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Ministra e presidente da Embrapa conhecem projetos de sucesso no Nordeste

Tereza Cristina e Sebastião Barbosa, em visita à fazenda de produção de acerola no Piauí - Foto: Noaldo Santos

O município de Cabaceiras, na Paraíba, marcou o final de uma viagem de quatro dias da comitiva do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento pelo Nordeste que passou também pelos estados do Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte. A ideia era conhecer projetos que têm apoio do Mapa na região e que poderão subsidiar posteriormente o Plano de Ação para Geração de Emprego e Renda no Nordeste, que será elaborado pela Ministra para ser entregue ao Governo Federal.

"Nossa intenção é reunir todos os dados disponíveis sobre os projetos voltados à agricultura familiar, à pesca e à aquicultura, assuntos fundiários e demandas do Serviço Florestal, que estão sendo coordenados por outras áreas do governo, sistematizando esforços e iniciativas por microrregiões", lembrou a ministra Tereza Cristina. A comitiva foi formada pelo secretário da Agricultura Familiar e Cooperativismo, Fernando Schwanke; pelo presidente da Embrapa, Sebastião Barbosa; pelo assessor especial do Mapa, Francisco Basílio de Souza; pela chefe da Assessoria de Comunicação e Eventos, Mara Bergamaschi; e pelos chefes-gerais da Embrapa Caprinos e Ovinos, Marco Bomfim; da Embrapa Algodão, Liv Soares Severino; e da Embrapa Agroindústria Tropical, Lucas Leite; e do chefe-adjunto de Administração e Finanças da Embrapa Meio-Norte, José Oscar Lustosa.

“Conhecia o Nordeste como turista, mas agora é a trabalho”, declarou Tereza Cristina, se comprometendo a percorrer no fim de março os estados nordestinos  não contemplados na atual viagem, para elaborar uma política a ser lançada até junho para o semiárido e para toda a região, o que será feito conjuntamente com outros ministros. Schwanke, que  acompanhou a ministra nas visitas técnicas, coordenará o trabalho de sistematização de informações, cruzando dados disponíveis (da Embrapa, do Incra e de outros órgãos) sobre tipos de solo, disponibilidade de água, existência e conservação de estradas etc. O uso de imagens de satélite (sistemas de georreferenciamento) será uma das ferramentas de a serem utilizadas pelo Mapa.

“Visitei muitos projetos de sucesso que podem ser replicados e outros que precisam de apoio para deslanchar. É disso que vamos tratar em Brasília, com colegas, como o Gustavo Canuto ( ministro do Desenvolvimento Regional), porque água é um assunto importante aqui e isso é com ele”, concluiu a ministra.

Para o presidente da Embrapa, a visita aos quatro Estados foi uma excelente oportunidade de contato com lideranças locais e produtores rurais que estão utilizando tecnologias da Empresa e aumentando sua renda mensal. "A ministra teve oportunidade de checar no campo, por exemplo, o impacto das nossas variedades de acerola no Semiárido e conheceu também os primeiros resultados do desenvolvimento de uma nova bactéria para produção de queijos de cabra, fruto de projeto coordenado pelo pesquisador Antônio Silva Egito, da Embrapa Caprinos e Ovinos", afirmou Sebastião Barboza. Ele confirmou também que recebeu de produtores novas demandas de pesquisa para a Embrapa para os próximos anos.

Paraíba

Em Cabaceiras, o município paraibano onde chove menos em todo o país, a ministra Tereza Cristina conheceu o trabalho da Cooperativa dos Curtidores e Artesões em Couro de Ribeira e projetos na Cooperativa Caprinobovinocultores da região. Fundada há 14 anos, a cooperativa trabalha a pele dos caprinos usando processo de curtimento vegetal, um dos melhores do país, que praticamente não gera odor. A cooperativa também processa couros de origem bovina (10% da sua produção).

Em reunião com representantes locais do setor agropecuário, a ministra defendeu a criação de um programa nacional de irrigação para o campo, para tentar melhorar o abastecimento de água para os produtores do Nordeste. Hoje os programas de irrigação estão vinculados ao Ministério do Desenvolvimento Regional.

