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Medidas essenciais para manejo da broca-grande-do-tomateiro

Presente nas plantas desde a fase vegetativa, a broca-grande-do-tomateiro se torna mais visível ao migrar para os frutos, onde realiza perfurações, se alimenta da polpa e gera graves prejuízos.

As pragas que assumem destaque em tomateiro são as broqueadoras de frutos. Estes insetos atacam as folhas e principalmente a parte de interesse comercial, o fruto. As principais espécies deste grupo são Tuta absoluta (Meyrick) (Lepidoptera: Gelechiidae) ou broca-do-tomateiro; Neoleucinodes elegantalis (Guennée) (Lepidoptera: Crambidae) ou broca-pequena-do-fruto e a Helicoverpa zea (Boddie) (Lepidoptera: Noctuidae), popularmente chamada de broca-grande-do-tomateiro. 

A broca-grande-do-tomateiro é notada principalmente no período de desenvolvimento e maturação dos frutos, porém está presente na planta desde a fase vegetativa. No período vegetativo, as lagartas provocam danos nas folhas e posteriormente migram para os frutos, onde realizam perfurações para alimentar-se da polpa, resultando na depreciação do tomate, o que o torna inviável para comercialização e consequentemente ocasiona perdas de produtividade. Essa praga ocorre em todo o período do ano e desenvolve-se em outras plantas hospedeiras, incluindo o milho, outras gramíneas, solanáceas, leguminosas e hortaliças, nas quais também causa injúrias. Em caso de coincidir o período de plantio do tomate com o de cultivo de alguma dessas plantas hospedeiras, a incidência é potencializada. Os danos causados, na ausência de controle, podem ser até 80% aos frutos.

CARACTERÍSTICAS  GERAIS DO INSETO-PRAGA  

O nome broca-grande-do-tomateiro se deve ao seu tamanho em consideração a outros lepidópteros broqueadores do fruto do tomateiro. O adulto é uma mariposa que mede cerca de 30mm a 40mm de envergadura. Suas asas variam de coloração, do amarelo ao amarelo-esverdeado, com uma mancha marrom-escura na parte central da asa. Possui hábito noturno e oviposita em qualquer parte da planta, e cada fêmea põe em média mil ovos. 

O adulto é uma mariposa que mede cerca de 30mm a 40mm de envergadura

Os ovos possuem coloração inicial clara e após quatro dias eclodem as lagartas de coloração esverdeada, que possuem uma listra no dorso e duas listras na lateral do corpo acompanhadas de pontuações escuras. Após o último instar larval, o inseto passa por um período denominado pré-pupa, onde ficam sem se alimentar e vão para o solo, onde empupam. As pupas são marrom-avermelhadas e podem ser encontradas a até 25cm de profundidade. O ciclo biológico do inseto varia de 30 dias a 40 dias, dependendo da temperatura. 

COMO MANEJAR 

A correta identificação e conhecimento sobre o comportamento da praga é um passo importante para a realização do manejo correto e assertivo. O primeiro passo para a redução na ocorrência desse inseto-praga começa no planejamento do plantio, através do levantamento do histórico da área para identificação de possíveis plantas hospedeiras e até mesmo na prática de medidas culturais preventivas (realização de rotação de culturas com espécies não hospedeiras, destruição dos restos culturais, vazio sanitário e revolvimento do solo para esmagamento e/ou exposição das pupas ao calor do sol). O monitoramento de ovos, lagartas e adultos da broca-grande-do-tomateiro é o ponto crucial para a implementação das táticas ideais de controle. Os adultos podem ser monitorados via armadilhas luminosas ou armadilhas com feromônio sexual, que devem ser inspecionadas regularmente para amostragem da broca-grande-do-tomateiro. A quantificação de adultos dá ao produtor o real panorama da presença e previsão de ocorrência de ovos e lagartas na área. Recomenda-se inspecionar a planta para a coleta de ovos, sendo o nível de ação para esta praga, de quatro ovos/100 folhas. O monitoramento deve começar no início do florescimento e ser intensificado quando houver a ocorrência de veranicos, e durante a estação seca e quente do ano.

CONTROLE QUÍMICO 

O principal método de controle para a broca-grande-do-tomateiro é o químico, através de inseticidas. Atualmente, existem aproximadamente 38 produtos químicos registrados para o controle de broca-grande-do-tomateiro. A maioria é de defensivos à base de acefato, cipermetrina, clorantaniliprole, triflumuron, lambda-cialotrina, difubenzuron, entre outros. O posicionando destes produtos, muitas vezes, é direcionado não só para o controle da broca-grande-do-tomateiro, mas para o controle de outros broqueadores de maior ocorrência, como a T. absoluta. Porém, devido ao hábito alimentar destas pragas, o controle pode ser pouco eficiente, por não conseguir atingir diretamente a lagarta no interior dos frutos. 

