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Novo método é capaz de prever a ocorrência de geada em Mato Grosso do Sul

Sistema consegue prever ocorrência de geadas para que produtor se prepare - Foto: Auro Otsubo

Danilton Flumignan, pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste (MS), desenvolveu um método capaz de prever com bastante antecedência a ocorrência de geadas da região sul do estado de Mato Grosso do Sul. É possível saber ainda em dezembro a temperatura mínima aproximada que será atingida em junho. Essa informação é atualizada no mês de maio, quando é confirmada ou não a ocorrência de geada. O pesquisador revela que, segundo dados coletados até o momento, a região não deverá sofrer com geadas este ano.

Flumignan salienta que, especialmente no mês de junho, as geadas são motivo de grande preocupação dos produtores de milho safrinha. “Naquele mês, o milho ainda se encontra em uma fase sensível de seu desenvolvimento ea geada pode ser prejudicial à cultura”, esclarece o cientista, frisando que a extensão do prejuízo está associada à intensidade da geada.

Como é o método

O sistema usa dados de chuva medidos na estação agrometeorológica Guia Clima da Embrapa Agropecuária Oeste, localizada em Dourados (MS), e da temperatura da superfície do mar fornecidos pela agência americana National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA).

Com índice de confiança de 95%, o sistema é capaz de prever em dezembro, e com uma margem de erro conhecida de ±2,3ºC, qual a temperatura mínima deverá ocorrer em junho, no sul do Mato Grosso do Sul. Baseando-se nessa temperatura prevista e na escala da Tabela 1 é possível prever se ocorrerá a geada e com qual intensidade.

Sem geada este ano

Segundo o pesquisador, para 2019 o sistema específico de previsão de geadas para o sul de Mato Grosso do Sul demostrou que a temperatura mínima prevista para junho é de 10,9 ºC. “Considerando-se a incerteza associada ao modelo matemático que faz a previsão, estima-se que a temperatura poderá ficar entre 8,6 ºC e 13,2 ºC. As geadas geralmente ocorrem com temperaturas abaixo de 4ºC, e somente abaixo desse patamar é que podem vir a ser classificadas como fraca, moderada ou forte”, explica Flumignan.

Em 2018, a previsão divulgada foi a de risco de geada moderada em junho, com temperatura mínima prevista de 5º C, podendo oscilar entre 2,7 e 7,3 ºC. Os dados divulgados pela previsão se confirmaram e a temperatura mínima registrada em junho de 2018, foi de 6 ºC, em Dourados, e 5,2 ºC, em Rio Brilhante.

Como as geadas representam um fator de risco à produtividade no campo, a Embrapa Agropecuária Oeste vem analisando alguns métodos de previsão.

Dados históricos

O Guia Clima da Embrapa Agropecuária Oeste mantém informações organizadas dos últimos 40 anos do município de Dourados. A série histórica mostra que 25,4% das geadas na região ocorreram em junho. “Dessas, a maioria, 77,8%, foram de intensidade média ou forte, provocando danos às lavouras e prejuízos aos produtores”, conta Flumignan. Desde 1979, em junho, ocorreram geadas em 21 anos, totalizando 38 episódios.

Em outros meses, os riscos de geadas não chegam a preocupar os produtores de milho safrinha. É o caso de julho que, apesar apresentar geadas mais frequentes (51% dos registros), é uma época em que as lavouras estão em fase final de ciclo ou já foram colhidas, o que reduz potencial de dano. Em maio, por sua vez, as geadas são raras (4% dos registros) e, quando ocorrem, costumam apresentar intensidade fraca.

Protegendo o milho safrinha

O milho de segunda safra é a principal cultura de inverno de Mato Grosso do Sul. Em 2018, foram cultivados no estado cerca de 1,7 milhão de hectares de milho safrinha. Aproximadamente 70% dessas lavouras estavam na região sul de Mato Grosso do Sul.

O Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) estabelece que, nessa região, o milho safrinha deve ser semeado até 10 de março a fim de minimizar os riscos de perdas nas lavouras.

O engenheiro agrônomo da Embrapa Gessi Ceccon, especialista em cultivo de milho safrinha, explica que existem três tipos de ciclos de híbridos de milho: superprecoce, precoce e normal. No caso de lavouras com híbridos de milho superprecoce, a geada em junho não causa prejuízos porque o milho já terá formado grãos, prontos para colheita. “Entretanto, para os de ciclo precoce e normal, a geada em junho acarreta menor enchimento dos grãos e, consequentemente, menor produtividade”, destaca Ceccon.

De uma maneira geral, o analista salienta que é muito difícil prever os potenciais danos que a geada pode causar ao milho, caso ela ocorra em junho. “Muitas variáveis estão envolvidas, como relevo da propriedade, época de plantio e ciclo do híbrido. Porém, de maneira geral, é possível afirmar que ainda que a geada ocorra em junho e que venha a ser forte, não haverá uma perda completa da lavoura, pois o milho safrinha é semeado de forma escalonada nas propriedades rurais de Mato Grosso do Sul, ou seja, ocorre gradativamente conforme vai sendo realizada a colheita da soja”, acrescenta.

Ele chama atenção para a amplitude do prejuízo em situações específicas. “No caso de ocorrer uma geada forte, em uma lavoura localizada em uma baixada, com um hibrido de ciclo normal, a perda certamente será grande.” Ele frisa que mesmo ocorrendo perdas severas na plantação, o cereal pode ser colhido e fornecido como alimento para os animais, pois é uma rica fonte de energia. Dessa forma, é possível minimizar os prejuízos.

 


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