Um dos objetivos, segundo Tereza Cristina é unificar as ações voltadas para a irrigação, atualmente dispersas em diferentes órgãos do governo. “Precisamos ter uma política de fomento da irrigação”, defendeu. A ministra mostrou-se entusiasmada com “iniciativas exitosas” que conheceu na região nesses dias e argumentou que a água precisa ser destinada à produção, para torná-la eficiente e competitiva e proporcionar qualidade de vida aos nordestinos.

Defendeu também o projeto RenovaBio, política para biocombustíveis que está sendo implementada no Brasil, e disse que vai estudar como fazer a cultura do algodão voltar a crescer novamente no Nordeste. “Para ocupar o potencial que o Brasil tem de crescimento no cenário internacional, precisamos ser mais agressivos e competitivos”, afirmou. Acompanhada do presidente da Embrapa, Sebastião Barbosa, disse que o conhecimento, a tecnologia, precisam sair das academias e chegar ao campo. “Vamos deixar a vaidade de lado, trabalhar para democratizar o acesso à ciência”. Como ministra, destacou que quer dar sua contribuição para que isso aconteça.

A ministra se comprometeu a reforçar o apoio do ministério às cooperativas de Cabaceiras. "Vemos aqui um embrião que a comunidade realizou a duras penas. Agora, sei dos anseios da cooperativa para dobrar a produção e dar mais emprego nessa cadeia produtiva. O modelo está pronto! Vocês precisam de apoio, sim. A OCB está aqui, vários sindicatos, vocês são exemplo, saio daqui da emocionada, com a certeza de que temos condições de fazer o Brasil que nós queremos, o Brasil daqueles que trabalham”.

A usina Japungu em Santa Rita (PB), conhecida por utilizar a irrigação por gotejamento subterrâneo no cultivo da cana-de-açúcar, foi outro projeto conhecido pela comitiva. Com o uso desse sistema israelense, a propriedade passou a ter produtividade média de 112 toneladas de cana por hectare, nos 3.550 hectares onde funcionam as canalizações de água. No restante da fazenda, onde não há irrigação, o rendimento médio é de 45 toneladas por hectare. “A diferença impressiona e faz com que a cada ano a expansão das canalizações seja da ordem de 800 hectares”, explicou o responsável pelo sistema de irrigação, Alexandre Guerra.

O método consiste em uma rede de mangueiras enterrada no solo. A cada 50 centímetros, gotejadores liberam a água já com doses de adubo. A durabilidade da rede é de 15 anos. Gastar 40% menos de água e 30% menos de energia, além de ampliar a produtividade, é uma das vantagens desse método de irrigação. A matriz da empresa destina 60% da cana cultivada para a fabricação de álcool e os outros 40% são transformados em açúcar. A proporção é explicada pelo recuo dos preços do açúcar ocorrido no mercado internacional. A Japungu tem índice alto de mecanização, mas, mesmo assim, emprega 3 mil funcionários, número que aumenta na época de safra.

Piauí

Na primeira etapa da viagem de quatro dias ao Nordeste, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, visitou na tarde do dia 14, em Parnaíba, no Piauí, o Perímetro Irrigado Tabuleiros Litorâneos do Piauí, que produz, em plena caatinga, frutas orgânicas, como a acerola. Os alimentos colhidos no projeto viram matéria-prima para a produção de polpas de frutas, que são exportadas para países como Estados Unidos e Alemanha e vendidas no mercado interno para os estados de Pernambuco, Maranhão e Ceará.

O carro-chefe dos Tabuleiros Litorâneos é mesmo a acerola orgânica, que é exportada por uma multinacional. Além da acerola, o projeto se destaca na produção de melancia, caju, melão, mamão e outros alimentos. O Tabuleiros Litorâneos está iniciando também a implantação da pecuária de corte.

O projeto foi implantado em 1989 e está sob responsabilidade do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS). Utiliza o Rio Parnaíba para irrigar uma área que atualmente abrange 800 hectares, sendo que ainda há outros 2.443 hectares equipados e prontos para o manuseio da terra. O potencial total de irrigação é de 8.428 hectares, que deverão ser usados na segunda etapa do projeto.

