste na destruição das plantas hospedeiras localizadas em torno da lavoura, ou de qualquer elemento que possa servir de abrigo para os insetos no período de entressafra. Essa prática contribui para a redução da população de percevejos que estão em diapausa e consequentemente na diminuição da população da safra seguinte. Pode ser realizada por meio de roçada e até mesmo com a associação de inseticidas químicos.

Para implementar um manejo eficiente do percevejo-do-colmo do arroz é imprescindível a amostragem da lavoura. O controle é recomendado quando as populações atingirem uma média de 0,8 percevejo/m² a um percevejo/m2. O ideal é que se utilize a associação de medidas de controle, considerando as condições ambientais, o conhecimento do agroecossistema e a presença de inimigos naturais. Por meio do manejo integrado, é possível diminuir a população do percevejo-do-colmo, mantendo-a abaixo do nível de dano econômico, reduzir as perdas em arroz e o uso de inseticidas químicos. 

André Cirilo de Sousa Almeida,  IF Goiano-Campus Urutaí 

Cultivar Grandes Culturas Outubro 2020

A cada nova edição, a Cultivar Grandes Culturas divulga uma série de conteúdos técnicos produzidos por pesquisadores renomados de todo o Brasil, que abordam as principais dificuldades e desafios encontrados no campo pelos produtores rurais. Através de pesquisas focadas no controle das principais pragas e doenças do cultivo de grandes culturas, a Revista auxilia o agricultor na busca por soluções de manejo que incrementem sua rentabilidade. 

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