MANEJO INTEGRADO 

No atual cenário da produção agrícola, buscam-se formas de produção e manejo de pragas que preconizem a agricultura sustentável, através de táticas de controle que sejam assertivas, menos agressivas ao ambiente e que mantenham o equilíbrio da fauna presente na área. Assim, os programas de Manejo Integrado de Pragas (MIP) vêm se tornando cada vez mais importante no cenário agrícola. Uma das principais estratégias de manejo do MIP é aliar táticas de manejo que atuem de forma racional e eficiente, mas mantendo o máximo possível de equilíbrio no ecossistema agrícola. Na dinâmica de equilíbrio do agroecossistema existem vários insetos que possuem papel ecológico na manutenção de insetos-praga. São denominados agentes de controle biológico, pois contribuem para a manutenção do nível de equilíbrio das espécies.

Portanto, a utilização de produtos seletivos, que não sejam deletérios ou interfiram nessas dinâmicas, auxilia positivamente no equilíbrio entre insetos benéficos e insetos-praga. Outra tática de manejo que pode ser aliada à utilização de produtos seletivos é o controle biológico aplicado, através da liberação inundativa de parasitoides de ovos, para reduzir a população de insetos-praga abaixo do nível de dano econômico. O gênero Trichogramma é composto por agentes de controle biológico mais utilizados no mundo para o combate de insetos-praga da ordem lepidóptera. Esses parasitoides são microvespas que atuam no controle da fase de ovos da praga. Atualmente, muitas espécies contribuem na otimização de controle de lepidópteros-praga, em diferentes culturas de importância agrícola, por exemplo, milho, algodão, soja, cana-de-açúcar  etc.

Ovos parasitados por Trichogramma pretiosum

Na cultura do tomate a espécie recomendada para utilização é o Trichogramma pretiosum (Riley) (Hymenoptera: Trichogrammatidae). Este parasitoide é um dos agentes de controle biológico mais estudados por ser uma espécie generalista de ocorrência em todo o mundo. A eficiência de T. pretiosum para controle de broca-grande-do-tomateiro é expressiva. Estudos demonstram que em liberação em intervalos semanais em campo na densidade de 400 mil parasitoides/ha obtêm eficiência de 83% de controle. É recomendado que as liberações sejam contínuas em todo o ciclo da cultura, com início 20 dias a 30 dias após o plantio ou transplantio. As liberações devem ser semanais, uma ou duas vezes/semana ou três liberações por ciclo da cultura, dependendo da pressão de infestação da praga. O parasitoide T. pretiosum possui registro não só para o controle de broca-grande-do-tomateiro, mas também para a utilização no combate de outros importantes lepidópteros-praga como a T. absoluta, e outras culturas. Portanto, quando liberado na área atua no controle de ambos os lepidópteros-praga. As liberações inundativas têm como principal ponto positivo o rápido controle do inseto-praga ainda em fase de desenvolvimento, antes que ocorra dano econômico. É importante salientar que uma vez realizada a liberação de agentes de controle biológico, deve-se verificar a seletividade dos demais produtos químicos empregados na cultura. O conhecimento e a utilização de inseticidas seletivos aos inimigos naturais são de extrema importância para o sucesso de um programa de manejo integrado de pragas. 

A eficiência de T. pretiosum para o controle de broca-grande-do-tomateiro é expressiva

O TOMATEIRO 

O tomateiro Solanum lycopersicon L. é uma planta herbácea da família Solanaceae, originária da região andina e domesticada no México. Atualmente é uma das mais importantes hortaliças cultivadas e consumidas no mundo. No Brasil, é plantada em todas as regiões, tendo como principais polos de produção os estados de Goiás, São Paulo e Minas Gerais. A produção brasileira na safra de 2018 foi de 4.084,910 toneladas em 59.738 hectares, produção esta um pouco inferior à da safra de 2017, que foi de 4.373,047 toneladas (IBGE, 2019). Um dos fatores limitantes que dificultam a implantação, interferem na produção e tornam o cultivo de tomate arriscado diz respeito à suscetibilidade aos problemas fitossanitários relacionados à ocorrência de pragas e doenças. 

Carolane da Silva e Silva, Simone Silva Vieira e Regiane Cristina Oliveira de Freitas Bueno, Unesp / FCA

Cultivar Hortaliças e Frutas Fevereiro 2019

A cada nova edição, a Cultivar Hortaliças e Frutas divulga uma série de conteúdos técnicos produzidos por pesquisadores renomados de todo o Brasil, que abordam as principais dificuldades e desafios encontrados no campo pelos produtores rurais. Através de pesquisas focadas no controle das principais pragas e doenças do cultivo de hortaliças e frutas, a Revista auxilia o agricultor na busca por soluções de manejo que incrementem sua rentabilidade. 

+ Veja mais artigos publicados na edição de fevereiro de 2019 da Cultivar Hortaliças e Frutas pelo link

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