Em agosto de 2018, foi assinada a segunda etapa do Tabuleiros Litorâneos, com previsão de investimento federal de R$ 27 milhões. O objetivo é estimular ainda mais a fruticultura irrigada e ampliar o potencial de comercialização para mercados internos e externos, gerando novos empregos e mais renda na região. Ao todo, serão, aproximadamente, seis mil hectares irrigados, o equivalente a 430 lotes agrícolas destinados a pequenos produtores e cooperativas da região. A expectativa é de gerar cerca de dois mil novos postos de trabalho na segunda fase do projeto.

A ministra observou ter ficado impressionada com a produção de orgânicos no projeto que visitou e acrescentou que obras que estejam com 10%, 30% faltando para serem concluídas são prioridade desta gestão. Os recursos investidos nos Tabuleiros Litorâneos já poderiam estar voltando na forma de impostos, comentou.

O secretário de Agricultura Familiar do Mapa, Fernando Schwanke, lembrou que é também fruticultor e que imagina a dificuldade dos produtores locais para produzirem acerola orgânica na região. “Isso mostra o potencial da fruticultura e de todo o Nordeste”, afirmou. Sobre a continuidade das obras do projeto Tabuleiros Litorâneos, em entrevista à imprensa, a ministra disse que tratará do assunto com a área técnica do Mapa e com o ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, para ver quais providências poderão ser adotadas, qual o cronograma previsto e se há recursos disponíveis.

A ministra elogiou a produção de orgânicos do projeto e disse que vai incrementar projetos específicos para várias áreas do Nordeste. “Estamos fazendo uma visita técnica para conhecer todas as cadeias produtivas da região e aqui a gente sabe da fortaleza que é a fruticultura. Foi muito bom esse reconhecimento para ver como a produção de frutas vai bem, abacaxi, acerola, banana, inclusive orgânicos, que os mercados têm uma procura enorme, principalmente o Europeu”.

Ceará

Tereza Cristina visitou na manhã do dia 15, no município de São Benedito (CE), a fazenda Reijers, maior exportadora de rosas do país, que se destaca pelo uso do controle biológico na produção, com práticas que causam baixo impacto ambiental. A ministra foi recebida, logo ao chegar, por representantes do grupo de mulheres camponesas Margaridas e prometeu reunir-se com elas, em agosto, em Brasília, quando terão um evento na capital federal.

Da produção da Reijers, duas toneladas de flores por dia, basicamente, abastecem o mercado interno. Com mais de 30 anos de atuação na produção de flores, a Rosas Reijers oferece mais de 50 variedades de rosas, além de outros tipos de flores de corte como alstroemerias, boca de leão, gipsofila, lírios, gérberas, além de flores em vaso. No total, são 48 hectares de área produtiva que abastecem o território nacional, incluindo exportações para a Holanda. As rosas são cultivadas em sistema de semihidroponia, e em picos de produção, são colhidos aproximadamente 170 mil botões ao dia.

O sistema de irrigação é feito por gotejamento, direcionando para cada planta a quantidade de água e adubo necessários ao seu desenvolvimento. A empresa fabrica o próprio composto orgânico, a partir dos restos culturais das flores e utilizado como fertilizante (redução de adubação química). Possui estações de reciclagem, com separação de todo o lixo produzido, e encaminhamento para os locais recicladores.

Faz o manejo integrado de pragas, por meio do uso de predadores naturais, provenientes das próprias unidades de produção. Além disso, utiliza produtos alternativos com o objetivo de reduzir o consumo de defensivos agrícolas, criando um ambiente mais equilibrado e saudável. A Reijers tem barragens de infiltração de água para recolher a água das chuvas e devolver ao lençol freático, evitando prejuízo ao solo, como erosões.

Tereza Cristina visitou também no dia 15, em Ubajara (CE), a maior unidade do mundo de produção e processamento de acerola orgânica e biodinâmica (que inclui conhecimentos químicos, geológicos e astronômicos), da Amway Nutrilite, fabricante de vitamina C liofilizada, resultante de processo de desidratação para manutenção do sabor e dos nutrientes da fruta.

Além dos métodos orgânicos de cultivo, são utilizados sistemas de irrigação em pivô central, de gotejamento, aspersão e micro aspersão e gestão do uso da água para preservar açudes. Uma das curiosidades na propriedade é uma colheitadeira de azeitonas adaptada para uso da colheita de acerola.   Ubajara é um município da Mesorregião do Noroeste Cearense, muito procurado por turistas por conta do Parque Nacional, onde se encontra a Gruta de Ubajara, acessível por meio de teleférico.

Em sua última visita no estado, Tereza Cristina foi ainda à Tianguá, próxima de Ubajara, na Granja Emape, produtora de aves e de 500 mil ovos por dia. A unidade conta com distribuição automática de ração e coleta por esteira de ovos e resíduos. O sistema faz também a transferência dos ovos até o entreposto, onde são classificados e embalados automaticamente.

Depois da visita, ao estado que teve a presença do senador e ex-governador Tasso Jereissati, a ministra encontrou-se com empresários, produtores rurais, líderes do agronegócio e políticos da região.

Rio Grande do Norte

No estado potiguar, Tereza Cristina conheceu no sábado (16), em Pendências (RN), na Fazenda Potiporã, a de maior produção de camarão do país. Em 2015, a doença conhecida como mancha branca chegou a dizimar a produção na fazenda. A empresa foi vendida, ampliada, replanejada e, no ano passado, adotando maiores cuidados com a qualidade da água e da alimentação, passou a produzir mais do que antes de enfrentar o problema.

A ministra ainda se reuniu no município, na sede da indústria da Potiporã, com dirigentes da Associação Brasileira de Criadores de Camarão, que teve representantes do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Sergipe e Bahia. A atividade envolve 3 mil empreendimentos, 30 mil.empregos diretos e cem mil empregos indiretos.

A produção do setor no ano passado foi de 77 mil toneladas destinada ao mercado nacional, com faturamento de R$ 3 bilhões. Mas, de acordo com o presidente da associação, Cristiano Peixoto Maia, no próximo ano o produto deverá passar também a ser exportado para os Estados Unidos, União Europeia e China. Entre os associados da entidade, segundo ele, 77% são pequenos produtores.

“Temos de apoiar, e não dificultar, os empreendimentos”, disse a ministra, acrescentando ser importante que o dinheiro do investidor não fique parado, mas na atividade produtiva e na geração de renda. “Queremos ser um facilitador, destravar o setor, dificultando o mínimo possível. E simplificar, sem precarizar. Vamos fazer juntos, os Três Poderes e a iniciativa privada”.

No Estado ela visitou ainda a Fazenda Famosa, em Mossoró, que ocupa 7 mil hectares, dos quais 3 mil são destinados ao cultivo de melões e melancias. Acompanhada do presidente da Abrafrutas (Associação Brasileira de Produtores Exportadores de Frutas e Derivados), Luiz Roberto Barcelos, a ministra percorreu área de cultivo da fazenda Famosa. A ministra foi informada sobre o problema da mosca da fruta ou do Mediterrâneo comum aos produtores. Os grandes produtores trabalham sistematicamente no monitoramento da praga. Mas os pequenos encontram mais dificuldades com carência de assistência técnica e custos considerados elevados.

A ministra se reuniu também com  a governadora do estado Fátima Bezerra para discutir sobre a importância da água para a produção agrícola e a pesca na região. Ficou acertado que as equipes técnicas do Mapa e do governo do Rio Grande do Norte voltarão a se reunir em Brasília para tratar do assunto.

Em entrevista, ao final da visita, Tereza Cristina  destacou que é preciso que as políticas públicas cheguem ao produtor sem intermediários, com assistência técnica e crédito abundante. A viagem, disse, é importante para ver in loco, “o que se pode fazer pela região, que é tão importante para o país e tão populosa”.

Clique aqui para acessar fotos da visita aos quatro Estados.

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